Economia e Política
29/05/2019 18:36
Beatriz Puente

Semana de Jornalismo traz profissionais para debater a cobertura de temas complexos no cenário atual

A cobertura de economia e política foi o tema de uma das mesas da Semana de Jornalismo. Foto: Amanda Dutra

Na 1ª Semana de Jornalismo da PUC-Rio, a mesa Economia e Política: Linguagem e Público abordou os desafios dos jornalistas que cobrem essas editorias e como dialogar com um público diversificado sobre assuntos que não são dominados pelas pessoas. Participaram do debate a jornalista Monica Pereira, do Jornal Extra, o jornalista e escritor Thomás Traumann, da Rádio Globo, o repórter Cristian Klein, do Valor Econômico, e o ex- jornalista da GloboNews Guto Abranches.

Traumann apresentou o atual cenário da cobertura econômica no Brasil. As falas polêmicas de membros do governo Bolsonaro foram classificadas por ele como um jogo de ambiguidade que afeta a estabilidade da Bolsa. O jornalista também afirmou que a economia no Brasil sempre esteve em situação de emergência.

- Quem cobre economia vive na beira do abismo, o Brasil sempre está nessa região próxima de crise econômica. Mas, ao mesmo tempo, temos um governo que fala para o próprio público e que gosta de brigar entre si e com os outros. Me lembra muito quando eu conversei com um ministro na Argentina. Essa história de falar uma besteira e dizer “não é bem assim” depois só faz a bolsa cair e o dólar subir, não ajuda o crescimento econômico. Isso a gente vê quando o crescimento do PIB está em quase 1%.

O jornalista da Rádio Globo explicou como a instabilidade política afeta a economia, Foto: Amanda Dutra

Abranches abordou as alegrias e dificuldades de cobrir temas complexos, como economia e política, e a necessidade de pensar no diálogo com públicos diferentes e em diversas plataformas. Ele também analisou a atual crise econômica como a pior, historicamente, mas que servirá de aprendizado para uma nova geração de jornalistas.

- Vivemos em ambientes muito complexos, nos debruçamos sobre assuntos para poder tirar uma forma de dialogar com qualquer público no impresso, no on-line, na rádio ou na TV. Na minha opinião, a crise que estamos vivendo é histórica, complicada e perversa. Eu digo isso porque o lado mais sensível são os 13 milhões de desempregados que não estão pagando a previdência deles. Isso é o lado ruim, mas o lado bom é que os futuros jornalistas terão muito trabalho pela frente para fazer e referência. Principalmente, por conta da tecnologia, da internet e da linguagem para explicar o que está acontecendo em tempo real.

A jornalista Monica Pereira abordou a linguagem que o Jornal Extra adotou ao explicar a Reforma da Previdência para um público majoritariamente de perfil C e D, trabalhador informal ou que está desempregado. A solução criativa foi a personagem Socorro, uma mulher de 49 anos, que interagia com os leitores por meio de um chat on-line e tirava dúvidas sobre a reforma.

- Queríamos fazer essa população se interessar e entender o que significa a Reforma da Previdência como um todo e não apenas responder com quantos anos cada um irá se aposentar. É um público que tende a não importar e a não entender as principais mudanças como essa. A criação da personagem e do chat tornou essa conversa mais lúdica e próxima.

Monica abordou a linguagem para tratar de economia com um público desinteressado. Foto: Amanda Dutra

Klein fez uma análise político-econômica desde as manifestações de 2013 para explicar a relação da economia com os diversos setores do país. A Reforma da Previdência foi destacada pelo repórter do Valor Econômico como o alicerce do governo para a crise econômica. Ele também explicou que deixar pautas como saúde e educação de lado resultará em crises futuras nesses setores e, consequentemente, no Brasil.

- No impeachment da Dilma, achavam que as coisas iriam se resolver, mas não resolveu. A esperança estava nas eleições de 2018, mas, hoje, vemos um governo com pouco apreço pelo Legislativo, que coloca a salvação do Brasil na Previdência. E quando perguntamos sobre políticas para educação e saúde, por exemplo, a resposta é “Escola Sem Partido” e “Acabar com o Mais Médicos”. Isso tem uma carga ideológica muito forte. O estado perde sua característica de promover políticas públicas, que dependem da economia. Hoje, acho que nem em 2022 vamos conseguir.

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