O padre Leonel Franca: presença múltipla na PUC-Rio
02/05/2012 15:10
Eduardo Gonçalves / Foto: Antônio Albuquerque

Coluna do Núcleo de Memória da PUC-Rio

A avenida Padre Leonel Franca é hoje o principal acesso ao campus da PUC-Rio

 

Crônicas de Memória | Um mapa da memória da PUC-Rio – Parte III

 

Ao caminharmos no bosque do campus, somos surpreendidos por uma construção que compartilha o espaço com a exuberante mata e o rio Rainha, localizada ao lado do IAG. O edifício inaugurado no dia 16 de março de 1973 foi feito para residência dos padres jesuítas e de professores visitantes. A construção remete a uma personalidade fundamental para a instituição, um homem que sabia combinar discrição e ação.

 

Gaúcho da cidade de São Gabriel, o pe. Leonel Edgar da Silveira Franca, S.J., obteve o título de Doutor em Filosofia e em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma em 1924.

 

Em 1931, o pe. Franca foi nomeado para o Conselho Nacional de Educação. Designado pelo Cardeal Dom Sebastião Leme, ele e um grupo de intelectuais católicos, entre os quais o professor Alceu Amoroso Lima, se empenharam na tarefa de planejar e fundar as Faculdades Católicas.

 

Em sua extensa rede de correspondência e contatos, encontra-se uma carta manuscrita enviada ao ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, na qual solicita a autorização para o funcionamento dos cursos da Faculdade de Direito e da Faculdade de Filosofia, concedida em 1940.  Em 1941, na presença de Dom Sebastião Leme e do ministro Gustavo Capanema, os cursos foram oficialmente instalados no Palacete Joppert, em Botafogo, e o pe. Franca foi nomeado o primeiro reitor das Faculdades Católicas.

 

Mapear e identificar os espaços que prestam homenagem ao primeiro reitor da PUC-Rio é fazer um trajeto pela sua história e pelos traços da sua atuação nos anos fundadores. Em 1942, o pe. Franca foi homenageado com um medalhão em bronze. Em 1973, no 25º aniversário de sua morte, o medalhão foi transferido para o campus da Gávea, espaço que concretizou o seu sonho de construção de uma sede definitiva para a Universidade Católica.

 

O pe. Franca empresta o seu nome, desde 1983, à fundação responsável pela gestão de projetos e programas de ação da Universidade. Nos anos 2000, os andares que ainda serviam de moradia aos padres e professores visitantes passaram a abrigar a Fundação Padre Leonel Franca e o prédio ganhou o nome do primeiro reitor da PUC-Rio. A placa de identificação instalada na entrada do edifício é um dos registros no campus que documentam sua importância para a Universidade.

 

Em 1951, no lançamento da pedra fundamental do novo campus na Gávea, a avenida que conduz a uma das entradas da PUC-Rio passou a se chamar Padre Leonel Franca. A palavra avenida, do latim advenire que significa vir, chegar, remete ao árduo caminho trilhado nos anos fundadores que agora se abre para a perspectiva de uma universidade na qual o ensino, a pesquisa, a extensão e o

compromisso social caminham lado a lado na história e na memória da PUC-Rio.

 

 

Eduardo Gonçalves

Pesquisador do Núcleo de Memória da PUC-Rio

 

Edição 254

 

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