A PUC-Rio recebeu o Padre José Alberto Mesa, S.J, para falar sobre Pedagogia Inaciana e a importância de incorporar esse conceito nas salas de aula
Por Sofia Andrade Lopes

Padre José Alberto Mesa na Palestra “Pedagogia inaciana: caminho para a excelência humana na universidade”. (Foto: Pablo Campos/ Comunicar)
Jesuíta com formação em Educação pela Pontificia Universidad Javeriana, que atua como professor convidado da Loyola University Chicago, Padre José Alberto Mesa, SJ, falou sobre a pedagogia de Santo Inácio durante a palestra no dia 24 de março, que deu início à Série Identidade e Missão. Os encontros, organizados pelo Conselho de Identidade e Missão e a Pastoral Universitária, visam buscar uma nova forma de reflexão e pensamento no contexto universitário.
Segundo Mesa, a pedagogia inaciana não é um método com um passo a passo, mas um enfoque, um modelo educativo, uma maneira de ensinar que segue uma lógica humanista personalizada, crítica e participativa, que permite professores acompanharem os alunos em seu crescimento e desenvolvimento.
O educador discorreu sobre a importância de uma boa educação para ajudar as pessoas a navegar num mundo em constante mudança e a ambientá-las frente a instabilidades. O padre relembrou as falas do Papa Francisco sobre o sentimento global de temer o futuro, as crises ecológicas, guerras e a violência. Esse pensamento, ligado à espiritualidade inaciana, pode atuar como um condutor em tempos difíceis, explicou Mesa. Santo Inácio também passou por uma “troca de épocas”, quando tradições e culturas sofreram transformações. Neste contexto, o fundador da Companhia de Jesus usava seu discernimento como forma de “caminhar na escuridão, no momento em que não havia estrelas no céu para guiá-lo”.
“Santo Inácio viveu durante um período de transição da Idade Média para o Renascimento. Uma transição que envolveu muito medo, com muitas pessoas perdidas, que não sabiam para onde o mundo estava indo ou o que esperar. Ele teve que tatear, tentando encontrar seu caminho naquele momento histórico. E, assim, desenvolveu sua espiritualidade inaciana de encontrar Deus. É como uma bússola que nos guia em meio à mudança e à nossa própria incerteza inerente”.
A pedagogia de Inácio de Loyola segue a premissa de não temer o desconhecido, as inovações e dificuldades. A pedagogia inaciana é uma tradição viva, que enfatiza a importância de analisar o contexto atual para evoluir junto a ele. Mesa falou sobre a necessidade de acompanhar estes novos meios no mundo acadêmico, pois, caso contrário, “é preciso refletir se estamos em uma universidade ou em um museu”.
“O passado nos encoraja e nos inspira, mas, para enfrentar o presente, não podemos viver de glórias passadas. A educação da Companhia de Jesus não pode ser uma mera recordação do que fizemos ou do que fomos; pelo contrário, devemos formar pessoas para e com os outros, onde a fé, a justiça social e a responsabilidade ecológica sejam centrais. Onde não tenhamos medo da tecnologia, da cidadania global ou das dificuldades e possibilidades do nosso tempo e, claro, com uma atitude crítica. Para mim, isso é admirável”, destacou o educador.
Durante a palestra, Mesa contou que um grande norteador do pensamento inaciano é o humanismo, que busca na educação a possibilidade de melhorar o mundo, de obter formas de conseguir transformá-lo. Esta vertente faz uma crítica ao modelo de ensino das faculdades, que mira atingir apenas a memória dos estudantes, o que, segundo ele, impossibilita a verdadeira aprendizagem, pois, para tal, é necessário alcançar mais do que a mente.
“O segredo de Santo Inácio, que é o segredo da educação jesuíta, é tocar o coração. É inegável. O verdadeiro aprendizado só acontece quando se toca o coração do aluno. Pense nos professores que tiveram o maior impacto em sua vida — são aqueles que tocaram seu coração, não apenas a mente. Não é a cabeça que move os seres humanos, mas o coração. Isso é o humanismo”, declarou.
Durante a conversa, o vice-reitor geral da PUC-Rio, Padre Miguel de Oliveira Martins Filho, S.J, destacou que há um grande incentivo à participação dos professores nas palestras, pois são eles que estão em contato com os alunos. O jesuíta também compartilhou sua visão da pedagogia no cotidiano da PUC-Rio como uma forma de cuidar do próximo, além de si mesmo:
“Às vezes, a gente busca muito o que é melhor para nós mesmos e esquecemos que estamos aqui na universidade para sermos melhores para os demais, para sermos mais humanos. A pedagogia inaciana não se resume em falar de algo. Na verdade, ela é algo que nos inspira no viver do dia a dia. Ou seja, não são simplesmente os pensamentos, os conceitos, aquilo que a gente pode aprofundar e entender racionalmente, mas é como toca o nosso coração, toca a nossa vida. Isso vai nos transformar”.

