Olhares para uma ecologia integral
08/02/2019 17:21
Ana Carolina Moraes, Beatriz Puente e Luana Vicentina

Objetivo do encontro foi formular estratégias para o Sínodo da Amazônia

Representates das AUSJAL se reúnem para discutir sobre a Amazônia. Foto: JP Araújo

A ganância da modernidade em um cenário de descaso ambiental foi a principal discussão do encontro entre as Instituições da Associação de Universidades Confiadas à Companhia de Jesus na América Latina (AUSJAL), realizado nos dias 4 e 5 no Centro de Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio. Com o tema Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral, o fórum foi uma preparação para o Sínodo que ocorrerá em outubro, no Vaticano. O objetivo da reunião foi finalizar o documento que será entregue ao Papa Francisco na ocasião.


Um dos desafios do encontro foi traçar outros caminhos para a evangelização do povo da amazônica. O Vice-Reitor da PUC-Rio, padre Álvaro Mendonça Pimentel S.J., comentou sobre a criatividade que será necessária para gerar novas opções ético-políticas para estabelecer o contato com as comunidades locais, e, ainda, sobre a preservação ser um desafio de todos.


— Estamos aqui para pensar alternativas que possam contribuir, mas que sejam éticas e coerentes. É necessário competências e habilidades para resolver o desafio, mas a tarefa é de todos. As possibilidades que criamos estão vazias de luz e calor humano, portanto é preciso humanizar esse movimento.

Presidente da Rede Eclesial Pan-amazônica, Cardeal Dom Cláudio Hummes OFM, apresentou um panorama das ideias de renovação do Papa Francisco. Ele afirmou que os três pilares para o Pontífice são a pobreza, a paz e a natureza, e que, por isso, a Amazônia é uma prioridade para a Igreja. O caráter dominador do homem também foi apontado pelo Cardeal como um reflexo da modernização.

— Francisco veio com a renovação que a Igreja precisava. Resgatou o caráter de dever social e de que a natureza é assunto do Evangelho. A modernidade é ótima, mostra a competência da criação de Deus, mas deve-se pensar as causas das crises ecológicas, como os problemas climáticos. Esse modelo de produção ganancioso reflete o liberalismo extremo.

Dom Claudio Hummes falou sobre a ecologia na sociedade tecnológica. Foto: JP Araújo

Sobre a Amazônia, o Cardeal declarou que as Igrejas precisam sair da zona de conforto e dar atenção aos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos. A aproximação e o respeito foram os dois pontos essenciais destacados por Dom Cláudio para que a Igreja tenha um perfil coletivo e inclusivo.

— Temos que chamar a atenção das igrejas para os indígenas, ribeirinhos e quilombolas. É preciso dar a identidade da Amazônia para as igrejas de lá. Temos que caminhar juntos, mas, acima de tudo, respeitando as diferenças.


Os aspectos operacionais foram assunto da segunda mesa do fórum, ministrada pelo Secretário Executivo da Rede Eclesial Pan-amazônica, (REPAM), Maurício López. Ele apontou a conversão ecológica como algo substancial nos tempos atuais, e afirmou que os cristãos devem abraçar a Laudato Si’ para assumir o compromisso com o meio ambiente.

— O mais importante do Sínodo é o que vai acontecer depois. O papel das universidades, além da construção do documento que será apresentado, deve ser dar sentido à Laudato Si’.

Também presente na reunião, o diretor do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio (NIMA), professor Luiz Felipe Guanaes, explicou que sete universidades participavam do encontro para compor o documento final. O professor observou a urgência de um investimento maior direcionado a essa questão, em vista das recentes tragédias que assolaram o país.

— As universidades ensinam, fazem pesquisa e fazem extensão. Elas devem dar conta dos problemas da Amazônia com mecanismos interdisciplinares. Mesmo com a produção de conhecimento, observamos que ainda não atingimos os objetivos socioambientais fundamentais. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

O professor Guanaes ressaltou a importância da interdisciplinaridade. Foto: JP Araújo

Durante a tarde, os representantes das sete instituições se dividiram em mesas para debater o tema a partir de três perspectivas: ver, julgar e agir. Para introduzir a discussão sobre o primeiro tópico, o Reitor da PUC-Rio, Padre Josafá Carlos de Siqueira S.J., falou sobre a importância de se formar um olhar das universidades sobre a questão da Amazônia. O Reitor ressaltou que a leitura da região ainda é mercantilista e pouco interdisciplinar, e que há a necessidade de se pensar o assunto a partir de outros paradigmas.

- Nós estamos vivendo uma época em que existe uma tensão permanente: de um lado um olhar muito mercantilista sobre a Amazônia, do outro, o desejo de ter um olhar mais integrador e sistêmico, ou seja, a prática de uma ecologia integral, nas palavras do Papa Francisco. Esta tensão é vivida permanentemente porque temos um potencial enorme na Amazônia, que não pode ser ignorado, mas deve ser utilizado com responsabilidade ao meio ambiente e respeito as comunidades que ali vivem.

O Reitor destacou a relação entre economia e sustentabilidade. Foto: JP Araújo

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