Valores dos jovens universitários
04/11/2019 16:45
Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J.

O Reitor analisa valores de jovens universitários da PUC-Rio, a partir de dados de pequisa realizada pela Cultura Religiosa e pelo Departamento de Ciências Sociais

Com as mudanças rápidas na sociedade, é compreensível que os novos jovens que entram para a Universidade manifestem valores humanos, sociais e religiosos diferentes de outras épocas, ora priorizando alguns que são mais conhecidos e consolidados, ora não realçando outros que, embora importantes, não ocupam um lugar de destaque como no passado. Uma pesquisa realizada no final de 2018, coordenada pela Cultura Religiosa do Departamento de Teologia e pelo Departamento de Ciências Sociais, envolvendo 2.114 alunos de graduação de diversos departamentos da PUC-Rio, correspondendo 18,7% do total de todos os alunos, revelou uma série de valores, uns mais enfatizados, outros menos explicitados.

Analisando os dados, evidencia-se que os sete valores mais destacados foram: Respeito pela diferença (70,7%), solidariedade (66,6%), liberdade política (63,2%), igualdade de oportunidades (62,4%), respeito pelo meio ambiente (60%), liberdade individual (49,6%) e justiça social (47,5%). Por outro lado, os sete valores menos destacados foram: Religiosidade (3,5%), prazer sexual (5,1%), obediência às autoridades (5,4%,), respeito às tradições (5,6%), autenticidade pessoal (6,4%), temor a Deus (7,5%) e dedicação ao trabalho (8,4%). Quando se trata do grau de satisfação cotidiana entre os jovens entrevistados, é bom lembrar que dois valores são destacados de forma positiva: a família corresponde a 71,6% e a amizade a 73,1%.   

Tais resultados nos levam a refletir sobre este novo modo de pensar dos jovens, ora manifestando valores humanitários que são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e inclusiva, como a solidariedade, a liberdade de opção, a igualdade de oportunidades, justiça social, ora condicionada por temáticas atuais fundamentais como a preservação do meio ambiente, ou mesmo com a ênfase na liberdade individual, uma característica marcante em nossos dias. Curiosamente, estes valores estão dentro da dupla dimensão da liberdade, ou seja, a dimensão da pluralidade, que envolve a relação do ser humano com Deus, a sociedade e a natureza, e a dimensão da singularidade que enfatiza a relação consigo mesmo. Por outro lado, valores menos enfatizados nos levam a pensar nas mudanças de mentalidade que estão ocorrendo nas últimas décadas, em que alguns valores vêm perdendo forças, ou mesmo sendo substituídos por outros, positiva ou negativamente.

Mesmo sendo uma amostragem pequena no horizonte mais amplo dos alunos, tais resultados constituem indicadores que merecem ser refletidos, discernidos e tematizados pelas diversas áreas das ciências sociais e humanas. Tais resultados nos oferecem subsídios para uma pesquisa mais profunda das mudanças que estão ocorrendo na sociedade e nas famílias, em que valores humanos, sociais e religiosos fundamentais permanecem e crescem, e os outros, que foram mais significativos em épocas passadas, vão perdendo espaços na mente e no coração da juventude.

O fundamental é que estejamos abertos para acolher os desafios dos novos tempos, procurando valorizar o que existe de positivo neste novo modo de pensar dos nossos alunos e, por outro, o que precisaríamos institucionalmente melhorar para testemunhar os princípios e valores que fazem parte de nossa identidade enquanto Universidade Católica, confessional e comunitária.  

 

       

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