A influência do Documento de Aparecida nas ações pastorais no Rio
06/10/2017 17:21
Karen Krieger

Uma das palestras do Simpósio de Teologia destacou também a importância do diálogo inter-religioso

A experiência de Aparecida vai muito além do documento e deverá ser aprofundada. O documento tem algo especial, pois surge de um questionamento sobre as mudanças da época. A afirmação é do Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist., que proferiu a palestra O Documento de Aparecida e a Igreja do Rio de Janeiro na quinta-feira, 5, no encerramento do Simpósio de Teologia da PUC-Rio. A mesa foi mediada pelo bispo auxiliar do Rio e professor do Departamento de Teologia, Dom Joel Portella Amado.

Dom Orani João Tempestra, O. Cist e Dom Joel Portella Amado. Foto: Matheus Aguiar

Dom Orani ressaltou a inclusão do Documento de Aparecida nos planos pastorais da Igreja do Rio de Janeiro e as modificações implantadas a partir dele. Ele também relembrou a formulação do documento, considerado um verdadeiro desafio. Segundo Dom Orani, as pastorais do Rio de Janeiro intensificaram o trabalho com questões sociais – como o acolhimento de imigrantes – e a ampliação da missão da Igreja, alcançando mais locais, como a Cracolândia e áreas com alto índice de violência.

- Há muitas maneiras de ver a realidade, pela sociologia, pela antropologia ou mesmo com um olhar humano. Mas pode-se também ter uma ótica de Cristo.

Dom Orani expressou a importância da Igreja para repensar a situação da América Latina e do mundo. O Cardeal também realçou o valor da instituição da família na formação da comunidade cristã e da própria humanidade. Dom Orani fez ainda um pedido de amor coletivo: em tempos de polarização política, ele reza por mais unidade entre as pessoas.

- Somos todos irmãos e devemos amar uns aos outros, relevando a polarização atual.

Encerramento
A cerimônia foi em clima de agradecimento. Estavam presentes, além do Cardeal Dom Orani e de Dom Joel, o Reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J, e o coordenador do Departamento de Teologia, professor Leonardo Agostini Fernandes. No encerramento, Dom Joel afirmou que a apropriação do documento nas Igrejas do continente americano ajuda a pensar sobre os desafios da educação.

- Deve-se lembrar o que foi, o que é e o que será a Conferência de Aparecida, e da importância de uma teologia que dialoga com outros departamentos e universidades.

Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J, Dom Orani João Tempesta, O. Cist, Dom Joel Portella Amado e padre Leonardo Agostini Fernandes. Foto: Matheus Aguiar

Dom Orani frisou que a memória da Conferência e do Documento de Aparecida impulsiona a sociedade para frente. O Reitor agradeceu ao Departamento de Teologia da PUC-Rio e aos palestrantes pelo empenho. Segundo ele, o simpósio foi marcante no protagonismo da Igreja do Rio de Janeiro, que trouxe o Documento de Aparecida aos nossos dias. Para o Reitor, o encontro auxiliou a difundir a mensagem do Documento e a torná-lo mais acessível. Já padre Agostini ressaltou que, com o simpósio, aumentou-se a proximidade entre o Departamento de Teologia e a Arquidiocese.

- A gente conheceu melhor o Documento de Aparecida. Ele é uma mina de ouro que ainda deve ser explorada.

Ecumenismo como objetivo dos cristãos
Diálogo Ecumênico e Inter-religioso a partir do Documento de Aparecida foi o tema da conferência realizada na quarta-feira, 4, no VIII Simpósio de Teologia da PUC-Rio. O bispo de Barra do Piraí/Volta Redonda, Dom Francisco Biasin, exaltou a necessidade de diálogo da Igreja Católica com as outras instituições religiosas. A palestra foi mediada pela professora Maria Teresa de Freitas Cardoso, do Departamento de Teologia da PUC-Rio.

- O caminho do ecumenismo e do diálogo inter-religioso é o único caminho para o futuro.

Dom Francisco Biasin. Foto: Matheus Aguiar

Segundo Dom Biasin, o DNA da Igreja é a pluralidade. Em homenagem ao dia de São Francisco de Assis, celebrado em 4 de outubro, ele destacou a história do santo, que desde os primórdios da Igreja procurava um diálogo inter-religioso. Dom Biasin disse que São Francisco absorveu características de outras religiões, como, por exemplo, os horários de oração do islã.

- São Francisco, com seu jeito simples e singelo, acolheu aspectos positivos dos outros caminhos religiosos para a tradição cristã.

Dom Biasin ressaltou que a Conferência de Aparecida foi um encontro extraordinário. Segundo ele, a Igreja deve participar desse mundo globalizado ao se inserir dentro da pluralidade religiosa. O Documento idealiza uma realidade de comunhão entre todos.

- O Documento de Aparecida propõe um enriquecimento recíproco em relação às outras religiões.

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