Preservar as conquistas inclusivas
18/06/2018 13:46
Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J.

O Reitor padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J., lembra em artigo que, nos últimos anos, várias iniciativas acadêmicas foram feitas na Universidade para discutir, aprofundar, apoiar e ampliar o processo de inclusão na sociedade.

Conquistas inclusivas são legados construídos com desejo de fazer justiça e quebrar barreiras culturais, raciais e políticas, testemunhando, a partir de iniciativas pioneiras, o quanto é possível conviver solidariamente com as diferenças. As pequenas ações testemunhais e inteligentes, construídas em consenso coletivo, são fundamentais tanto para garantir um horizonte abrangente no futuro como para servir de fonte inspiradora para outros grupos de pessoas ou instituições. É inevitável que neste processo de construção possam ocorrer fatos isolados que vão na contramão destas conquistas, pois o ser humano está sempre marcado por grandezas e fragilidades. No entanto, estas pequenas contradições não apagam o brilho das conquistas históricas que acabam incorporando no modo de ser e de agir institucionalmente.

 Episódios ocorridos recentemente, denunciados por conterem conotação racista, não condizem com o legado que a PUC-Rio tem construído de implementação de políticas de inclusão social e racial, consolidada nos pré-vestibulares comunitários, nas concessões de bolsas, e na criação de órgãos voltados para os direitos humanos e estudos e pesquisas sobre questões afrodescendentes. Nos últimos anos, várias iniciativas acadêmicas foram realizadas na Universidade para discutir, aprofundar e propor soluções para apoiar e ampliar o processo de inclusão na sociedade, sendo também objeto de inúmeras monografias, dissertações e teses, sobretudo nas áreas sociais e humanas.

Muitos ícones e protagonistas dos movimentos sociais de inclusão no Brasil passaram e continuam passando pela PUC-Rio, tanto através de congressos e seminários como também na docência e na discência.  Em uma passagem rápida de memória lembramos a grandeza humana de nomes que estiveram muitas vezes na Universidade ou fizeram parte da história acadêmica da Instituição como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalez, Beatriz Moreira Costa, conhecida como Mãe Beata, a vereadora Marielle Franco e tantos outros nomes que tanto nos orgulham. Hoje, depois de muitos anos de conquistas, a Universidade conserva este legado como um patrimônio social, político e religioso nem nenhuma possibilidade de retrocessos.

Ações isoladas e pontuais que ocorram ou que possam ocorrer no decurso da história jamais afetarão este legado construído com coragem e bravura de mentes brilhantes e inspiradas. A força deste patrimônio é que nos possibilitará não só corrigir as contradições que venham a ocorrer ao longo da história como a apresentar alternativas para evitar que episódio com conotação de discriminação possa acontecer na Universidade e na sociedade.

Em um mundo marcado pelos radicalismos, sectarismos e exclusões sociais, temos que buscar a sublime arte de conviver fraternalmente com as diferenças de raças, credos, e opções de vida, evitando os dissensos e os conflitos, procurando acolher com amor e profundidade a diversidade multicultural que tanto caracteriza o ethos de nossa brasilidade.

 

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