O quadro negro digital
05/06/2018 16:00
Karen Krieger

Plataformas on-line contribuem para o aprendizado das novas gerações

Ilustração: Diogo Maduell

As tecnologias já dominaram nosso dia a dia de tal forma que dentro das salas de aula não poderia ser diferente. Datashows, computadores e celulares podem ser complementos para canetas e cadernos que acompanham os estudantes desde o início do ensino. Ao lado dessas inovações, os professores debatem e incorporam novas metodologias com o objetivo de atualizar e dinamizar a aprendizagem na sala de aula.

A chamada de educação semipresencial ou educação híbrida parece ser o futuro do aprendizado. Este novo cenário pode ser composto por aulas expositivas com o uso de vídeos, podcasts e outras mídias dentro de um ambiente virtual, conciliado com debates e reflexões na presença do professor.

A Coordenação Central de Educação a Distância (CCEAD) oferece uma versão adaptada da plataforma Moodle exclusiva para os alunos da PUC. A coordenadora central da CCEAD, Gilda Helena Bernardino de Campos, conta que a escolha da ferramenta surgiu por ser uma plataforma aberta, com o código fonte disponível para quem quiser utilizar. Usado pela maioria das universidades, inclusive as internacionais, segundo ela, o recurso já consolidou uma comunidade estabelecida no meio acadêmico.

Ilustração: Bia Meireles

- Nós começamos a usar o ambiente em 2014. No final do ano passado, nós já tínhamos quase 800 disciplinas da universidade utilizando ao longo do semestre. Todo o ambiente é configurado para diferentes portes, desktop, laptop, celular e tablet. Nós percebemos que os alunos têm usado o mobile learning, aprendizagem móvel.

O analista 1 do IAG Douglas Cruz formulou o trabalho de conclusão de curso (TCC) para o Master of Business Administration (MBA) em Gerenciamento de Projetos fundamentado nas barreiras que os professores encontram na educação a distância. Uma das principais dificuldades, segundo Cruz, é o engajamento do aluno com esse tipo de educação. O estudante deve aprender a gerenciar melhor o tempo para poder se habituar à ferramenta. Para ele, a plataforma permite implementar o conceito de aula invertida - os conteúdos e tarefas são feitos on-line e, em sala de aula, o professor se dedica a atender as dúvidas dos alunos.

- Quando os professores colocam um material no sistema, uma pesquisa complementar, por exemplo, agrega valor ao que foi dado em sala de aula. Isso é para poder melhorar tanto a habituação do aluno dentro do ambiente de educação a distância quanto para incentivá-lo.

Para os professores que decidiram implementar o Moodle na metodologia, a experiência é de enriquecimento para o curso. Na disciplina Filosofia da Educação, o professor Ralph Bannell, do Departamento de Educação, adaptou a aula para que os alunos pudessem sair mais cedo por causa do horário de trabalho ou estágio. Há quase cinco anos, ele divide a duração entre uma aula presencial de uma hora e, na outra metade, disponibiliza tarefas e textos no Moodle para os estudantes acompanharem de onde eles estiverem. Essa organização, para Bannell, elimina o professor como fonte de informação, mas destaca o papel de questionar e provocar o aluno.

- O benefício principal é modificar o tempo-espaço da aula. Esse é o grande desafio. Temos cada vez menos tempo, que até atender uma aula todo dia fica difícil para alguns alunos, e isso ajuda esses alunos a participarem da aula. O Moodle cobra presença virtualmente, pois todas as atividades ficam registradas.

Página inicial do EAD. Ilustração: Bia Meireles e Diogo Maduell

Além da facilidade de uma aula móvel, a professora Patrícia Tomei, do IAG, acredita que a Educação a Distância proporciona um conhecimento mais global, como uma comunidade de aprendizado. Para ela, esse tipo de didática possibilita aos alunos procurarem assistir às aulas de outras instituições por meio da internet.

- O aluno bota o curso todo em um pendrive. Eu acho que tem uma coisa genial, as pessoas ficam com seu curso para sempre. Eu tenho muito aluno estrangeiro na graduação, e mesmo eles viajando podem continuar assistindo à aula.

Além dos benefícios educativos que integram tanto o aluno quanto o professor, um ambiente on-line também auxilia na economia de papel. Esse método é adotado pelo professor Luiz Cardoso, do Departamento de Comunicação Social, que utiliza a plataforma antes mesmo da adaptação feita pela CCEAD. Na aula de Comunicação Gráfica, Cardoso disponibiliza todos os arquivos que os alunos vão precisar no sistema. Em vez de oferecer xerox ou pedir os trabalhos impressos, todos os arquivos são entregues pelos Moodle. Dessa forma, segundo ele, os alunos economizam papel, um princípio que lhe é importante.

- Eu não queria usar papel há algum tempo. É um princípio natural de a gente querer economizar as árvores. Eu já trabalhei em uma gráfica quando jovem, então eu sei quanto custa fazer papel. Já visitei empresas de fábrica de papel e vi como eles destroem as árvores.

Mais Recentes
Da compulsão alimentar ao bisturi
Pacientes que fazem cirurgia bariátrica podem desenvolver outras compulsões
Encontro para repensar a dinâmica da educação em sala de aula
Professores debatem novas alternativas de ensino no II Seminário de Práticas Inovadoras no Ensino Superior
PUC-Rio firma parceria com Acnur
Convênio pretende ampliar o acolhimento para refugiados. Oficialização de acordo faz da Universidade a 20ª instituição de ensino superior a integrar a Cátedra Sérgio Vieira de Mello