Assembleia aprova por unanimidade a refundação da ADPUC
25/03/2019 17:03
Juan Pablo Rey

Professores de diversos departamentos participam da votação no auditório B6

Auditório B6 estava cheio. Foto: Amanda Dutra

A assembleia geral de professores da Universidade decidiu por unanimidade pela refundação da Associação dos Docentes da PUC-Rio (ADPUC). Com o auditório B6 completamente lotado, a reunião ocorreu no dia 20.  O objetivo era o retorno da associação, fundada nos anos 1970, e que teve papel ativo em um contexto de lutas democráticas, em momentos de crises políticas, econômicas e de gestão. Após a decisão, foi criada uma diretoria provisória, encarregada de elaborar um regimento que será discutido e aprovado em uma próxima assembleia, marcada para o dia 22 de maio.

Para os idealizadores da refundação, o desejo de reelaborar a ADPUC traz dois desafios: por um lado, a defesa da liberdade de cátedra e dos princípios constitutivos de uma universidade de ensino e pesquisa. Do outro, a recuperação do papel ativo e participante dos docentes perante a situação econômica atual do país, que tem reconfigurado os modelos de financiamento de pesquisa, ensino e gestão universitária.

Os docentes que se reuniram nos últimos meses estavam representados na mesa principal pelos professores João Ricardo Wanderley Dornelles, do Departamento de Direito, Mônica Frota, do Departamento de Artes & Design, Henrique Estrada Rodrigues, do Departamento de História, e a professora Alessandra Maia, do Departamento de Ciências Sociais.

Professores na mesa principal. Foto: Amanda Dutra

Segundo o professor Henrique Estrada Rodrigues, a ideia da refundação se fortaleceu gradualmente. Para ele, uma possível nova crise econômica e política no Brasil levou ao desejo de recriar uma associação que permita dar voz a execução de projetos, anseios e insatisfações dos docentes.

- A princípio conversamos com oito ou nove professores em outubro, mobilizados pela conjuntura eleitoral. Isso gerou três reuniões sucessivas e, na última reunião, em dezembro, já tínhamos um corpo representativo de professores. Chegamos à conclusão que seria interessante propor uma assembleia geral para rediscutir a refundação da ADPUC. A maré política, a maré econômica, as situações internas da Universidade viraram de uma tal forma que os professores sentiram vontade e necessidade de tentar pensar de novo em uma ação coletiva.

Ainda segundo Rodrigues, a associação deve reunir pessoas de diferentes departamentos para que possa haver uma troca de experiências comuns. O professor acredita que o retorno da ADPUC pode ser importante para promover mais interação entre os departamentos.  

- Queremos uma associação que possa nos tirar do isolamento com troca de ideias, de projetos. Chegamos à conclusão que uma associação docente talvez fosse um espaço interessante para juntar pessoas diferentes e repensar conjuntamente com pluralidade de ideias a Universidade que queremos. Acreditamos que isso pode ter vitalidade e pode nos mobilizar de uma maneira interessante.

Durante a assembleia, a história da ADPUC foi lembrada. O professor João Ricardo Wanderley Dornelles, do Departamento de Direito, lembrou que participou de algumas reuniões da ADPUC na década de 1980.

- Apesar de não ser um participante no sentido orgânico, frequentava as assembleias, acompanhava o que acontecia. Aquele momento dava resposta não somente a uma conjuntura nacional de redemocratização, mas também a uma conjuntura vivida pela crise dos anos 80 que afetava as diversas universidades, assim como a nossa.

Um dos momentos mais emblemáticos da reunião foi a presença de Berenice Cavalcante, ex-professora do Departamento de História. Ela participou ativamente desde o estabelecimento da ADPUC, no final dos anos 70. Ela comparou o momento da criação da Universidade com o da ADPUC, e se emocionou ao discursar sobre a refundação.

- Estou bastante emocionada de ver esse plenário tão cheio, tão repleto. Tenho ótimas recordações dos 30 anos que trabalhei na PUC. Felizes do ponto de vista acadêmico, afetivo e, sobretudo, do ponto de vista político. A fundação da PUC, em 1940, tem uma relação também com uma certa crise que o país e a sociedade brasileira viviam. Sua fundação foi para defender o humanismo e a pluralidade de pensamento, e o aniversário de 40 anos da PUC coincide com a fundação da ADPUC. A crise atual, em certa medida, se relaciona com a crise da fundação da ADPUC nos anos 80.

Também ex participante ativa na década de 80, professora Giselle Cittadino, do Departamento de Direito, pediu a palavra e citou as circunstâncias conflituosas em que a associação surgiu e os benefícios que a ADPUC ajudou a trazer para a Universidade.

- A ADPUC não surgiu em um ambiente bom. O CTC e o Departamento de Economia ganhavam ligeiramente mais que os professores que integravam o Centro de Ciências Sociais e o Centro de Ciências Humanas. Isso estava vinculado aos recursos que vinham do Governo Federal, até que a crise bateu e o dinheiro desapareceu. Isso fez com que sentássemos e decidíssemos nosso futuro. Gradualmente, as coisas foram se ajustando. Hoje temos uma única PUC, com programas de pós-graduação consolidados e bem avaliados em todos os centros. Acredito que vamos enfrentar uma crise econômica talvez até pior do que nos anos 80. É fundamental a recriação da ADPUC.

Professores acompanharam atentamente o que foi dito na Assembleia. Foto: Amanda Dutra

Após decisão unânime pela refundação da ADPUC, foi escolhida uma diretoria provisória: professora Rosália Duarte, do Centro de Tecnologia e Ciências Humanas (CTCH), professores Fábio Leite e Sérgio Veloso, do Centro de Ciências Sociais (CCS) e professores Sérgio Lifschitz e Joel Vieira Baptista Junior, do Centro Técnico Científico (CTC). Os quatro professores que formaram a bancada principal na reunião também farão parte da diretoria.

O primeiro objetivo dos novos diretores será a criação do novo regimento que, se aprovado na próxima assembleia, será registrado em cartório. Para o professor João Ricardo Wanderley Dornelles, o regimento da antiga ADPUC pode ser aproveitado, com modificações para atender ao contexto atual.

- Não é necessariamente “descobrir a roda”. O modelo anterior pode ser aprimorado. É aprimorar o que deu e continua dando certo, mas que deve enfrentar essa nova conjuntura. O refundar é dar continuidade a uma série de coisas que conquistamos, trazendo elementos novos e tendo uma nova instância, ligado a projeto acadêmico, liberdade de cátedra, autonomia universitária, e uma série de coisas. É uma continuidade que traz elementos novos.

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