Livro constrói ponte entre a academia e a prática jornalística
17/11/2023 14:59
Ana Tonelli

Primeira obra do Tejor PUC-Rio discute o dia a dia e as teorias do jornalismo

A professora Leise Taveira mediou mesa que contou com quatro dos autores e organizador do livro. Foto: Kathleen Chelles

O primeiro livro produzido pelo grupo de pesquisa Tejor PUC-Rio, intitulado Teorias do Jornalismo e experiências profissionais: múltiplas perspectivas, foi lançado em encontro na 102-K, no dia 10 de novembro. A obra organizada por Ana Paula Goulart de Andrade, ex-aluna da Universidade, e por Leonel Aguiar, coordenador do curso de Jornalismo do Departamento de Comunicação Social, une a teoria acadêmica ao dia a dia do trabalho nas redações. O lançamento contou com a presença de quatro dos 17 escritores que participaram da realização do projeto.

Os jornalistas e participantes do Tejor Mariana Menezes, Pedro Figueiredo, Luciana Roxo e Roberto Falcão estiveram no encontro onde debateram sobre a teoria e a prática jornalística. Cada profissional foi responsável por um capítulo, onde relacionou a experiência com as apurações ao que é ensinado nas salas de aula. O livro que homenageia a obra de Nelson Traquina, uma referência no curso de Comunicação, discute diversos tipos de cobertura, da ambiental à policial, e explora o lado acadêmico em cada área. 

Mariana Menezes, mestre em Comunicação pela PUC-Rio, escreveu “As pistas perdidas no Acre de Chico Mendes", onde analisou uma série de reportagens ambientais vencedoras do prêmio Esso, com foco nas matérias de Zuenir Ventura. Ao investigar bons exemplos de escrita, ela passou por diversas formas de construção de narrativa, para tentar entender como eram feitas e o que faltava nelas. A jornalista notou a ausência de pensamentos sobre a preservação da natureza e entendeu mais sobre o papel cidadão do jornalismo. 

— Decidi escrever sobre o assassinato de Chico Mendes porque a cobertura ficou comigo e com isso percebi a importância do jornalismo na formação da cidadania. Aquilo me formou como pessoa e como profissional.  

Mariana Menezes abordou a boa prática jornalística na cobertura ambiental em cápitulo. Foto: Kathleen Chelles

O capítulo de Pedro Figueiredo debate o papel social do jornalismo. Para isso ele apresenta as teorias de pensadores do campo da comunicação e da sociologia e usou dessa interdisciplinaridade para analisar o que é feito na rotina de um repórter. Ele ressaltou a distância entre a academia e os jornalistas, e vê uma dificuldade em unir o que é discutido em aulas ao que é feito no trabalho. No dia a dia, teoria e prática caminham juntos. 

— A relação entre estudo e prática existe em diversas profissões. Um bom médico é aquele que está bem informado sobre os avanços da ciência, você quer aquele profissional que aplica o tratamento de ponta. Isso se repete em várias outras áreas do conhecimento. No jornalismo há uma separação enorme, a grande conquista do Tejor é unir o que é produzido e o que é feito na prática. Há uma ideia de que o repórter é um sujeito passivo que só recebe e realiza ordens, com o livro vemos que tudo o que é produzido passa por ele de forma ativa.

Pedro Figueiredo ressaltou a importância da relação entre o dia a dia e as aulas. Foto: Kathleen Chelles

A opinião pública e as novas narrativas informacionais foram debatidas no livro pela professora Luciana Roxo, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Ao olhar a evolução das redes sociais, de um lugar superficial a uma potência política, ela percebeu a intensificação da queda de credibilidade. Com as sessões de comentários, a matéria não se encerra quando é publicada. As redes possibilitam que o assunto seja comentado em massa e também questionado por muitos. 

— O jornalismo já foi considerado um “sistema perito”, teoria que define um conhecimento incontestável. Hoje o que vemos é a queda constante da credibilidade. A maior parte da população espera que as notícias defendam a sociedade e não sente que a expectativa está sendo atendida. Com o engajamento, os veículos passaram a priorizar as emoções e repercussões em grande escala.

Luciana Roxo e Roberto Falcão discutiram a queda de credibilidade da profissão. Foto: Kathleen Chelles

O jornalista Roberto Falcão analisou os critérios que constroem uma notícia a partir do que foi publicado pelo jornal O Globo na Copa do Mundo de 2018. Ao comparar a cobertura brasileira com a de outros países, ele afirma que a teoria é a base mesmo que não seja notada. O que é notícia para um veículo possivelmente será para outro e a forma de produzir a notícia é também semelhante. 

— Na organização de eventos como as Olimpíadas, a área da imprensa é feita para atender a repórteres de todo o mundo. Usam os mesmos procedimentos e equipamentos, é a mesma lógica. A prática é a mesma, a teoria também.

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