Espaço para unir técnica e valores
17/11/2017 14:23
Natália Oliveira

Escola Médica de Pós-Graduação inaugura nova unidade na Casa de Medicina na Gávea. O Lugar é destinado para cursos, pesquisas e consultas a preço acessível

Única na América Latina, a mesa digital é para estudos de anatomia. Foto: Matheus Aguiar
Com a inauguração da nova  unidade da Casa de Medicina, no alto da Gávea, a Escola de Pós-Graduação da Universidade amplia as possibilidades de atuação. O novo espaço, de 900 m2, oferece dois auditórios – um com 120 lugares e outro com 60 – , ligados por áudio e vídeo. As novas instalações vão ainda abrigar os equipamentos anteriormente instalados na casa ao lado, que deve receber os futuros projetos de ultrassonografia da Escola Médica. Cursos e palestras serão realizados no espaço, que também funcionará como centro para as pesquisas da área de tecnologia e saúde.
O Reitor, padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J., define a Casa de Medicina como um espaço interdisciplinar, já que foi necessária a ajuda de outros departamentos da Universidade, como os de Design e Informática, para desenvolver os projetos da Escola.
– A casa tem uma direção simbólica de agregação de saberes, de união de pessoas, que podem realizar projetos em sociedade. Esse lugar tem a dimensão de formação integral que a Companhia de Jesus tem enfatizado muito para formar o ser humano, não só na parte técnica, mas na sua integralidade com foco nas dimensões humanas – ressalta.  
​A tecnologia é chave para o progresso das pesquisas dentro da Escola Médica. Com 43 cursos, a instituição é equipada com uma mesa de anatomia digital – a única na América Latina –, óculos de realidade virtual e laboratórios montados com instrumentos para estudo. Segundo o Decano do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), professor Hilton Augusto Koch, os laboratórios servem não só para impulsionar as discussões de projetos e pesquisas, mas para formar novos médicos.
– As salas são destinadas para projetos e pesquisas e, para isso, a casa foi reformada. Creio que a maior finalidade é formar jovens médicos como a PUC forma engenheiros, comunicadores e outros profissionais. A casa é a estrutura que precisávamos para termos esses alunos – diz.
Segundo o aluno do Departamento de Design Gerson Ribeiro, 29 anos, a tecnologia da Casa, somada aos aparelhos de impressão em 3D de Design, possibilitou a retirada de um tumor de um bebê.
– A partir de um ultrassom, o médico viu que o bebê tinha um tumor na garganta. Para estudar melhor a cirurgia, nós imprimimos o exame na forma tridimensional para que o médico soubesse como faria o procedimento cirúrgico. Ele já sabia o local do corte antes do nascimento do feto. Aos noves meses de gestação, o bebê passou pela cirurgia e, hoje, vive sem sequelas.
Para realizar as pesquisas e colocar em prática os estudos, foi construído o ambulatório que atende a população ao redor da Universidade. Ele oferece consultas em 20 áreas diferentes da medicina. Os serviços custam R$ 60, funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. O atendimento é feito por ordem de chegada e cada área tem dia e horário fixos. Segundo o coordenador do ambulatório e do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu, professor Dirceu Bellizzi, o ambulatório oferece oportunidade à população que sofre com a falta de atendimento médico.
– Eu posso trabalhar um lado mais humanitário da medicina no ambulatório. Atendemos 946 pacientes por mês com apenas quatro salas e duas secretárias. Para mim, o mínimo de investimento é fundamental para que o médico trabalhe com gosto, satisfação e faça um bem social. O ambulatório é um exemplo disso, e a PUC dá condições para os médicos prestarem um bom serviço – afirma.
O ambulatório da Casa de Medicina funciona de segunda a sexta-feira, e o valor das consultas é de R$ 60. Foto: Matheus Aguiar
A dificuldade em ser atendida em hospitais públicos fez com que Lidiane Fernanda da Silva, 36 anos, moradora da Rocinha, buscasse atendimento no ambulatório para os dois filhos. Giovana da Silva Guedes, 11 anos, sente dores nos joelhos, e o irmão, Alexandre Guedes, 14 anos, apresenta má postura e sente dores nos pés.
– Eu busquei atendimento na rede pública para os meus filhos, mas é praticamente impossível. Eu soube desse ambulatório por uma conhecida e decidi tentar, porque o preço é baixo e falam bem do serviço.
O preço é um fator determinante para os pacientes e não foi diferente para Otávio Henrique Deguer, 59 anos, morador de Olaria. Durante o trabalho, Deguer bateu a mão em um painel de gerador, o que causou a formação de um cisto no punho direito. Após uma primeira consulta para diagnosticar o problema, ele retornou uma outra vez para retirar o líquido que estava dentro do cisto.
Morador de Laranjeiras, Armando Júnior, 47 anos, marcou uma primeira consulta para tentar resolver um problema ortopédico. Ao tomar conhecimento do trabalho e do preço da consulta, decidiu experimentar. 
– Minha expectativa é a melhor possível. Além do preço, o serviço tem o nome da PUC por trás. Tudo o que é relacionado à Universidade, eu creio, é de boa qualidade.
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