Padre Josafá: começar com esperança, reflexão, resiliência e austeridade
31/03/2017 17:40
Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J.

O Reitor padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J., explica como as crises econômica e política do país repercutem na vida acadêmica. Sergundo ele, é preciso três fatores fundamentais para saber lidar com essa situação: reflexão e solução, resiliência e realismo.

Ilustração: Beatriz Meireles

Estamos iniciando mais um ano de atividades acadêmicas e culturais em nossa Universidade, mantendo os nossos princípios e ideais de nos empenharmos com determinação e sabedoria em buscar uma formação universitária que nos capacite para o exercício da profissão e, ao mesmo tempo, nos proporcione uma visão mais humanística e sistêmica do mundo em que vivemos.

As crises política e econômica em nosso país, e, no nosso Estado, repercutem no meio acadêmico, exigindo de todos nós três coisas fundamentais. A primeira, uma ampliação de nossa capacidade de refletir e apresentar soluções para os impasses na sociedade, com a consciência de que estamos vivendo contextos mundiais complexos, onde os nacionalismos colocam barreiras para a solidariedade entre os povos, com indícios de exclusão daqueles que buscam oportunidades e uma qualidade de vida melhor para as suas famílias. A segunda refere-se à resiliência, ou seja, como buscar soluções inovadoras e inteligentes para sobreviver num contexto de crise econômica, onde os recursos que dispomos são escassos, e a margem de manobra em que dispomos na Universidade está no limite da sustentabilidade institucional. A queda do poder aquisitivo da sociedade, a diminuição dos recursos nos projetos de pesquisa, e a pressão por bolsas de estudo, são fatos que tem um impacto em nossas Universidades comunitárias, como é o caso da PUC-Rio. A este propósito, teremos neste ano de 2017 de manter um estado permanente de vigilância com algumas propostas de reformas que estão sendo discutidas no Congresso Nacional, sobretudo no que tange aos direitos legais de imunidade às instituições comunitárias sem fins lucrativos. Uma mudança nas atuais regras, sem um debate maior na sociedade, e um estudo particular de cada Universidade, poderá repercutir negativamente nas ações filantrópicas que praticamos, em particular na política de bolsas que favorecem os jovens mais pobres. A terceira, um certo realismo com o contexto local do nosso Estado do Rio de Janeiro, que atravessa uma grave crise econômica, e comprometendo algumas conquistas particularmente nas áreas da ciência e tecnologia, colocando em situação difícil as Universidades Estaduais e as Fundações que amparam e apoiam as pesquisas. Já expressamos publicamente nos meios de comunicação a solidariedade da PUC-Rio com estas Instituições. Diante desta crise temos que manter certo espírito de austeridade, evitando gastos desnecessários, sem abrirmos mão da excelência no ensino e no nosso compromisso com uma educação inclusiva e de qualidade, pois isto é uma marca do nosso modo de ser, enquanto Universidade Católica.

Dando as boas-vindas, tanto aos calouros que iniciam como aos veteranos que retornam às atividades acadêmicas e culturais da PUC-Rio, gostaríamos que todos pudessem começar o ano letivo com o sentimento de esperança, pois esta virtude é fundamental para superar o pessimismo diante da perplexidade do contexto em que vivemos, onde às vezes é difícil perceber-se soluções imediatas a curto prazo. No entanto, enquanto casa do saber construída historicamente em valores humanísticos e cristãos, a PUC-Rio mantém a chama da esperança para superar as barreiras e quebrar os muros que impedem as divisões, os sectarismos, as exclusões, e a convivência fraterna com as diferenças.

Que Deus nos encha de coragem e esperança para enfrentarmos solidariamente mais um ano de desafio, contando com a colaboração de todos nesta missão comum.

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