Corações Gentis: Seis Histórias De Amor
11/08/2023 15:27
Henrique Barbi

Eduardo Neiva volta ao Brasil para lançar novo livro

Eduardo Neiva em entrevista para a TV PUC. Foto: Diogo Maduell

Professor Emérito da Universidade do Alabama, em Birmingham, nos Estados Unidos, e ex-diretor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, Eduardo Neiva, está de volta ao Brasil para o lançamento da segunda obra ficcional de sua carreira: Corações gentis: seis histórias de amor. São 37 anos entre a primeira obra de ficção, Sapatilhas de Satã, escrita em 1986, e este novo trabalho, uma série de contos, lançada no dia 9 de agosto na livraria da Travessa do Leblon. Neiva é autor de 17 outros livros, diversos artigos — traduzidos inclusive em mandarim — e o lexicógrafo responsável pelo Dicionário Houaiss de Comunicação e Multimídia. O teórico, que mora desde meados da década de 1980 nos Estados Unidos, considera que  as escolas de Comunicação estão em momento de reinvenção. 

O que esperar do novo livro? E o que a publicação diz sobre a sua teoria de que não existe literatura nacional, com fronteiras? Toda literatura é mundial?

Eduardo Neiva: É um livro de maturidade. Ele retoma o que eu tinha feito antes, em 1986, mas de uma forma diferente. Antigamente, quando o trabalho era estritamente teórico, eu prestava atenção na ideia. Hoje, eu presto atenção em como o sujeito amarra o tênis, como uma mulher corta o cabelo, que roupa ela está usando. O nível de observação mudou, e também a liberdade. O trabalho de ficção é um trabalho de liberdade. Eu acho que o nacionalismo literário é mera pose, porque a ideia de literatura nacional é um delírio. As línguas são todas iguais, não na superfície, mas na estruturação. Então, quando você faz literatura, você está trabalhando a língua para todo o mundo. O resto é tudo ideologia, superfície. A imaginação é o que nos une, não o que nos separa.

Sua carreira pode ser dividida em duas etapas, uma no Brasil e outra nos Estados Unidos. Como esses dois mundos se refletem e relacionam com os seus estudos?

Neiva: Não houve nenhuma diferença, houve uma continuidade. Acontece que o Brasil dos anos 1980 estava insuportável, era um país difícil, e eu vi minha carreira indo por água abaixo. Foi quando fui para uma conferência nos Estados Unidos, as pessoas gostaram do meu trabalho e comecei a preparar a saída. Mas foi um processo só. Eu tive que me reinventar. Uma pessoa intimamente ligada a mim disse que eu sou um “absolute beginner” (iniciante absoluto), citando David Bowie. E realmente estou me reinventando o tempo todo. Tanto é que esse livro eu vivo como uma reiniciação. É o que me mantém, apesar do físico de 72 anos, espiritualmente jovem. Vida é invenção, imaginação. Uma das coisas que vou fazer quando voltar para os Estados Unidos é corrigir meus artigos e dividir em fases. Todas elas são sobre uma coisa: a questão da possibilidade, o critério lógico da possibilidade. É isso que me interessa, o mundo possível. Eu sou um demissionário do real.

As novas tecnologias ampliaram o campo da comunicação, permitiram que mais pessoas se tornassem agentes da comunicação e também abriram caminho para mais ruídos no processo comunicativo. Qual o papel da tecnologia na comunicação de hoje e de um futuro próximo?

Neiva: Quem disser que sabe, ou você interna porque é doido ou é por picaretagem. O que eu sei é o seguinte: faz-se hoje, tecnologicamente, mais do que Deus fazia durante a Idade Média. Para aonde se vai, ninguém pode saber, porque são interações, mas certos modelos teóricos caíram por terra. Por exemplo, o papel dado às normas no processo comunicacional, não é bem assim. Ao dar voz aos agentes, você cria novas concepções de verdade. É um novo mundo, da transmissão e do direito de falar. E, com isso, você cria ruídos que ninguém esperava. A paisagem da mídia mudou.

Que desafios o senhor considera que os cursos de comunicação têm hoje, já que há uma parcela de comunicadores hoje formada pelo domínio tecnológico e não pela profissionalização em escolas?

Neiva: Há muito tempo eu não penso formalmente na questão administrativa, porque nos Estados Unidos eu entrei numa espécie de exílio pessoal, com o objetivo de ler e estudar. Nós vivemos em um mundo marcado fundamentalmente pela ignorância. O que se deve pensar? Uma boa formação clássica, com autores que fazem parte do raciocínio humano, como Platão e Aristóteles, não é uma má ideia. Mas tem que deixar rolar, porque não há como prever nada. Vivemos no mundo da dúvida e da incerteza, o que para muitos é intolerável. É preciso aprender a conviver com a incerteza.   

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