Considerado um dos melhores fotógrafos do cinema brasileiro e com uma carreira de mais 80 filmes, com imagens belas e inspiradas, Walter Carvalho acrescentou recentemente outro ofício ao seu currículo: o de diretor. No dia 11 de abril, Carvalho esteve na PUC-Rio para conversar com alunos e professores da Universidade, após uma sessão do filme Heleno, de José Henrique Fonseca, em que ele assina a direção de fotografia. O encontro foi promovido pelo Departamento de Comunicação Social em parceria com a Associação Brasileira de Cinematografia (ABC).
Walter Carvalho nasceu em 1947 na Paraíba. Formado em Design, foi na faculdade que aprendeu fotografia e recebeu o convite do irmão, o cineasta Vladimir Carvalho, para trabalhar no documentário Homem de Areia. A partir daí, não parou mais: O Céu de Suely, Central do Brasil e Veneno da Madrugada são algumas das obras em que criou a fotografia. Segundo Carvalho, o trabalho como diretor de fotografia o ajudou quando dirigiu os próprios filmes.
– Trabalhei com vários diretores e fui absorvendo maneiras de narrar com a câmera. Quando eu decidi fazer o meu filme, ela não era um problema, mas uma solução – conta.
Cazuza - O Tempo Não Para, Budapeste e Raul - O Início, o Fim e o Meio são os longas-metragens assinados por Carvalho como diretor. Na TV, trabalhou recentemente na minissérie e na novela Lado a Lado. Carvalho discorda dos rumos que o cinema e a televisão têm tomado.
– Se estabeleceu um formato de cinema que atinge o mundo inteiro, criando uma posição mais radical na forma de construir um roteiro. No caso da teledramaturgia é ainda pior, já que ela se alimenta da própria pesquisa.
Carvalho também reforça a importância da formação acadêmica em cinema e do conhecimento em outras aéreas.
– Eu estudo cinema até hoje. Ele nunca se encerra como aprendizado. Mas não adianta estudar só cinema. Ninguém pode fazer um filme sem nunca ter lido Machado de Assis ou ouvido Bob Dylan – disse.
Edição 268