Reitor: Seminários internacionais e cenários desafiantes
06/10/2017 14:45
Pe. Josafá Carlos de Siqueira, S.J.

A vida acadêmica tem a missão de promover o debate de questões vividas pelas sociedade

No mês de setembro tivemos na PUC-Rio dois seminários internacionais, um organizado pelo Decanato do CTCH, e outro pelo Departamento de Ciências Sociais, com apoio do Decanato do CCS. Embora com temáticas distintas, ambos discutiram questões relacionadas com a sociedade e a Universidade, mostrando que a vida acadêmica tem como missão debater e propor soluções inteligentes e profundas para os problemas vividos no dia a dia da sociedade.

No seminário do CTCH, cuja temática versou sobre o mapeamento das dinâmicas das humanidades no Brasil, vejo isso como extremamente relevante para uma Universidade Católica, pois as Ciências Humanas têm um lugar central no processo de humanização. O contexto em que vivemos, onde alguns valores e princípios éticos estão sendo banalizados, esvaziando a dimensão plural da liberdade humana, e acentuando o individualismo que leva o ser humano a assumir posturas insensíveis diante os dramas da sociedade, é fundamental que as ciências que lidam mais diretamente com as questões humanas assumam maior protagonismo. A dessubstanciação do ser humano tem sérias consequências na relação da pessoa consigo mesma, com a sociedade e com a dimensão transcendente da existência. Este mapeamento permitirá não apenas reforçar o papel das ciências humanas nas Universidades, mas também incentivar os laços acadêmicos das humanidades com outras Instituições de ensino, procurando aprofundar em temáticas relacionadas com o processo de humanização.

No seminário das Ciências Sociais do CCS, as questões relacionadas com a diversidade e a desigualdade foram abordadas como desafios, que hoje são vividos na Universidade e na sociedade. Embora complexas, estas temáticas devem ser debatidas e discutidas, pois existem avanços que ajudam a amadurecer a democracia nas diversas formas de conquistas da sociedade, como também o perigo de retrocessos nas políticas públicas, refletindo nos indicadores que medem a desigualdade no país. Mesmo vivendo em tempos difíceis, não podemos deixar de refletir, aprofundar e buscar soluções inteligentes para os impasses e contradições que compartilhamos no cotidiano de nossas cidades. A Universidade é o espaço para estas discussões abertas, pois não podemos ignorar os problemas da diversidade na sociedade nacional e internacional, e nem tão pouco deixarmos de nos indignar com a chaga da desigualdade que nos entristece. Na Encíclica Laudato Si’ o Papa Francisco nos alerta para o perigo da cultura da indiferença e do descarte social e ambiental, pois nela encontramos o desrespeito pela diversidade, o aumento da desigualdade, e o esvaziamento dos valores e direitos mais fundamentais do ser humano e as suas múltiplas relações antropológicas, teológicas e ecológicas.

Peço a Deus que as reflexões destes dois seminários internacionais possam nos ajudar no aprofundamento destas questões tão candentes em nossa sociedade, sobretudo num país como o nosso, que experimenta dia a dia sucessivas crises e turbulências. Temos a esperança que estas crises possam nos ajudar a superar os contrastes e as contradições, abrindo-nos para perspectivas futuras mais promissoras.

Pe. Josafá Carlos de Siqueira, S.J. - Reitor da PUC-Rio 

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