Um educador capoeirista
28/03/2011 14:00
Rafael Caetano



Leninaldo Severino da Silva se aproximou, pela primeira vez, de uma roda de capoeira em Recife, Pernambuco, ainda adolescente. A princpio, a admirao se misturou com o medo. O canto e o ritmo dos instrumentos, junto com os movimentos rpidos criados pelos negros vindos da frica o fascinaram. Aquele mesmo jovem, anos depois, se tornou o mestre de capoeira fundador do grupo Igualdade, mais conhecido como Camura.

Camura comanda roda de capoeira no pilotis
Em 1987, Camura comeou a trabalhar na Prefeitura do campus da PUC-Rio. Nesse perodo, conheceu o mestre Gilberto, do grupo Irmos. At ento, a capoeira no lhe parecia uma escolha definitiva. Ele conta que o grupo Irmos o incentivou a evoluir na capoeira e se tornar mestre. Hoje, como funcionrio do Departamento de Engenharia Mecnica, desenvolve o projeto Vencer, com jovens do Parque da Cidade, Parada Anglica, Condomnio Minhoco, estudantes e funcionrios da PUC.

Para ele, a capoeira no se limita a uma luta. “ um saber popular”, Camura gosta de falar. Nas aulas, ele abre espao para os alunos dialogarem sobre o aprendizado e aspectos histricos e culturais da capoeira. Essa prtica pedaggica rende frutos. Jovens passam a ter uma vida saudvel e perspectiva de futuro. o caso do estudante Renato da Silva, de 21 anos, do 4 perodo de Administrao. Ele conta que sempre quis fazer uma atividade fsica, mas a experincia com outros esportes no o agradou. Com 12 anos, comeou a frequentar as rodas do grupo Igualdade e, desde ento, viu melhorar a interao social.

Estava em busca de esporte e algo coletivo. A capoeira me ofereceu isso. Em janeiro fui para Madri e tive vrios amigos me esperando no aeroporto. Isso graas capoeira diz Renato.
O trabalho desenvolvido pelo grupo Igualdade, segundo Camura, visa a ser um modelo real de transformao na vida das crianas e jovens que frequentam o projeto. Ele acredita que um mundo melhor possvel se a sociedade investir nas crianas e jovens.

O que a criana precisa de oportunidade. Se investirmos no esporte, sade e educao, com certeza teremos um mundo melhor. A capoeira tem dado uma resposta muito boa para isso afirma o mestre, com 20 anos de dedicao educao popular.

Intercmbio cultural

O portugus no a nica lngua falada nas rodas de capoeira do grupo Igualdade. O espao cultural no subsolo do Ginsio Ormindo Viveiros de Castro rene, trs vezes por semana, estudantes de diferentes nacionalidades.

Os alunos vm aprender um pouco da cultura brasileira e tambm fazer amizades, como conta a aluna americana de Relaes Internacionais Haley Kennard, de 20 anos. Segundo ela, participar das rodas de capoeira do grupo Igualdade a ajuda a fazer amizades no Brasil e conhecer melhor a lngua portuguesa.

A capoeira ajuda o aluno de intercmbio a se integrar, porque difcil nos primeiros meses haver interao diz Haley, que est no Brasil h seis meses.
O Vencer atende hoje 90 pessoas entre alunos e funcionrios da PUC, jovens e crianas de comunidades. As aulas so abertas e quem quiser participar pode comparecer ao subsolo do Ginsio Ormindo Viveiros de Castro, s segundas, quartas e sextas-feiras, das 12h s 13h ou das19h s 21h.

Edio 239

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