Proteção para os refugiados
26/02/2018 10:07
Julia Carvalho

PUC-Rio está em fase de formalização para se tornar a 19° Universidade a integrar a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, que trata do tema do refúgio com outras instituições e ornanizações brasileiras e internacionais

A Cátedra Sérgio Vieira de Mello é uma iniciativa que surgiu no Brasil com o objetivo de transformar as Universidades em um espaço de pensamento sobre a promoção e proteção dos direitos das populações refugiadas. O projeto é integrado pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) e por 18 centros universitários nacionais. A PUC-Rio terá o convênio assinado com a Cátedra, para se tornar a 19° Universidade do projeto, ainda neste semestre.

 

Refugiados haitianos buscam aprender português ao chegar no Brasil Foto: Maurilio Cheli / SMCS

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio (IRI), Carolina Moulin, afirma que a entrada no projeto foi um processo natural por conta da linha de pensamento da Universidade. De acordo com Carolina, a PUC inspira vocação para o tema, por ter uma série de iniciativas, como pesquisas e publicações científicas de diferentes departamentos, vinculadas à temática do deslocamento forçado de pessoas.

 

Ela diz que fazer parte da Cátedra é a realização de um sonho. Carolina sempre viveu muito próximo do tema do refúgio por que os pais eles são de famílias de imigrantes. Por isso, diz, é um prazer poder disseminar a relevância do assunto para alunos e colegas de profissão. A professora afirma que a Cátedra produz e reforça dois pontos na Universidade, a sensibilidade humanista combinada à  pesquisa e formação acadêmica de qualidade e a consolidação das estratégias interdisciplinares que, segundo Carolina, fortalece o espaço de reflexão crítica e progressista. 

 

– Desde que me entendo por gente, o tema do refúgio e da imigração define um pouco o meu lugar no mundo. Não só porque a minha trajetória familiar é uma trajetória imigrante, mas também porque desde muito cedo trabalhei na Cáritas e tive uma proximidade pessoal com esse tema, que sempre me foi muito caro. Então, para mim é um prazer poder disseminar a relevância desse tema.

 

De acordo com Carolina, o projeto foi criado em meados do ano 2000, algumas Universidades e a PUC chegaram a assinar um convênio na primeira fase, que ainda não tinha o nome de Cátedra. Segundo ela, era algo mais solto com relação à importância das Universidades estudarem o tema do refúgio. A partir de 2003, o Acnur passa a implementar a Cátedra com as Universidades. A iniciativa leva o nome de Sérgio Vieira de Mello, como uma forma de homenagear o brasileiro que dedicou 34 anos à carreira profissional nas Nações Unidas, como funcionário do Acnur, ao trabalho com refugiados. Ele morreu em um atentado à bomba na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) no Iraque há 15 anos.

 

Para se tornar a 19° Universidade da Cátedra, a PUC-Rio teve como primeiro passo criar uma comunidade de alunos, pesquisadores e professores que tivessem interesse em começar o processo de construção institucional para consolidar essa trajetória fragmentada nas diversas atividades que a Universidade produz. Carolina pondera que 2017 foi um ano de consolidação do núcleo sobre o tema do refúgio na Universidade, que, de acordo com ela, agora deve ser ampliado.

 

A professora conta que um dos esforços do projeto piloto para a implementação da Cátedra Sérgio Vieira de Mello foi a criação da disciplina conjunta sobre o tema na graduação. A matéria Refúgio e Populações Refugiadas juntou cinco departamentos da Universidade e tem como objetivo responder perguntas como o que é o refúgio e quem são e onde estão os refugiados hoje. Como ela afirma, no primeiro ano houve mais de 70 alunos matriculados, com dez professores dos diferentes departamentos. No segundo semestre de 2018, a matéria será oferecida como uma das optativas do IRI.

 

— A disciplina tem sido muito interessante porque, de um lado, temos docentes que olham esse problema a partir de diferentes lugares. O que nos dá uma visão mais completa e complexa das questões que o refúgio evoca com relação à fronteira, aos direitos humanos e a outros vários temas que são caros a diferentes áreas das ciências sociais, humanas e das humanidades como um todo. Mas também para os alunos porque, um dos esforços da disciplina foi, justamente, tentar fazer com que eles trabalhassem interdisciplinarmente. Então, eles se organizam em grupos, formados por alunos de diferentes departamentos, para um processo mais coletivo de construção.

 

A Cátedra, hoje, não produz apenas pesquisa, mas também oferece serviço e política de acolhimento. De acordo com Carolina, a ideia é abrir a Universidade para que os refugiados possam fazer os cursos, atividades e recursos oferecidos. Essa iniciativa, resssalta, potencializa a formação, consolidação e fortalecimento da presença refugiada no Rio de Janeiro.

 

— O papel da Universidade é fortalecer a capacidade das populações refugiadas de fazerem as demandas de atuar como um apoio institucional para essa, já instalada, demanda e de formação dessas populações. E, também, de prover parte desse suporte material. Por exemplo, a PUC, pelo escritório modelo de advocacia, é capaz de apoiar algumas demandas e questões pontuais que refugiados e solicitantes de refugio têm.

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