Superação da violência: um desafio para todos
02/04/2018 16:22
Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J.

O Reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J., comenta sobre a questão da violência e os princípios do ser humano em busca de soluções 

A temática da violência, vivenciada no cotidiano da nossa existência, passou a ocupar um lugar de destaque nas reflexões, nos debates, nas mídias, e nas preocupações das instituições civis e religiosas. A Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil assumiu em 2018 esta corajosa missão de apresentar reflexões e ações para a superação da violência em nosso país, chamando-nos atenção que a violência não é uma questão de números e índices, mas de esvaziamento de princípios humanitários, no sentido pessoal e social.

A dura realidade do dia a dia nos revela o perigo de uma cultura da iniquidade, ou seja, de nos acostumarmos com a violência, e não buscarmos soluções profundas para combatê-la, contentando-nos apenas com soluções paliativas e midiáticas. Somos bastante inteligentes para perceber que o aumento da violência está relacionado com a quebra de valores humanos e o enfraquecimento da justiça social. Somente o resgate dos mesmos é que possibilitará a reconstrução de uma cultura de paz, onde o ódio dê lugar a reconciliação, a mentira dê lugar a verdade, as injustiças sejam vencidas pela justiça, as exclusões sejam eliminadas com a inclusão dos que vivem à margem da sociedade, os radicalismos superados pela aceitação das diferenças, as distâncias entre os contrastes sociais sejam diminuídas, e a corrupção seja expurgada pelo protagonismo dos valores éticos.

Embora tenhamos que refletir e buscar soluções sociais razoáveis e possíveis para a superação da violência em nossa sociedade, é necessário também que no plano pessoal façamos gestos concretos que expressem o nosso compromisso para combater a violência e criar uma cultura de paz. Para tanto, podemos começar por não consumir drogas, por desbrutalizar o nosso interior evitando a violência verbal, não disseminar a violência digital, evitando repassar vídeos de conteúdo violento e preconceituoso, dar mais espaço para a vivência de valores religiosos e humanísticos, sermos solidários com as pessoas mais vulneráveis, manter uma relação mais respeitosa com as pessoas e a natureza etc. Estas e outras, são pequenas atitudes que estão ao nosso alcance e que podemos fazer para testemunhar que podemos colaborar com as mudanças de paradigma na superação da violência, e na criação de uma cultura de paz.

A universidade é um espaço privilegiado para o debate, a reflexão e a construção de propostas de mudanças sociais profundas, como também um laboratório de testemunho de tudo aquilo que vivemos e podemos fazer pessoal e comunitariamente. Faço votos que esta temática da superação da violência possa ser amplamente discutida nos departamentos, seminários, simpósios e encontros informais, acima das opções partidárias, e apresentando soluções profundas e inteligentes, como é próprio da casa do saber que é a Universidade. Sendo um ano eleitoral, é de bom alvitre que esta temática tenha um lugar especial no diálogo com aqueles que no futuro nos representarão nas diferentes instâncias políticas no Brasil e no Estado do Rio de Janeiro.

Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J.
Reitor da PUC-Rio

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