Armínio Fraga: economia brasileira no caminho certo
28/09/2007 17:26
Aurélio Amaral / Foto: Felipe Corrêa



Ex-presidente do BC considera o Brasil uma boa aposta
O Brasil está no caminho certo. Essa é a opinião de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, sobre o futuro econômico do país. Em uma palestra para acadêmicos, investidores e empresários americanos, no dia 11 de setembro, o ex-aluno da PUC fez uma retrospectiva da conjuntura macroeconômica dos últimos vinte anos e citou controle da inflação e câmbio flutuante como grandes conquistas dos últimos dez anos. Embora tenha criticado o atual governo pela alta carga tributária e pelo aumento dos gastos públicos, o economista afirmou que o Brasil é um lugar seguro para investimentos, mesmo num cenário internacional menos favorável. Em entrevista ao JORNAL DA PUC, Fraga avaliou o impacto da crise imobiliária dos Estados Unidos e revelou suas expectativas em relação ao Brasil.

 

Jornal da PUC: Como a crise imobiliária nos Estados Unidos pode afetar o Brasil?
Armínio Fraga:
É normal que as economias vivam ciclos de desaceleração. Se isso realmente acontecer, a tendência é de desaceleração aqui também, mas não no mesmo grau. A crise provoca reação em cadeia. Mas ela aos poucos perde força à medida que se alastra. Por exemplo, se a economia americana crescer 1% menos, sofreremos o impacto de apenas uma fração de 1%. Temos hoje no país um saldo positivo na conta corrente, um saldo positivo na conta de investimentos a longo prazo e uma balança de pagamentos muito saudável.

JP: Pode-se prever as proporções que a crise alcançará?
Fraga:
É difícil prever que setores serão mais ou menos afetados. Mas não creio que a crise venha a ser muito grave, pelo menos do jeito que o mercado vem se comportando até agora.

JP: O senhor acredita numa queda da taxa de juros nos EUA?
Fraga:
A resposta natural de um banco central quando vê que a economia está desacelerando e que, em função disso, a inflação deve cair, é reduzir a taxa de juros, e a expectativa hoje é a queda de juros nos Estados Unidos. O Fed (Banco Central Americano) vai se reunir para discutir esse assunto e creio que uma resposta nessa direção seria interessante para o mundo.

JP: O real, apesar das turbulências no cenário, tem se mantido estável. Como o senhor avalia a política cambial?
Fraga:
O Brasil tem, desde 1998, uma política de cambio flexível. No passado, em momentos de crise, a taxa de câmbio era ameaçada. Hoje, com o câmbio flutuante, não há essas tensões que se via no passado.

JP: O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é um bom canal para alavancar o crescimento do país?
Fraga
: É cedo para avaliar. Mas o que faz o país crescer é investir mais, e o PAC certamente não é o único canal para isso. A economia brasileira esta começando a investir um pouco mais. No entanto, creio que o mais importante para o crescimento do país é a educação. Demora a dar resultado, mas é o que mais rende.

JP: O senhor é otimista em relação ao futuro do Brasil?
Fraga:
O Brasil vem num ritmo ainda lento, mas caminhando na direção certa. Mas este ano é possível que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça 4,5 ou 5%, o que não é mau.

 

Edição 191