Dialogar com as questões ambientais
03/09/2019 18:59
Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J. – Reitor da PUC-Rio

Em artigo, o Reitor da PUC-Rio aborda a questão ambiental no Brasil

Nas últimas décadas, a ciência e a sociedade têm colocado a questão do meio ambiente como algo fundamental, sobretudo com a crise ecológica global que ameaça a nossa casa comum planetária. O crescimento da consciência e da sensibilidade internacional com os problemas do meio ambiente ultrapassa as fronteiras territoriais das nações, pois a transversalidade desta temática permeia vários campos dos saberes científicos e atinge todas as escalas da vida social.  

A nova ética ambiental considera que os elementos fundamentais como a água, a biodiversidade, o clima, etc, são bens da natureza de caráter universal, que não podem ser apropriados pelas soberanias nacionais, tanto pelos serviços ambientais sem fronteiras, como pela leitura religiosa que os considera como recursos dado pelo Criador, colocados nas mãos humanas para serem administrados e cuidados, em função do bem comum.

Dentro desse horizonte, as políticas públicas do meio ambiente devem ser políticas de Estado e não de governos específicos e transitórios, não identificando com ideologias de direita ou esquerda, procurando manter os compromissos de não romper processos e avanços, mesmo que haja correções de pontos vulneráveis.

Pela transversalidade da temática ambiental, o diálogo e o consenso sobre coisas essenciais é o melhor caminho, pois polêmicas, radicalismos, dissensos e atitudes pouco inteligentes não resolvem os grandes problemas, mas, ao contrário, acirram os ânimos, geram conflitos, afetam as relações internacionais, prejudicam as relações comerciais e comprometem as coisas positivas que historicamente estão dando certo, apesar dos percalços e das crises política e econômica.  

O que se percebe na realidade brasileira é, que apesar dos avanços, a questão do meio ambiente vem sendo tratada como assunto secundário pelos sucessivos governos, agravada mais recentemente por atitudes e posturas que apequenam algo que hoje é considerado grande, em razão da sobrevivência do planeta, do esgotamento dos recursos da natureza, das mudanças climáticas que afetam a todos, da exploração excessiva pelo consumo desenfreado, entre outros.

A complexidade da problemática ambiental exige profundo conhecimento científico, tanto por parte de pesquisadores como dos gestores, sobretudo num país como o Brasil, detentor de uma enorme riqueza de recursos minerais, hídricos e de biodiversidade. Gestores que estão à frente de postos relevantes nesta área devem dialogar com a ciência e a sociedade sobre os assuntos relacionados com o meio ambiente. Governantes deveriam evitar acusações, desconfiança subjetiva e conflitos desnecessários, mas, ao contrário, procurar ouvir mais a sociedade e a ciência, valorizar as conquistas, e evitar expor a imagem de um país que se orgulha de possuir uma extraordinária riqueza ambiental e cultural. 

Atitudes pouco democráticas e intempestivas não ajudam neste momento em que os olhos de toda a comunidade mundial estão voltados sobre a importância da Amazônia para o futuro do planeta, além da relevância de um Sínodo Amazônico convocado pelo Papa Francisco, que ocorrerá em outubro deste ano em Roma. O meio ambiente não pode ser apequenado e nem tão pouco ser palco de polêmica, disputas e conflitos ideológicos, mas algo que merece ser tratado com diálogo, respeito e soluções inteligentes.                                   

        

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