Quando o lazer vira profissão
17/11/2017 15:23
Julia Carvalho

União entre design e engenharia conquista espaço no mercado de games

Equipe RPG-Rio PUC Games, que completou dois anos de formação, desenvolve jogos interdisciplinares. Foto: Matheus Aguiar

Ao contrário da atual situação econômica do Brasil, o mercado de video games cresce a cada ano. De acordo com uma pesquisa feita pela PWC, só no país, essa indústria movimentou US$ 644 milhões em 2016 e o esperado é que esse valor chegue a US$ 1,4 bilhões em 2021. Apaixonados por games e com poucas opções no mercado, alunos de Design e de algumas Engenharias decidiram se unir para criar uma equipe de desenvolvimento de jogos, a RPG-Rio PUC Games. O grupo faz jogos digitais e analógicos com o objetivo de proporcionar uma experiência prática em desenvolvimento de jogos interdisciplinares dentro da Universidade.

A equipe completou dois anos e contabiliza mais de 20 jogos produzidos. Além de projetos comerciais, ela busca também criar modelos que mostrem o papel social e de intervenção do vídeo game. Estudante de Design em Mídia Digital e diretor executivo da RPG, Yann Lemos afirma que os games estão presos em um ciclo de entretenimento. Por isso, fazer produtos que ajudem na reabilitação cognitiva e que trabalhem com a educação é uma forma de olhar para os videos games e pensar que eles não são feitos apenas para divertir, mas também para promover a interação.

– Queremos fazer tudo isso porque acreditamos que os jogos são uma das maiores revoluções da história da humanidade. Precisamos olhar para eles como agentes de mudança, como uma mídia que pode exercer um papel incrível na vida do ser humano. Por isso que ver alguém jogando um game nosso é um momento infinito, porque existem tantas nuances, tantas coisas podem acontecer com pessoas diferentes jogando, que as possibilidades, literalmente, não têm fim. Ele já mudou nossas vidas só de estarmos nos divertindo, imagina quando, então, exploramos esse outro potencial.

Yann acredita que ter uma equipe assim na Universidade é importante, pois é um complemento para a parte acadêmica. Ele diz que, dessa forma, os alunos aprendem na prática por onde começar quando querem produzir um jogo.
– Quanto mais jogos você faz, quanto mais jogos você termina e melhor eles ficam.

Professor do Departamento de Artes & Design e um dos mentores da RPG, Leonardo Cardarelli conta que a equipe de games da PUC-Rio é formada por pessoas que viram a diferença entre jogar e desenvolver. Ele também destaca que o trabalho interdisciplinar e o modelo de ensino feito são importantes, porque eles oferecem à Universidade a possibilidade de oxigenar a própria maneira como ela vê o ensino e como os alunos aprendem.

– Grupos em que você tem participantes motivados, independentes, com uma metodologia baseada na realização de projetos e que vêem no professor uma figura de guia e não de um passador de informação, é muito importante para o ensino hoje. Ele representa justamente como uma instituição de ensino deveria tratar os seus alunos, de maneira que eles tenham a liberdade para construir seus próprios caminhos e contribuir para a Universidade, não só receber, mas devolver e produzir.

Segundo o produtor Rafael Bastos, da Dumativa, o Brasil é o 4º maior mercado consumidor de games no mundo, com um faturamento que cresceu expressivamente nos últimos dois anos. Integrante do Coletivo de Desenvolvedores de Jogos do Rio de Janeiro (RING), Bastos afirma que os desenvolvedores ainda estão aprendendo como consolidar os pilares da indústria brasileira.

– Empreender no vídeo game é interessante, porque a matéria-prima é ter uma ideia.

Bastos explica que ter diversas instituições envolvidas é importante para atrair o capital privado e consolidar a base do mercado desenvolvedor. Segundo ele, nos últimos dois anos, a rede de investidores se fortaleceu e fez com que se começasse a pensar em uma indústria capaz de movimentar o Produto Interno Bruto (PIB).

Para ajudar essa indústria a crescer, a equipe abriu recentemente o RPG Studio, em parceria com o Instituto Tecgraf-PUC-Rio e com o Instituto Gênesis. De acordo Yann, a equipe tem gerado muito conhecimento técnico, porém, faltava a parte empresarial. Ele pontua que o objetivo do Studio é ajudar as pessoas que saem da faculdade, mas não querem empreender.

– Ao invés de só colocarmos a galera no mercado ou para empreender, vamos criar um estúdio. Queremos que seja uma empresa grande e bem-sucedida no Rio de Janeiro, que possa captar os desenvolvedores e criar uma zona em que as pessoas que se formaram possam ficar, já que empreender não é para todo mundo.

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