A arte do presépio
14/12/2017 12:57
Paula Ferro

Em palestra do projeto Natividades Arte e Cultura, padre José Maria Fernandes relembra as origens dessa arte

O presépio é um elemento tradicional das decorações natalina e representa o nascimento de Cristo. Os documentos mais antigos datam o surgimento no século III, em uma pintura na Catacumba de Priscila, em Roma. Grande colecionador de presépios, o diretor do Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio, padre José Maria Fernandes, S.J., abordou o surgimento dessa arte em palestra do projeto Natividade Arte e Cultura, nos pilotis da Ala Kennedy, na quarta-feira, 13.

Padre José Maria Fernandes lembra as origens do presépio Foto: Fernanda Maia

Segundo ele, na pintura mais antiga que se conhece, Cristo está virado para Maria, que tem ao seu lado o profeta Zacarias, todos embaixo de uma estrela de oito pontas. Padre Fernandes afirmou que, a partir dessa representação, a estrela passou a significar Cristo e a ser associada ao Natal ao redor do mundo. Também foram encontradas representações da natividade em sarcófagos romanos, datadas do século IV. A prática usual entre as famílias nobres da época era contratar artistas para esculpirem as imagens sagradas. Para o sacerdote, foi nesse momento que a representação divina se banalizou e os festejos de Natal começaram a perder o significado.

Entretanto, após o Concílio de Éfeso, no ano 431, ficou estabelecido o culto à Maria como mãe de Deus. Para padre Fernandes, a primeira representação da gruta de Belém no Ocidente foi encomendada pelo Papa Nicolau IV. O artista Arnolfo di Cambio foi o primeiro a esculpir, em tamanho real, todos os personagens da natividade de Cristo, o que marcou oficialmente o surgimento do presépio. A representação napolitana, que mostra a vila de Belém e o campo de pastores, virou uma febre e fonte de competição entre as famílias nobres.

Exposição de presépios 2017

Padre Fernandes explicou que São Francisco de Assis contribuiu para a popularização da arte entre a população mais humilde. Ele montou um presépio em tamanho natural em uma gruta, na cidade de Assis, e divulgou nos meios populares. A difusão da arte também contou com a ajuda dos missionários jesuítas, que a levaram para o mundo inteiro. No Brasil, por exemplo, o primeiro presépio foi montado em São Paulo por São José de Anchieta.

Com uma coleção que ultrapassa a marca de 500 presépios, padre Fernandes acumula peças de diferentes países e materiais. No acervo particular há, inclusive, representações da natividade a partir da ótica de outras religiões. Para ele, o que impressiona é a falta de limites para a criatividade dos artistas e as características culturais que cada peça tem.

— São imagens feitas de arame, de papel, de sementes, de pedra. O que me interessou nessa coleção é ver como essa criatividade não se esgota. A cada ano aparece algo novo. E cada presépio traz uma característica de uma cultura e um tempo. Isso motivou minha coleção e, quando percebi, já tinha mais de 500.

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