Inovação com preservação do modelo presencial
05/04/2019 18:16
Editor Chefe

Em artigo, Reitor aborda as mudanças no ambiente universitário e a importância da dimensão presencial, em que os alunos podem conviver e dialogar, inclusive nas diferenças

A diminuição do número de alunos nas universidades e faculdades, além das dificuldades encontradas nas mudanças de regras nos fundos de financiamento do governo tem levado, sobretudo, entre as instituições privadas, a busca de alternativas que possam atender as novas demandas dos estudantes. Cursos novos, metade presencial e metade a distância, ou mesmo totalmente a distância, têm sido hoje a saída encontrada por muitas instituições de ensino superior no Brasil. Certamente a regra aplica-se também às Instituições Comunitárias, embora, pela natureza confessional, alguns cuidados são necessários, evitando os modismos ou simplesmente o imediatismo de soluções apenas econômicas.        

Para uma universidade comunitária, a vida universitária caracteriza-se pela dimensão presencial, onde as dimensões acadêmicas, de pesquisas e atividades culturais estão profundamente integradas. A vivência entre estudantes e professores, intercambiando saberes e compartilhando vidas, é algo fundamental na comunidade educativa. Nesta convivência, as diferenças se encontram, dialogam, divergem, ou buscam consenso nos dissensos. Uma verdadeira Universidade Comunitária, embora possa ter alguns cursos a distância, ou modelo misto entre presencial e a distância, não pode abrir mão da dimensão presencial, pois ela faz a diferença. Isto vale para aquelas que possuem campus único ou mesmo vários campi. Se o seu perfil for de uma universidade de pesquisa, como é o caso da PUC-Rio, o presencial é fundamental, pois além do contato direto com as linhas de pesquisa e os respectivos pesquisadores, os estudantes profissionalizam-se por meio dos estágios, monitorias entre outras atividades que fazem parte do dia a dia da rotina criativa da instituição.       

Outros aspectos importantes para uma universidade comunitária são a interdepartamentalidade, a interdisciplinaridade e a internacionalização. Os diversos departamentos e coordenações realizam atividades presenciais que permitem as abordagens e trocas de saberes entre as diversas áreas do conhecimento científico. Embora a interdisciplinaridade possa ocorrer também no ensino a distância, a dimensão presencial é mais enriquecedora, pois os contatos pessoais e as trocas de ideias muitas vezes resultam em atividades de pesquisa em conjunto, entre diferentes professores e alunos. Na internacionalização, a dimensão presencial permite aos alunos estrangeiros conhecerem novas pessoas, compartilharem experiências de seus respectivos países e participarem de atividades socioculturais no país onde se realiza o intercâmbio acadêmico.  O contato pessoal é fundamental para que conheçamos melhor a alteridade, permitindo aprender concretamente sobre o outro, aquilo que a distância muitas vezes esconde ou não consegue atingir.       

Somos conscientes que a cultura digital tem nos oferecido uma racionalidade instrumental que não pode ser ignorada, atendendo muito as demandas das novas gerações de estudantes. Mais do que uma preocupação econômica, devemos estar atentos a estes novos desafios no ensino superior, porém, sem esquecer que existem outras racionalidades que são fundamentais na formação dos jovens universitários. No mundo marcado pelo individualismo, fechando sempre mais as pessoas sobre si mesmas, a dimensão presencial nas universidades é fundamental para a formação humanística, social e integral dos jovens.                                                                            

Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J. – Reitor da PUC-Rio

       

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