Economia e sustentabilidade na cidade do Rio de Janeiro
10/05/2019 17:48
Juan Pablo Rey

Debate discute os problemas e urgências da cidade para se adequar às mudanças climáticas

O professor Sérgio Besserman e o decano do CCS professor Luiz Roberto Cunha comandaram o debate. Foto: Amanda Dutra

Economia e sustentabilidade na cidade do Rio de Janeiro foi o tema do primeiro debate da série Diálogos Interdisciplinares sobre Cidades, realizado no dia 8. O decano do Centro de Ciências Sociais (CCS), professor Luiz Roberto Cunha, e o professor Sérgio Besserman, do Departamento de Economia, ministraram a palestra, que foi uma iniciativa do Núcleo de Estudos e Projetos da Cidade (Central).

O decano iniciou o debate com um histórico da economia brasileira desde a década de 1960. Ele citou o período da ditadura, em que o governo lucrava com as altas inflações, o Plano Real, em 1994, que estabilizou a economia e deu fim aos 30 anos de indexação (reajustes de preços em condições inflacionárias), até os dias atuais. O decano criticou as altas cargas tributárias no país com baixo retorno para a população.

- Há outros países que têm uma mesma carga tributária nossa com um índice de desenvolvimento humano mais alto. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) está ligado basicamente à saúde, educação e qualidade de vida. Se você é um país como o Brasil, com uma carga tributária alta, mas o serviço de educação, saúde, qualidade de vida, transporte e outros são ruins, o Brasil cai em uma posição baixa na escala do IDH.

O decano mostrou com gráficos os últimos anos da economia brasileira. Foto: Amanda Dutra

 

Após a exposição do decano, o professor Sérgio Besserman introduziu o tema principal ao debate. Ele afirmou que, embora os problemas do Rio de Janeiro com as mudanças climáticas sejam enormes, grande parte dessas dificuldades são passíveis de resolução. Besserman ponderou que os maiores prejudicados com os futuros impactos serão as pessoas de baixa-renda.

- As mudanças climáticas têm muitos tipos de impactos graves, como elevação do nível do mar, aumento de secas, inundações. Cada lugar é impactado de alguma forma. Há centenas de milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza no planeta, e são os que estão em situação mais vulnerável, pois estão em lugares mais baratos. E frente a esses impactos, como seca de alimentos, por exemplo, são as pessoas que tem menos recursos para se defender deles.

O professor Sérgio Besserman falou sobre os problemas da mudança climática. Foto: Amanda Dutra

Besserman enfatizou que o ativo mais valioso do Rio de Janeiro não é o petróleo, e sim os ativos naturais, que são a principal marca da cidade. Para ele, o pré-sal é “petróleo caro” que não se deve apostar por muito tempo. O professor também criticou o baixo número de turistas que visitam o país, e citou o fato de Buenos Aires receber mais viajantes do que qualquer outra cidade brasileira.

- Se o planeta aquecer na média mais do que dois ou três graus Celsius, o que já é muito ruim, e é o que vai acontecer se continuarmos vivendo numa civilização de combustíveis fósseis e dos fósseis em geral, é perigoso demais. Além de ser um péssimo negócio do ponto de vista econômico, da pobreza, do bem-estar da população, muitas coisas podem acontecer que hoje não temos nem noção.

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