Novo contrato social
22/09/2020 17:09
Nathalie Hanna Georges

Palestra de abertura da Semana de Direitos Humanos trata da questão das desigualdades e da necessidade de um tratamento digno para o cidadão

 Terceira edição da Semana dos Direitos Humanos. 


Com reflexões sobre a dignidade humana e a desigualdade social no mundo, a Pastoral Universitária Anchieta iniciou, na segunda-feira, 21, a terceira edição da Semana de Direitos Humanos. A abertura on-line teve a participação do jornalista e assistente de informação pública do Centro de Informação das Nações Unidas Gustavo Barreto. do Coordenador da Pastoral Universitária Anchieta, padre José Abel de Souza, e foi mediado pela analista de Comunicação da Pastoral, Patrícia Gabrig.

 

Barreto frisou que é preciso expor as desigualdades primeiro para depois pensar em políticas públicas, mas sem esquecer da importância delas. Ele observou que a sociedade é desigual e lembrou que cerca de 70% da população mundial vivem em um cenário injusto. Segundo o assistente de informação pública, as Nações Unidas trabalham com esta temática para que o racismo e a discriminação presentes na rotina universal acabem. Para Barreto, o racismo é estrutural e institucional e, por consequência, as políticas públicas são criadas e estruturadas a partir dessa injustiça instaurada.

 

– A violência não é gerada pela pobreza e, sim, sobretudo, por conta da desigualdade. Existe o fato de haver dois países dentro de um, e isto está presente em diversos lugares, não só no Brasil. Estes aspectos estão associados à instabilidade econômica, à própria corrupção, às crises sucessivas financeiras, ao aumento da violência, como nós falamos, e até mesmo aos problemas de saúde, tanto física quanto mental. A desigualdade é contra o desenvolvimento humano e da sociedade.

 

O assistente de informação pública do Centro de Informação das Nações Unidas Gustavo Barreto.

 Um fator que o jornalista destacou é o descuidado com o retorno das falhas cometidas pela população. De acordo com ele, a ONU foi fundada em 1945 em  resposta aos ataques de soberania, às grandes guerras que tomaram a primeira metade do século XX e ao racismo estrutural.

 

 – Quando nós passamos 75 anos com qualquer fenômeno, a tendência da sociedade, se não há um resgate da memória, é esquecer. Portanto, retomar os mesmos erros, as mesmas falácias que existiam na época, cria a existência de uma raça superior e inferior. Não é difícil identificar este tipo de pensamento em algumas ações hoje, em 2020, quando vemos episódios de racismo nos espaços públicos e a discriminação ao acesso a emprego. Vivemos em um país que a cada 23 minutos uma pessoa negra é assassinada, e estes números são muito mais baixos para a população branca.

 

Além das questões raciais, a desigualdade também está presente no desenvolvimento infantojuvenil. Conforme os dados da ONU, mais de 50% dos jovens na faixa dos 20 anos estão no Ensino Superior nos países ricos e mais avançados. Já nos países com baixo crescimento, o número cai para 3%. Barreto afirmou que esta discrepância territorial afeta a evolução racional dos jovens e aumenta, cada vez mais, a escassez da educação juvenil.

 

– Os direitos humanos não são questão, de todo, ideológica. Porque, sem direitos humanos, praticamente ninguém na sociedade consegue avançar. O acesso universitário é muito restrito em países com baixo desenvolvimento. Um dos grandes temas que a ONU trabalha é o fato de jovens que vivem em locais com sistemas de saúde que não são adequados ou que não têm uma alimentação apropriada na escola. No futuro, eles terão uma capacidade reduzida de conseguir evoluir intelectualmente e até mesmo fisicamente.

 

Segundo ele, a ONU insiste que uma solução para o problema é a criação de um novo contrato social. Barreto apontou que este fator precisa ser multilateral e deixar implícito que a igualdade de gênero é boa para a sociedade. De acordo com o jornalista, é necessário estabelecer uma meta para incluir as minorias e formar uma sociedade com tratamento digno para todos.

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