O Magic foi criado em 1993, pelo matemático americano Richard Garfield. É um jogo de estratégia, no qual as figuras têm nomes e efeitos. Os jogadores iniciam a partida com 20 pontos de vida, e ganha quem fizer com que o oponente chegue primeiro a zero. Cada baralho deve conter no mínimo 60 cartas. Depende de cada jogador a melhor forma de combiná-las para derrotar o adversário. Elas são ilustradas com figuras de monstros, cidades, animais, guerreiros, magias, artefatos etc.
Para entrar no jogo, o interessado pode comprar um baralho com 60 cartas por R$ 60 em bancas de jornais ou lojas especializadas. Ao longo das jogadas, a carta que foi adquirida por R$1, em média, ganha um novo valor, que será determinado por diversas variáveis. A mais rara e cara do jogo, Black Lotus, cuja pintura é uma lótus preta, já chegou a valer R$ 4 mil, e atualmente está por volta de R$ 3.500. A Black Lotus é uma das cartas mais antigas do Magic e possibilita o jogador derrotar o oponente no primeiro turno do duelo. Em alguns formatos do jogo, ela é proibida e não pode estar no baralho.
Os preços das cartas variam a cada edição, lançada anualmente. Quanto mais antigas, mais difíceis de serem encontradas. Outro fator para a valorização da carta é o efeito que ela produz em certas momentos do jogo.
O estudante André Cujo, 27 anos, jogador de Magic há 10, explica que a disponibilidade da carta no mercado é um dos principais fatores que determina o preço dela.
– As cartas são avaliadas pela raridade e pela “jogabilidade”. Além disso, também é analisado o número de reimpressões, ou seja, quantas vezes a carta foi lançada. Fora isso, há também uma lista de cartas reservadas, que não podem ser reimpressas.
Os torneios de Magic são disputados por jogadores com qualquer tipo de baralho, porém quanto mais caro o conjunto, maior a chance que o jogador tem de ganhar. O estudante de engenharia Pietro Sales, 19 anos, vivenciou esta regra, e diz que o investimento ajuda a definir um patamar.
– Jogar em alto nível e ser bem-sucedido requer um alto investimento. É possível iniciar investindo pouco e ir aumentando com o tempo, participando de campeonatos menores e com ajuda de colegas, mas é um caminho mais demorado.
Com a ajuda de colegas que cederam algumas cartas a ele, Pietro conseguiu o primeiro lugar nas eliminatórias para o torneio nacional de Magic em 2012 na cidade de Campos (RJ). O jovem é jogador há quatros anos, e a coleção do estudante, que teve investimento total de R$ 2,5 mil, hoje está avaliada em R$ 4,7 mil. Valores que ele considera baixo para um jogador de alto nível.
Para a economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) Daiane Santos, esse mercado pode ser comparado com o de figurinhas da Copa do Mundo.
– A figurinha do Neymar, por exemplo, apesar de inicialmente custar R$ 0,10, durante a Copa custava quase R$ 10. Será que daqui a cem anos ela valerá mais? Pode ser que sim, pode ser que não. O valor, nesse caso, está ligado à exclusividade e à demanda, se alguém quiser pagar US$ 1 mil pela figurinha, quem não vai vender? Só alguém muito apaixonado.
André, campeão de um torneio em 2013 na cidade de Rio das Ostras (RJ), investe no jogo seis anos a mais do que Pietro, é dono de uma coleção avaliada em R$ 22 mil. A contabilidade de André mostra a aplicação de R$ 10 mil durante 10 anos. Além das variações do preço das figuras individuais, existe a opção de comprar pacotes chamados boosters, que contém 15 cartas aleatórias conforme as edições.
Segundo Daiane, apesar de representarem um tipo de investimento financeiro, as cartas não podem ser comparadas a commodities – artigos de comércio que seguem certos padrões, e são negociados na bolsa de valores. Como as figuras são vendidas entre jogadores, para a economista, elas poderiam ser comparadas ao mercado de artes, e não afetam a economia.
– As cartas se enquadram no mercado de artes, podendo chegar a valores muito elevados, contudo, não mudam o curso da economia. Investidores em obras de arte e em ações são apostadores de áreas distintas – conclui.