“As Palavras” e as visões de Brasil
17/11/2023 16:51
Julia Amoêdo

O cantor e compositor Rubel esteve na PUC-Rio para falar sobre o processo criativo do novo álbum indicado ao Grammy Latino

Rubel falou sobre como foi o processo de criação do novo disco. Foto: Mateus Monte

Com uma mistura de gêneros, o álbum “As Palavras, Vol. 1 & 2”, do cantor e compositor Rubel, é tropicalista na essência, como definiu o artista. Lançado em março deste ano, o disco trata do que é ser brasileiro no contexto atual: as 20 faixas foram fruto de uma pesquisa realizada a respeito do Brasil e do cancioneiro nacional. No dia 10 de novembro, Rubel veio à PUC-Rio para compartilhar como foi esse processo, em um encontro promovido pelo professor Sergio Mota, do Departamento de Comunicação.

Ex-aluno de Cinema, o cantor gravou o primeiro álbum, “Pearl”, em 2013, quando estava em um intercâmbio pela Universidade no Texas, nos Estados Unidos. O segundo trabalho, “Casas”, só foi lançado em 2018. Para Rubel, a diferença entre os dois primeiros discos e o último lançamento é o fato de “Pearl” e “Casas” serem mais voltados para questões intimistas e românticas, enquanto “As Palavras, Vol. 1 & 2” propõe um olhar para o Brasil. 

— Tudo que eu tinha feito até ali era muito doce e fofo, só que estava tão descolado do momento em que vivíamos que eu parecia cantar um outro lugar. Fiquei pensando muito no futuro, quando eu tivesse 60 anos e olhasse para esse período bizarro e tristíssimo da nossa história, o que eu estaria cantando? O que eu e meus parceiros de geração estariam falando nesse momento?

Durante a palestra, o professor Sergio Mota e Rubel abordaram questões ligadas à brasilidade. Foto: Mateus Monte

Para isso, o cantor se debruçou na pesquisa sobre o Brasil. Esse processo fez com que Rubel percebesse o papel da música brasileira para a cultura e formação de nação: para ele, as canções não só refletem a realidade, elas a criam também. 

— A ideia do que é o sabor de pertencer ao Brasil vem muito do cancioneiro nacional, das palavras e ritmos que a gente aprende a cantar. A música e a literatura têm um pouco esse papel de invenção de um povo.  A função do artista também é essa: captar os signos do espaço e tempo que você vive e traduzi-los para as pessoas.

Outro fator indissociável do álbum foi o governo Bolsonaro. Com a quantidade expressiva de apoiadores e eleitores do ex-presidente, vários mitos e concepções do cantor a respeito do que é o Brasil e do que é ser brasileiro caíram. A onda de ódio contra minorias que se espalhou pelo país o chocou e o fez tentar entender de onde esse discurso e pensamento surgiram – e daí nasceu a pesquisa.

Nessa busca por uma nova visão do Brasil, “As Palavras, Vol. 1 & 2” é um passeio por diversos gêneros musicais nacionais, da MPB ao pagode, e conta com a participação de artistas como Xande de Pilares e Milton Nascimento. Para Rubel, o disco reflete quem ele é, um pouco caótico e plural, que escuta uma música triste do Tim Bernardes e, logo depois, um funk para equilibrar.

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