Os limites (ou não) da Inteligência Artificial
28/06/2023 16:03
Bernardo Brigagão

Especialista em IA, David Espindola diz que o futuro chegou e as mudanças na sociedade podem ser radicais

Palestrante David Espindola vai lançar seu segundo livro. Foto: Kathleen Chelles

Especialista em mudanças transformacionais em organizações, David Espindola se inspirou no filme Rio, de Carlos Saldanha, para se aventurar profissionalmente nos Estados Unidos. Na animação, o personagem principal deixa o Rio de Janeiro muito jovem para viver em Minnesota. O carioca Espíndola mora há 40 anos na Terra do Tio Sam, já trabalhou no Vale do Silício, e hoje é conselheiro do Technological Leadership Institute, da Universidade de Minnesota. De passagem pelo Brasil, participou da palestra sobre “Tecnologias emergentes e Inteligência Artificial: impactos nos negócios e na sociedade”, no dia 20 de junho, no Auditório do IAG.

David Espindola durante a plestra no IAG. Foto: Kathleen Chelles

A evolução da tecnologia é algo que espanta pela rapidez e complexidade dos avanços ao longo das décadas. No início do século XX, por exemplo, havia três tecnologias que mudaram o mundo moderno, apenas. Hoje, é possível apontar pelo menos oito inovações que geraram grande impacto na sociedade e na estrutura das instituições. Entre essas tecnologias, é possível citar a biotecnologia, computação quântica, robótica e a Inteligência Artificial (IA). Esta última tem três vetores principais: avanços algorítmicos, capacidade computacional e explosão de dados. 

Além dos vetores, existem três tipos de Inteligência Artificial: a fraca, a geral e a super inteligência. A fraca consiste numa IA muito especializada, não tem a capacidade de absorver conhecimentos gerais como o ser humano. A IA geral é tão capaz quanto a inteligência humana, enquanto a super, algo que ainda está no plano teórico, ultrapassa a suficiência intelectual de nós, humanos. 

David Espindola disse que não há nenhuma evidência de que a máquina possa alcançar a raça humana em termos de inteligência e desenvolvimento de consciência própria. Mesmo com essa certeza, o receio da sociedade com o surgimento de plataformas e estudos voltados para a Inteligência Artificial é algo que chama atenção dos especialistas. Espindola também trouxe o exemplo do filme O Exterminador do Futuro, em que as máquinas tentam eliminar a humanidade. 

— Não estamos nem perto de alcançar a inteligência geral, muito menos a super. As máquinas não têm nenhum desejo ou vontade própria. Os especialistas em IA concordam que o perigo de uma corrida armamentista impulsionada pela Inteligência Artificial é muito maior do que o cenário do Exterminador do Futuro.

Auditório do IAG duarnte a palestra. Foto: Kathleen Chelles

Os desafios de inserir essa gama tecnológica na educação é um ponto  importante bastante debatido nas escolas e universidades, um desafio na frente educacional. A febre do ChatGPT, plataforma de IA textual, por exemplo, gera discussões sobre a formação dos jovens da nova geração que estão em constante contato com este tipo de ferramenta. Para Espindola, é importante ficar atento às peculiaridades do ChatGPT, pois não se deve pensar que a máquina é imune a falhas.

— Muitas vezes o Chat fornece uma informação que não é correta, pois ele não entende nada do que está dizendo. Está simplesmente usando probabilidades para saber como colocar essas palavras de maneira correta, uma atrás da outra, baseado em conhecimentos que tirou de um processo de treinamento que usa a Internet e livros.É muito importante que nós humanos, no estágio que estamos vivenciando hoje,tenhamos  essa percepção.Apesar de tudo, o que é interessante é o fato do ChatGPT dar uma resposta convincente.

Espindola chamou a atenção para as plataformas de IA, como o ChatGPT. Foto: Kathleen Chelles

A IA pode ser aplicada em muitas esferas e uma delas é o esporte. Durante a palestra, Espindola apresentou o caso do Minnesota Twins, equipe de beisebol americana, que utiliza Inteligência Artificial para detectar armas na entrada do estádio, compra de ingressos, apostas e até pedidos de alimentos, para, assim, melhorar a experiência dos torcedores. A partir deste exemplo, a notoriedade presente nas áreas de atuação da IA nos mais diversos setores da sociedade, é nítida. 

Além do esporte, é possível observar a Inteligência Artificial aplicada nas manufaturas, como em fábricas autônomas e em distribuições, na otimização de rotas de entrega. Também existem casos de IA em planejamentos de ações de marketing e vendas, que geram conteúdo personalizado às empresas. A palestra “Tecnologias emergentes e Inteligência Artificial: impactos nos negócios e na sociedade” foi promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Metrologia, Qualidade, Inovação e Sustentabilidade (PÓS MQI).  

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