20 anos da queda do Muro de Berlim
13/10/2009 13:20
Gustavo Lima/foto: Jorge Paulo

Encontro durante bienal relembrou muro que 'dividiu' o mundo

Rossano Pecoraro (com microfone), entre Oswaldo Muntreal ( esquerda),
Carlos Eduardo Martins e lvaro Caldas (extrema direita): reflexo
Um aqurio de reflexo no meio da Bienal Internacional do Livro. Assim definiu o cientista poltico Carlos Eduardo Martins o espao de paredes envidraadas do Caf Universitrio, onde foi realizada, no dia 13 de setembro, a mesa-redonda 1989-2009 20 anos da queda o Muro de Berlim, promovida pela Editora PUC-Rio e pelas Edies Loyola. O encontro foi a principal atrao organizada pela PUC-Rio na Bienal e reuniu, alm de Martins, o jornalista lvaro Caldas, o historiador Oswaldo Munteal e o filsofo Rossano Pecoraro.

lvaro Caldas, autor do livro Tirando o Capuz, em que relata sua experincia na militncia esquerdista durante o regime militar, iniciou a discusso valendo-se de versos do poeta Carlos Drummond de Andrade. “Tnhamos apenas duas mos e o sentimento do mundo”, recitou, acrescentando que os mesmos versos fizeram parte do discurso de Miguel Arraes quando de sua posse como governador de Pernambuco em 1962. Segundo Caldas, o verso escrito durante a Segunda Guerra Mundial ilustra bem o que significou a queda do muro para as “duas mos” esquerda e direita do pensamento poltico-ideolgico da segunda metade do sculo XX.

Tratando do contexto scio-econmico que a Alemanha viveu depois da reunificao, Carlos Eduardo Martins constatou que, com a queda do Muro de Berlim, novos “muros” se levantaram, como o do atraso econmico dos pases que viveram regimes socialistas, em especial a Alemanha Oriental, e o fenmeno da imigrao do leste europeu para a poro ocidental do continente. Do ponto de vista geopoltico e estratgico, o muro, erguido em 1961, representou, segundo Martins, uma diviso arbitrria do mundo; consequentemente, a queda do muro no marcou o fim do iderio socialista, que tende a se renovar no sculo XXI. “As grandes revolues socialistas, como a cubana, a chinesa, escaparam completamente desse muro, que foi uma questo estatal, burocrtica”, explicou.

J Oswaldo Munteal criticou a interpretao acadmica e miditica do que significou o acontecimento. “Caiu o muro, mas no caiu a mscara”, disparou Munteal, de todos o mais enftico e incisivo. Ele se referia ao liberalismo que tomou conta do cenrio poltico e econmico mundial depois da queda do muro. Segundo o historiador, esse “liberalismo” no passa de um engodo da poltica conservadora americana, selada no Consenso de Washington, encontro que definiu as diretrizes para que as naes “no-alinhadas” entrassem para o clube dos pases desenvolvidos. “Houve uma tentativa de explicar a Histria a partir das revolues liberais, descartando a dinmica da contra-revoluo de 89”, disse, referindo-se “falsa liberdade” trazida pela prosperidade econmica e a globalizao.

Rossano Pecoraro, citando A Colnia Penal, de Franz Kafka, endossou a opinio de Munteal. “No h um instante sequer em que o indivduo no seja controlado”, afirmou, acrescentando que 89 “no nem deve ser entendido como a continuao do esprito libertrio de 68”, ano marcado pela mobilizao contra regimes autoritrios.

Edio 222

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