Brasil e Coreia do Sul, uma relação de ‘panela velha’
06/05/2019 15:57
Paula Veiga

Iniciativas de paz, desarmamento nuclear e cultura foram alguns dos assuntos discutidos pelo embaixador sul-coreano

Emabixador sul-coreano fala sobre relações com o Brasil. Foto: Bia Cortes

O embaixador da Coreia do Sul, Kim Chan-Woo, visitou a Universidade no dia 2 e ministrou a palestra 60 anos das relações entre Brasil e Coreia do Sul. Durante a conversa, organizada pela Coordenação Central de Cooperação Internacional (CCCI), o embaixador explicou que um dos motivos da visita foi para celebrar os anos de amizade e relações diplomáticas oficiais entre os dois países. 

Kim Chan-Woo narrou a história coreana, a descreveu como memória de um passado triste que traz dor ao coração. A guerra civil na Coreia foi entre 1950 e 1953 e, para se reerguer, o país precisou de ajuda internacional. Hoje, afirmou o embaixador, a Coreia do Sul busca retribuir a ajuda externa. Ele também citou doações de auxílio para a comunidade mundial e ações de pacificação como algumas das atitudes que são praticadas pelos coreanos.

A população coreana é de 50 milhões, o que corresponde a aproximadamente 1/4 da brasileira, enquanto o território equivale a 1/85 do país sul-americano. Com 5000 anos de história, agora o país assume a 11ª colocação mundial em maior Produto Interno Bruto (PIB), valor que chega a quase US$ 30 milhões, além de ser o oitavo com mais exportações no cenário internacional. Os coreanos descrevem a mudança na economia como milagre do Rio Han. O embaixador falou que entre os produtos que saem da nação estão os semicondutores, navios e automóveis.

- Apesar de sermos pequenos, podemos nos orgulhar de termos uma economia do mesmo tamanho da brasileira. Na junção de exportações e importações comerciais com o Brasil, a média entre 2010 e 2018 é de US$10 bilhões, o país está em permanente esforço para alcançar a marca de US$20 bilhões, já atingida anteriormente. O investimento acumulado da Coreia no Brasil é de US$ 10 bilhões.

Intercâmbio humano foi outro assunto do encontro. Kim Chan-Woo mencionou que ao passo que 20 mil brasileiros visitam a Coreia todo ano, 40 mil coreanos vão ao Brasil. Além dos turistas, o embaixador mostrou que graças ao programa Ciências Sem Fronteiras, entre 2012 e 2015, 500 estudantes foram ao território asiático, a Coreia foi um dos países que mais recebeu brasileiros na Ásia. Para chegar ao país de avião, o percurso leva pelo menos 24 horas. No momento quatro alunos da PUC-Rio estão na Coreia, contou a Senior Advisor da PUC-Rio Nancy Guimarães.

- Os alunos se inscrevem duas vezes ao ano, podem indicar até três universidades para aplicar. Passam primeiro por uma banca de seleção e, a partir daí, eles são selecionados para ir à uma universidade do exterior. Pode ser da Coreia ou em outro país asiático. O idioma principal é sempre o inglês, aprender o coreano é opcional.  Se o estudante gostar, pode ficar mais um semestre assistindo às aulas em coreano. Com a carta de uma universidade asiática de aceitação, se torna fácil adquirir o visto.

Kim Chan-Woo espera que a Coreia e o Brasil fiquem juntos nos próximos 60 anos. Foto: Bia Cortes

Em breve será concluído o programa Férias-Trabalho em que estudantes poderão estudar e trabalhar em outro país, será uma oportunidade de troca, assegurou o embaixador. Ele relatou que a cultura do próprio país é um atrativo aos estrangeiros, entre os encantos coreanos há as comidas tradicionais como o kimchi, a vestimenta tradicional, o hanbok, a arte marcial Taekwondo e o gênero musical K-pop. Kim Chan-Woo observou que, apesar da distância geográfica, a “social network” possibilita fácil acesso à troca de informações entre as duas nações.

- Para os coreanos, 60 anos representa o fechamento de um ciclo. Em 2019, o Brasil e a Coreia começam uma nova etapa de amizade. Gosto muito do ditado brasileiro: panela velha é a que faz comida boa. Isso representa a relação entre os dois países. Em 1963, ocorreu a primeira imigração de um coreano ao Brasil, e neste ano o maior país da América Latina já tem uma população coreana próxima de 50 mil. A maioria dos asiáticos estão em São Paulo, e em 2010 o estado criou a Korean Town.

Outro tema abordado foi a nuclearização, ato não apoiado pela Coreia do Sul de acordo com o embaixador. Kim Chan-Woo acredita que países como o Brasil se interessam pelo assunto, pois, assinalou, sem paz no território asiático, eventualmente a paz mundial será ameaçada. Ele lembrou que em três momentos de 2018 houve reunião de cúpula, ato que congregou chefes de Estado. Atualmente, conforme relatou o embaixador, a Coreia do Sul negocia um acordo comercial com o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Com o pacto, cuja conclusão está planejada para 2020, a Coreia espera um incremento de investimentos em empresas no Brasil e elevar a relação com o país a um novo patamar, completou Kim Chan-Woo.

-  O Brasil detém 60% da Amazônia, enquanto a Coreia tem alta tecnologia de desenvolvimento de matérias da biodiversidade. Temos certeza de que a combinação das duas riquezas trará resultados grandes e inimagináveis. Temos também um projeto de cooperação com a população de Ribeirinha, na Amazônia. No segundo semestre deste ano, um navio-hospital vai operar nos entornos dessa área para atender a população.

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