A nova cultura
05/07/2023 16:00

PUC-Rio promove a XXIX Semana de Meio Ambiente

Semana do Meio Ambiente proporcionou encontros e debates. Foto: Caio Matheus

A XXIX Semana de Meio Ambiente promoveu reflexes sobre o tema “Florestania e Cidadania” entre os dias 13 e 16 de junho. A iniciativa da Universidade, organizada pelo Ncleo Integrado de Meio Ambiente (NIMA), tem como objetivo disseminar conceitos e prticas voltadas para a proteo ambiental, a preservao da biodiversidade, o desenvolvimento econmico e social e a criao de condies para uma vida melhor.

O Reitor da PUC-Rio, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., abriu a semana. Ele comentou sobre como a Universidade e a sociedade no podem estar fora da discusso sobre o meio ambiente, principalmente neste momento de globalizao e quebra de pensamentos e padres. Padre Anderson contou que existem temticas que precisam ser abordadas com mais empenho, e a questo climtica uma delas. O Reitor acredita que os problemas ambientais no deveriam ser um tema restrito a um grupo de interesse especfico, e sim para o mundo todo. 

Padre Anderson explicou sobre como o Projeto Amazonizar vai mudar a cultura da PUC-Rio, ou seja, a Universidade vai voltar os olhares para a Amaznia. Ele reiterou que preciso ter cuidado ao tratar da floresta, pois necessrio quebrar a lgica colonialista e ir em direo ao meio ambiente para aprender com ele.

O diretor do Nima, professor Marcelo Motta, disse que o ncleo foi criado para transpassar as barreiras das disciplinas, que s vezes podem estar isoladas dentro do campus.

Painel Polticas Pblicas Ambientais

O primeiro painel da semana “Polticas Pblicas Ambientais” teve a presena da presidente da ANAMMA RJ, Shayene Barreto, da Secretria Municipal de Meio Ambiente e Clima, Tain de Paula, e do Presidente do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), Phillipe Campello, que substituiu o Vice-Governador do Estado do Rio de Janeiro e Secretrio Estadual de Meio Ambiente, Thiago Pampolha.

Os palestrantes discutiram sobre as polticas pblicas voltadas para o ambientalismo e apontaram para a importncia da restaurao da fauna e da flora da Mata Atlntica. Phillipe Campello pontuou que o Rio de Janeiro formado inteiramente por esta vegetao e que h um empenho da equipe do INEA  para recuperar este rico bioma.

Tain de Paula abordou outro tpico: a emisso de gases estufa. Ela contou que os pases que mais produzem esses gases so os que menos sofrem e, por isto, acabam por no se importar tanto com o tema. Shayenne Barreto concordou com a Secretria Municipal e acrescentou que preciso agir de forma local, mas com foco na mudana global.

Marcelo Motta, Shayene Barreto e Thiago Pompolha. Foto: Caio Matheus

Painel Conservao

O painel Conservao abriu a manh do segundo dia da Semana de Meio Ambiente. O Coordenador Geral de Gesto do SNUC - DAP/SBio/MMA, Bernardo Issa, fez uma palestra e mediou os comentrios dos outros convidados. Bernardo explicou a importncia do Sistema Nacional de Unidades de Conservao da Natureza (SNUC) que, para ele, so reas fundamentais Desde que elas foram estabelecidas, os ndices de desmatamento baixaram.

A mesa de debate foi composta pelo professor Gabriel Paes da Silva Sales, do Departamento de Biologia, Ricardo Sousa Couto, integrante da Secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Tamoio Athayde Marcondes, da Advocacia Geral da Unio (AGU), Ceclia Varanda, do Ibiti Projeto, Pedro Taucci, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amaznia (INPA), e Domingos Romeu Andreatta, da Eletrobras.

Ricardo Couto contou que a Prefeitura do Rio de Janeiro criou um programa de proteo e conservao da fauna e flora nativa carioca, que funciona como checklist de todas as espcies do municpio. Para isso, so utilizados dados de herbrios e de licenciamentos ambientais, que servem para calcular um grau de ameaa de extino das espcies.

Ceclia Varanda, do Ibiti Projeto. Foto: Caio Matheus

Painel Mudanas Climticas

O segundo dia da XXIX Semana de Meio Ambiente foi marcado pelo painel “Mudanas Climticas”, mediado pelo professor Rodrigo Paixo, do Departamento de Geografia da PUC-Rio e reuniu quatro convidadas ligadas ao tema: professora Maria Fernanda Lemos, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo  e que faz parte do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), Danielle Moreira, do Grupo de Pesquisa Direito, Ambiente e Justia no Antropoceno, Anna Crcamo, do Climate Policy Initiative (CPI -PUC-Rio) e Ana Cristina Malheiros, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental. 

O painel abordou desde discusses geogrficas, questes socioambientais a assuntos jurdicos, a partir das exposies das palestrantes. Pesquisadora do IPCC, a professora Maria Fernanda Lemos compartilhou um relatrio que mostra como possvel dois trabalhar com base em dois conceitos, mitigar e adaptar. Eles significam, respectivamente, reduzir emisses de gases estufa e lidar com os efeitos do aquecimento global. Mas, observou a pesquisadora, as mudanas climticas no so motivos de boas notcias e o sentimento de esperana muito distante. 

— Estamos perdidos. Precisamos encontrar outro modelo de desenvolvimento. Somos treinados no IPCC para dar boas notcias, mas no tenho nenhuma esperana de que vamos reduzir nossa vulnerabilidade. As mudanas climticas e seus impactos ampliam a desigualdade, um beco sem sada. uma opinio inteiramente pessoal, e espero que meus colegas do IPCC no me ouam.

Convidadas do Painel Mudanas Climticas. Foto: Kathleen Chelles

Painel gua para Todos

O terceiro dia da Semana comeou com o painel gua para Todos, composto pela mesa formada por Alexandre Bianchini, CEO guas do Rio, Marilene Ramos, Diretora de Relaes Institucionais guas do Brasil, Alexandre Socci, ativista e ex-fotgrafo, Rene Silva, jornalista do jornal Voz das Comunidades, e Phillipe Campello, presidente do Instituto Estadual do Ambiente (INEA).

Antes do incio da mesa-redonda, o presidente do World Water Council (WWC), Benedito Braga, observou que a gua um recurso escasso e, por isto, preciso saber us-la de forma inteligente. Benedito ressaltou o papel fundamental dos fruns mundiais sobre a gua, especialmente para os pases menos desenvolvidos, que, muitas vezes, tm o PIB atrelado quantidade de chuva. 

Alexandre Socci revelou que decidiu se tornar um ativista aps diversos trabalhos como fotgrafo. Ele contou que queria mostrar para o mundo a realidade por trs de suas imagens que, muitas vezes, no eram 100%  verdadeiras. Ao se dar conta da quantidade de lixo que ele tinha que tirar durante os ensaios fotogrficos, criou um movimento em So Paulo para conscientizar a populao sobre o problema do descarte de resduos.

Painel Saneamento e Desenvolvimento

A tarde do segundo dia da XXIX Semana do Meio Ambiente foi voltada para o saneamento bsico. Mediado pela professora Valria Bastos, do Departamento de Servio Social, a mesa teve a presena de Aguinaldo Ballon, da Companhia Estadual de guas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE), Murilo Bustamante, do Ministrio Pblico, Marcos Vinicius, da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro(PGE/RJ) e Eduardo Chow, defensor pblico. 

No encontro, as questes jurdicas nortearam a discusso O objetivo era entender no s como o saneamento pilar essencial para o desenvolvimento social como tambm essa relao ocorre na cidade do Rio de Janeiro. Tambm foi ressaltado a ao das agncias reguladoras desse tipo de servio. Chow, em particular, apontou que as populaes mais vulnerveis so profundamente atingidas porque o saneamento bsico tambm deve ser entendido como parte dos direitos humanos.

Painel Territrios e Saberes

No painel Territrios e Saberes, organizado na tarde do dia 15, os palestrantes abordaram temas relacionados territorialidade e utilizaram como exemplo o  do caso da comunidade do Horto, conjunto de 11 localidades que ficam a poucos metros do Jardim Botnico do Rio de Janeiro. O mediador do debate foi o professor Rafael Nunes, do Departamento de Geografia e Meio Ambiente. Em sua fala inicial, o docente lembrou o quanto importante a questo da representatividade. No caso da tentativa de remoo da comunidade do Horto, que comeou no incio dos anos 1980, assinalou, importante que os habitantes se sintam representados e vistos como pertencentes daquele lugar, para ento tomar medidas para permanecerem l. 

O caso bem emblemtico e ganhou repercusso na grande mdia, com reportagens sobre confrontos entre moradores e policiais que cumpriam ordens de reintegrao de posse. O presidente da Associao de Moradores e Amigos do Horto (AMAHOR), Fbio Dutra Costa, afirmou que mentirosa a alegao da mdia de que os moradores da comunidade so invasores. Segundo ele, o prprio Jardim Botnico e a Unio cederam o territrio onde foram construdas as casas. Alm disso, a ocupao estaria cumprindo a funo social da terra, garantida pela Constituio. 

De acordo com o presidente da AMAHOR, a tentativa de reintegrao de posse, que tem como principal justificativa a suposta invaso dos moradores a uma rea que pertence ao Instituto de Pesquisas Jardim Botnico do Rio de Janeiro, na verdade no passa de um argumento invlido, uma vez que o territrio onde esto as residncias vale milhes de reais. Costa disse que o local vai ser usado para construo de condomnios de luxo. 

Painel Ambiente e Espiritualidade

O ltimo dia da XXIX Semana do Meio Ambiente teve a presena de Andr Trigueiro, jornalista da Globo, Padre Arnaldo Rodrigues da Silva, Reitor da Igreja do Sagrado Corao de Jesus e professor do Departamento de Comunicao da PUC-Rio, Sharah Luciano, presidente do Instituto de Estudos da Religio, Clemir Fernandes, pastor Batista, e Matriarca Flavia Pinto, da Casa do Perdo.

Andr Trigueiro ressaltou a importncia do movimento da Universidade em direo ao respeito ao meio ambiente. Ele afirmou que uma universidade do tamanho da PUC-Rio no pode ficar de fora desta discusso. O jornalista tambm disse que a religio e filosofia espiritualista tem relao com a sustentabilidade, pois elas entendem que o  sagrado est presente na natureza. Para Trigueiro, o seguidor da filosofia deve cuidar do planeta.

Padre Arnaldo destacou uma passagem do Gnesis (Gn 1, 26-28) e duas palavras presentes: dominar e submergir. Ele explicou que muitas vezes h uma interpretao errada desses verbos. Segundo ele, as expresses podem ser substitudas por responsabilidade, pois preciso entender que a realidade faz parte da criao de Deus e, por isso, no pode haver um domnio da natureza com o uso desenfreado.

Andr Trigueiro abraa Me Flvia. Foto: Caio Matheus

Painel Racismo Ambiental

No painel Racismo Ambiental, realizado na tarde do dia 16, o palestrante Humberto Baltar introduziu o assunto com uma pequena histria. O professor de ingls da rede pblica contou como foi sua infncia em uma comunidade pobre da Baixada Fluminense e como o fato de ter poucos recursos e crescer em um lugar onde no havia saneamento bsico, nem estradas, contribuiu para que a degradao do meio ambiente fosse sentida com muito mais intensidade por ele. Ainda comentou que este fato afetou sua autoestima durante muito tempo. O racismo ambiental um termo utilizado para se referir ao processo de discriminao que populaes das periferias ou compostas de minorias tnicas sofrem com a a degradao ambiental. 

A professora Carolina Pires, do Departamento de Direito, trouxe novamente para o centro de discusso o caso da comunidade do Horto. Ela mencionou que h pontos especficos que devem ser levados em conta quando se trata do tema. Ela mostrou dados do IBGE em que este relata que 60% da comunidade composta por pessoas negras, enquanto bairros de classe mdia alta que ficam ao redor tm 80% de pessoas brancas. Isto, segundo ela, evidencia que o fator racial determinante para a remoo dos moradores do Horto. 

— A comunidade do Horto uma ilha dentro de uma territorialidade branca. Isto muito interessante para pensarmos como uma comunidade formada. No incio, quando os primeiros assentamentos foram formados a partir da doao das terras pelo ento Parque do Jardim Botnico, no havia problema nenhum. Mas em determinado ponto, ela passou a ser vista como persona non grata. 

Auditrio do RDC na Semana do Meio Ambiente. Foto: Caio Matheus

Participaram desta cobertura: Andr Bocaiuva, Angelo Souza, Bernardo Brigago e Mauro Machado.

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