Resgate da História Brasileira
03/04/2018 17:54
Julia Carvalho

Projeto Portinari completa 40 anos em 2019 e planeja uma série de comemorações para a data

Há 39 anos, o Projeto Portinari (PP) realiza um trabalho intenso no resgate das obras do pintor brasileiro Cândido Portinari. Artista plástico da fase modernista, reconhecido mundialmente, ele morreu em 1962 por causa de intoxicação com tintas. O Projeto foi criado 17 anos após a morte do pintor pelo filho do artista, João Cândido Portinari, com o intuito de buscar as obras que, na maioria, estão em coleções particulares. Em 2019, o Projeto Portinari completa 40 anos e, para comemorar a data, a equipe do Projeto planeja uma programação.

Para o ano que vem, o plano é montar exposições diversas e outra na Itália com as principais obras do pintor. Está também previsto o lançamento de um programa editorial com livros novos e reedição de publicações que já estão esgotadas. O PP ainda pretende promover com o Balé da cidade de São Paulo algumas apresentações, uma vez que Portinari assinou figurinos e cenários para espetáculos de dança.

Diretor geral do PP, João afirma que nenhuma pessoa pintou mais seu país do que Portinari, por isso, o trabalho feito pelo Projeto ajuda a sociedade brasileira a encontrar a identidade e a preservar a memória nacional. O pintor cobriu o Brasil em toda a extensão e pintou diferentes temas, como o histórico, social e religioso. Ele destaca que as mais de 5 mil obras catalogadas pelo projeto são um grande retrato crítico do Brasil.

— O resgate não só da obra, mas da vida e da época de Portinari representam um itinerário de acesso muito privilegiado a quatro décadas de vida brasileira, que vão dos anos 20 aos anos 60.

João Candido Portinari, filho do artista, é o fundador do Projeto Portinari. Foto: Fernanda Maia

Eliza Seoud, assistente jurídica estagiária do PP, revela que já foram catalogadas mais de 5.200 pinturas, desenhos e gravuras, e até hoje chegam avisos de trabalhos novos. Também fazem parte do acervo mais de 25 mil documentos, 6 mil cartas, fotografias entre outros arquivos. Ela conta que a maior preocupação do Projeto Portinari hoje é com obras falsas. Por isso, com engenheiros da PUC, o PP desenvolveu o Projeto Pincelada que pesquisa a autenticidade das obras encontradas.

João afirma que é muito importante o Projeto Portinari ter a sede dentro do campus da PUC-Rio, na Gávea. Para ele, a Universidade está em permanente renovação e é uma “fábrica de utopias” onde o Projeto faz contato com o jovem que traz a vontade de transformar o mundo. Além disso, há uma interdisciplinaridade de Portinari com as mais diversas áreas como história da arte, psicologia, engenharias e ciência da computação.

— Se sairmos da Universidade não poderemos cumprir a missão de levar os valores de ética e humanismo presentes nas obras de Portinari às pessoas, principalmente crianças e jovens. Por isso é muito importante que o Projeto Portinari esteja nesse espaço. 

A Fuga para o Egito. Pintura mural a afresco, 1937, de Candido Portinari. Imagem: Acervo Projeto Portinari

O diretor do Projeto conta que a grande missão do PP, hoje, é o Núcleo de Arte Educação e Inclusão Social. Eles buscam todas as formas de levar às crianças e jovens os valores de ética e humanismo presentes nas obras e continuar sendo um centro cultural e de pesquisa, que recebe pesquisadores, oferece conteúdo, promove exposições, palestras e publicação de livros.

— Nossa missão é levar às crianças e jovens os valores que estão na obra de Portinari como o de não violência, solidariedade, fraternidade, espírito comunitário e respeito à vida. Toda criança tem uma percepção visual extraordinária e nós temos essa visão ética e humanista para passar que possibilita ela a construir um futuro melhor que esse presente que estamos vivendo.

Índios Carregando Pau-Brasil. Desenho a carvão, 1938, de Candido Portinari. Imagem: Acervo Projeto Portinari

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