Mentiras criminosas
21/08/2018 17:19
Lucas França

As fake news e o papel da sociedade no combate aos boatos são discutidos em mesa de abertura da Semana de Direitos Humanos

Um dos assuntos mais abordados nos dias de hoje, as fake news foram o tema da palestra de abertura de Semana de Direitos Humanos, ministrada pelo professor Chico Otávio, do Departamento de Comunicação Social, nesta segunda-feira, 20. Organizada pela Pastoral Universitária Anchieta, a semana tem o objetivo de trazer valores éticos para dentro da Universidade e desenvolver nas pessoas olhares para o próximo.

O encontro foi divido em dois momentos. No primeiro, o professor expôs ideias a respeito do tema e explicou como lida com as fake news no dia a dia de repórter, profissão que exerce há 30 anos. A segunda parte foi um debate com a plateia, que questionou o jornalista sobre o combate às notícias falsas, fins jurídicos para os que espalham boatos, casos específicos como as eleições de 2018, entre outros assuntos.

O professor qualificou como “interessantíssima” a discussão sobre as fake news na Universidade que, para ele, são “uma praga”. Otávio contou ainda que os boatos podem interromper o trabalho cotidiano de um jornalista, mas que eles não são um problema apenas do jornalismo e das redações brasileiras. Segundo ele, a questão precisa ser enfrentada por toda sociedade.

— É lógico que o jornalismo tem um papel fundamental na desconstrução das fake news e das mentiras, principalmente as digitais, mas acho que essa responsabilidade não deve ser entregue exclusivamente às redações. Para mim, é um problema de toda a sociedade, espalhar boatos é crime. Lembro que em 2014, no Guarujá, se espalhou que uma mulher fazia rituais satânicos com crianças. Ela foi linchada e morta após a divulgação de boatos. Vejo os responsáveis por isso como criminosos, e cabe às autoridades buscarem a condenação deles. Acho que as autoridades brasileiras estão custando a entender essa responsabilidade.

Questionado sobre a interrupção no trabalho diário de uma redação para checar a veracidade de fatos, Otávio explicou o quão nocivas as mentiras são para o jornalismo. Ele disse que as notícias falsas precisam ser esclarecidas, e isso tira a força de outras frentes de apuração, já que a redação “para tudo” com intuito de resolver uma questão muito pontual.

— O jornalista já é um pouco escravo da agenda política da cidade, que faz com que a mão de obra perca tempo com cosias banais. Aí ainda entra a fake news? O que sobra para você realmente fazer matérias diferenciadas durante uma campanha eleitoral? Pouca coisa.

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