Da Universidade ao mercado de trabalho: por onde começar?
28/08/2017 18:18
Camila Gouvea

A headhunter e engenheira Alessandra Simões orientou alunos sobre como aumentar a capacidade de entrar no mercado de trabalho no cenário atual, durante a Semana Integrada de Engenharia (SIEng). 

O que mais preocupa os estudantes, principalmente aqueles que estão prestes a se formar, é o que vem em seguida: o mercado de trabalho. A maioria se sente confuso e carrega muitas dúvidas sobre por onde e como começar. Não foi à toa que o auditório do RDC reuniu, na última terça feira, mais de 150 alunos para assistir à palestra coordenada pela engenheira civil e headhunter Alessandra Simões, sócia fundadora da Uphill, empresa de consultoria empresarial, sobre como aumentar a capacidade dos estudantes de entrar no mercado de trabalho no momento atual.

Foto: Matheus Aguiar

Muitos passos devem ser dados antes do momento de se candidatar a uma vaga. Na palestra Como aumentar suas chances no mercado de trabalho, parte da Semana Integrada de Engenharia (SIEng), Alessandra destacou que é essencial que o estudante otimize seu tempo e use-o ao seu favor, realizando atividades que enriqueçam o conhecimento e investindo na vida profissional. Segundo a headhunter, não necessariamente é preciso estagiar para conseguir um futuro emprego; é possível comprovar produtividade com outras experiências:

– Você pode fazer coisas que não necessariamente desenvolvam as competências importantes hoje em dia para os recrutadores, ou você pode investir na sua vida profissional. Não necessariamente é preciso ter experiência profissional para colocar no currículo de primeira, mas é importante ter boas histórias para contar. Se seu concorrente participou de intercâmbio, foi bolsista do CNPq, deu aula na Rocinha, participou de movimento de empresa júnior, e você só foi para a praia pegar onda, você está em desvantagem.

Alessandra Simões. (Foto: Matheus Aguiar)

A necessidade do indivíduo de se reinventar constantemente é cada vez mais evidente devido ao bombardeio de informação e ao desenvolvimento de tecnologias. Esse novo cenário pode ser visto como uma maior cobrança, mas também uma boa oportunidade. Como é necessário conhecer novas tecnologias, há sempre a chance de recomeçar e se colocar melhor diante de alguma situação.

– O profissional morre no dia que ele disser “Já sei tudo o que tinha que saber”. Estudem como se fossem viver eternamente, e estudar significa isso: jornal, revista, congressos, porque a competitividade passou a ser uma linha bem oscilante – pontuou Alessandra.

Menos vagas, mais informação

Com o mercado em momento de consolidação, com muitas empresas comprando outras para crescer verticalmente, o número de postos de trabalho está diminuindo. Por isso, Alessandra apontou a importância de entender o mercado, e assim, conseguir identificar as boas oportunidades. Ela aconselhou:

– Parem de ler apenas o caderno de esportes do jornal e leiam a parte de economia e política, para justamente começar a entender os principais movimentos que estão acontecendo no mercado e como se posicionar frente a eles. É muito importante entender a dinâmica do setor, conhecer produtos e subprodutos da cadeia e entender o tamanho do mercado.

Em um ambiente mais competitivo, a headhunter aconselhou resiliência aos candidatos: “Essa história de desistir na hora de fazer algo difícil não pega mais. Não vai ser fácil, e o gestor precisa de alguém em quem confiar. Se ele compartilhou com você aquela responsabilidade, é partir para cima e cumprir”.

Outro conselho que Alessandra deu aos alunos foi manter a calma e traçar sua rota profissional com paciência e dedicação:

– No lugar de vocês, como estudante, eu me via completamente perdida. Todos os meus amigos sabiam para onde queriam ir, a carreira já desenhada, e eu ainda sem saber por onde começar. A boa notícia é que, na fase em que vocês estão, a escolha que fizerem agora pelo primeiro estágio ou primeiro emprego não é uma decisão definitiva. Colocamos uma pressão muito grande em cima do primeiro emprego, como se fôssemos ficar lá o resto da vida. Mas no meio do caminho é possível acertar a rota.

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