Campus aberto para a Amazônia
06/06/2023 17:59
André Bocaiuva

No fórum Amazonizar, Reitor da PUC-Rio reflete sobre a relação do homem com a floresta

Painel do Fórum AMAZONIZAR PUC-Rio. Foto: Caio Matheus

A PUC-Rio iniciou o projeto Amazonizar com um fórum de palestras realizado no dia 29 de maio. As exposições foram divididas nos turnos da manhã e da tarde com o objetivo de inserir temas relativos à Floresta Amazônica na Universidade para gerar mais conhecimento sobre esta região do país. O Reitor da PUC-Rio, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., afirmou que a iniciativa não é algo restrito a um  departamento, mas sim a um compromisso de toda a Universidade. Ele explicou que o formato de fórum foi escolhido para abrir um caminho de diálogo e compreensão, que são pilares fundamentais para o jesuíta.

Padre Anderson contou que o projeto Amazonizar é inspirado na Exortação Apostólica Pós-Sinodal, do Papa Francisco, Querida Amazônia, documento conclusivo sobre o Sínodo da Amazônia de 2019. O Sínodo teve como objetivo identificar novos caminhos para o cuidado dos povos indígenas que, para o Pontífice, são muitas vezes esquecidos pela sociedade e não têm perspectivas de um futuro sereno.

— Tudo nasceu com esse sonho, palavras e gestos do Papa Francisco. Sempre estive muito atento, desde o momento que ele foi eleito como Papa, naquilo que Francisco coloca para nós como grande desafio para a Igreja. E quando o Pontífice fala da Amazônia e move o território eclesialmente e politicamente, ele dá uma atenção para este lugar e esta grande questão.

O Reitor explicou que o Projeto Amazonizar tem como objetivo refletir sobre a ação humana na natureza - que, por muitas vezes, acaba por destruir - e criar uma questão das relações do homem com a realidade. Padre Anderson acredita que a Amazônia tem muito a ensinar para a sociedade e, por causa disso, é necessário adentrar com uma certa distância saudável, mas sempre mantendo a curiosidade do pesquisador. As universidades, para ele, têm o papel de incentivar a entrada respeitosa na floresta, com o objetivo de juntar os saberes científicos e humanistas.

Reitor Padre Anderson Antonio Pedroso S.J. abre Fórum AMAZONIZAR. Foto: Caio Matheus

O jesuíta acredita que a PUC-Rio é diferente de todas as outras instituições de ensino superior, por causa do DNA da Companhia de Jesus, que consiste em um método específico de realizar as tarefas. De acordo com ele, a Universidade não é uma rede, mas sim uma marca que é confiada a uma congregação religiosa. O Reitor revelou a ação do Papa de apontar a Igreja para a Amazônia, o que fez com que a Ordem dos Jesuítas se sentisse convocada a pensar sobre o tema. Para isso, foram estabelecidas quatro prioridades apostólicas: mostrar o caminho para Deus, caminhar ao lado dos pobres, acompanhar os jovens e o zelo pela Casa Comum.

O Reitor reiterou a necessidade da Universidade de se transformar. Segundo ele, o mundo está mudando, e a PUC-Rio não pode ser uma instituição que não seja inclusiva e comprometida com as grandes causas da atualidade. O Projeto Amazonizar visa a esta transformação, pois, para Padre Anderson, a Universidade, com a história e potência de pensamento que apresenta, não pode deixar de se posicionar a favor dessas causas.

O jesuíta mencionou que um dos passos para o início da iniciativa da Amazonizar era transformar o campus em um lugar comprometido ecologicamente. Ele contou que recebeu uma lista com diversas alternativas, que serão implementadas, mas, ressaltou, não podem ser a única atitude da PUC-Rio. Padre Anderson apontou que é necessário sair do campus e, para isto, é preciso abri-lo para a Amazônia. Assim, assinalou, a Universidade pode convergir as suas diversas produções para absorver o que a Amazônia tem para ensinar.

- A Universidade é um lugar de encontro de saberes, mas, muitas vezes, ela é estruturada para que o conhecimento seja tão especializado e particular, que esquecemos da totalidade e da capacidade de criar. É no diálogo entre nós que vão nascer iniciativas novas e convergências de ideias já existentes.

O Reitor observou que o verbo Amazonizar foi escolhido porque o primeiro passo é uma tomada de consciência, ou seja, é preciso “se amazonizar”. Este método, de escolher poucas tarefas possíveis de serem realizadas, é utilizado pelos jesuítas, que não pretendem propor e resolver tudo de uma só vez. Ele definiu a PUC-Rio como um transatlântico, montado para grandes travessias, como esta.

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