PUC-Rio é eleita a 22ª universidade mais sustentável do Brasil
25/10/2023 17:51
Angelo Ye

Ranking Internacional avalia e pontua mais de mil instituições no mundo

Bicicletário Acesso 2, inaugurado este ano. O local pode abrigar até 200 bicicletas em dias de grande rotatividade. Foto: Mateus Monte.

A Vice-Reitoria de Infraestrutura e Serviços (VRIS), responsável pela implementação e manutenção dos bicicletários da PUC-Rio, anunciou, recentemente, que uma das metas da Universidade é uma boa avaliação no ranking UI GreenMetric. O “selo” qualifica as instituições mais sustentáveis. Iniciativa da Universidade da Indonésia, a métrica  avalia, pontua e cria um ranking de mais de mil universidades do mundo baseado em práticas e compromisso com o desenvolvimento sustentável. O maior objetivo é incentivar a consciência sustentável entre os alunos. São seis categorias e o transporte ecológico, como o uso de bicicletas para se locomover até o campus, é uma delas.

No ranking internacional, a PUC-Rio conquistou a posição de 22ª universidade mais sustentável do Brasil, em 2022. Se depender dos planos da Vice-Reitoria da PUC-Rio em acabar com a circulação de carros no campus, haverá um crescimento substancial dos fãs das pedaladas.

Desde que foi instalado na Universidade, o bicicletário foi imediatamente adotado por alunos, professores e funcionários. Prova disso é o aumento significativo no número de pessoas que usa o transporte para se deslocar até a PUC-Rio. Atualmente, há 350 vagas, podendo chegar a 425 em dias de maior movimento. Ao todo, são cinco bicicletários espalhados por pontos estratégicos no campus: quatro deles para bikes elétricas e um para bicicletas convencionais. Se for levado em conta as estações com bicicletas do Itaú, este número fica ainda maior. A menos de cinco minutos da PUC-Rio, há duas estações, com 15 vagas cada.

Inaugurado no início deste ano, o bicicletário "Acesso 2", como é conhecido entre os funcionários da Coordenadoria de Parqueamento, fica próximo às barraquinhas, ao lado da entrada do terminal de ônibus. O espaço foi cedido pelo MetrôRio e tem capacidade para 140 bicicletas elétricas e pode chegar a 200 devido à rotatividade. Já o Bicicletário Central,  primeiro a ser construído, fica no terminal de ônibus, na Avenida Padre Leonel Franca. O espaço conta com capacidade para 115 “magrelas” e é exclusivo para bicicletas comuns.

Bicicletário Central, primeiro a ser construído, é exclusivo para bicicletas convencionais. Foto: Mateus Monte.

Morador do Leblon e aluno do 6º período de Direito João Frederico Terra, 21 anos, conta que as viagens de bicicleta até o campus são bem mais rápidas e ainda não poluem o meio ambiente.

— Gasto cinco minutos de deslocamento. É conveniente também, porque economizo bastante com transporte. Além disso, acho muito importante usarmos transportes alternativos como uma opção ao carro.

João Frederico se prepara para ir embora de bicicleta depois de um dia de aula. Foto: Mateus Monte.

Para atender a um aumento de demanda, uma nova unidade foi inaugurada no acesso da Rua Marquês de São Vicente no início deste ano com capacidade para mais 15 vagas. O fato de os estacionamentos contarem com espaço para bikes elétricas diminui ainda mais os impactos ambientais. De acordo com dados divulgados em O Estadão, pesquisadores da Aliança Bike e do Laboratório de Mobilidade Sustentável da UFRJ concluíram que, aqueles que usam a bicicleta como meio de transporte em vez do carro, deixam de emitir 4,4 kg de dióxido de carbono (CO2) anualmente.

Bicicletário na entrada da Rua Marquês de São Vincente. Para evitar acidentes, não é permitdo circular de bicicleta dentro do campus. Foto: Mateus Monte.

Além de ser ambientalmente amigável, o uso da bicicleta traz benefícios à saúde que vão desde a melhora da condição cardíaca até a prevenção da obesidade.

O meio de transporte ecológico parecia destinado ao aluno do 2º período de Engenharia da Computação Pedro, 19 anos, que carrega o sobrenome de Saúde. Ele também enumera o custo-benefício da bike elétrica.

— Não gasto nada, só com o preço e manutenção da bike. Moro no Arpoador, levo 20 minutos até aqui e não preciso ficar dependente do ônibus. Já faz um ano que venho assim para PUC-Rio, menos quando está chovendo, porque aí não tem jeito.

Estudante de Engenharia da Computação e morador do Arpoador, Pedro Saúde usa a bike todos os dias para ir à Universidade. Foto: Mateus Monte.

A Coordenadoria de Parqueamento da Universidade estabelece algumas regras para manter o bom funcionamento desses espaços, que são de uso coletivo. Por exemplo, o pernoite é proibido. Caso o usuário esqueça a bike em algum dos estacionamentos, os funcionários da Coordenadoria de Parqueamento são instruídos a trancá-la e deixar uma notificação para que o veículo possa ser liberado pelo proprietário.

— A medida é para evitar que as pessoas deixem a bicicleta “largada” na Universidade. Muita gente já deixou a bicicleta aqui e nunca mais voltou. Isso acaba atrapalhando o fluxo de alunos e funcionários que usam os bicicletários durante a semana — destaca a coordenadora da unidade, Fernanda Mota.

Para se ter um controle das bikes que entram e saem do campus, alunos, professores e funcionários devem informar nome completo, curso e matrícula na primeira vez que usam os bicicletários. Com esses dados, o nome do proprietário vai para uma lista, que é atualizada conforme novos “cadastrados” comecem a utilizar os locais. A adoção dessa lista busca dar segurança para os donos das bicicletas.

Se mais membros da comunidade PUC-Rio adotarem esse tipo de transporte, o sonho da VRIS de zerar o número de carros no campus pode estar cada vez mais perto. A longo prazo, a Universidade pode até desbancar as universidades holandesas no UI GreenMetric, primeirissimas no ranking. A Holanda ainda é a capital mundial das bicicletas.

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