Repórter a favor da diferença
03/06/2019 09:57
Gustavo Magalhães

Em palestra, jornalista Flávia Oliveira comenta cobertura do jornalismo econômico e de pautas sobre a diversidade e análise das desigualdades existentes no país

Repórter Flávia Oliveira. Foto: Larissa Gomes

Vocação, desafios da profissão e o papel do jornalismo foram alguns dos temas que a jornalista da GloboNews Flávia Oliveira abordou em palestra para os alunos do curso de Comunicação no dia 24 de maio. Flávia formou-se em Jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF) e tem 27 anos de cobertura diária de jornalismo economia. Ela é também colunista do jornal O Globo e comentarista da Globo News, CBN News e da Rádio CBN. Mas quem vê este currículo, não imagina, segundo ela, que a escolha pela profissão não foi algo imediato.

– Eu caí no jornalismo meio que por acaso. Embora eu tivesse uma vocação, ela não estava clara. Eu pensava em fazer outros cursos. Mas foi uma amiga minha que me despertou para essa ideia do Jornalismo, ela me fez uma provocaçãozinha. Quando ela falou aquilo, abriu-se uma cortina diante dos meus olhos.  Eu devia mesmo ser jornalista. Eu já era uma potencial jornalista por escrever bem, consumir notícias, falar bem.

Filha de mãe solteira, de baixa renda e negra, Flavia diz que estas origens, de certa forma, ajudaram ela optar pelo tipo de jornalismo que faz, voltado para a diversidade e para análise das desigualdades existentes no país.

Repórter Flávia Oliveira. Foto: Larissa Gomes

– Talvez isso tenha me ajudado a desenvolver meu jornalismo nessa direção e tenha ajudado o jornalismo a aprender alguma coisa sobre diversidade, embora não tenha aprendido tudo. Ter algum diferente de outro eixo de vivência faz muita diferença para o meio. Acho que cada vez mais necessário. Tem uma riqueza incluída nisso.

A jornalista comentou sobre as transformações pelas quais o mercado de trabalho passa e afirmou que hoje não se há mais o monopólio da intermediação da informação para a sociedade. Para ela, as grandes empresas de jornalismo estão enfraquecidas e cada vez mais pedem espaço no mercado, em detrimento das novas formas de disseminar informação.

– Achar que um jovem que está entrando no mercado de trabalho hoje e que ele terá a mesma trajetória no sentido de estabilidade que eu e os jornalistas da minha geração é ilusão. O mercado mudou muito.

A jornalista também abordou como é conjugar ativismo e jornalismo, e as questões que a afetam como mulher negra na profissão.

– Não tem como ser ingênuo quando você toma partido. É importante se despir da dimensão da ingenuidade porque ela não vai te proteger. Tem gente que não é democrática. É preciso transitar com muita responsabilidade, quando você assume suas posições. Eu assumo meus riscos.

 

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