Religião e violência
30/05/2019 11:16
Luana Vicentina

Cônsul Geral do Líbano no Rio de Janeiro discute a intolerância no contexto religioso

Alejandro Bitar, Cônsul Geral do Líbano no Rio de Janeiro

A relação entre o Oriente e o Ocidente, no âmbito do pluralismo entre as diferentes religiões, foi o tema central da palestra do cônsul Geral do Líbano na capital fluminense, Alejandro Bitar, que ocorreu na Universidade no dia 27 de maio. A iniciativa é fruto do projeto Rio-Beirute: Caminhos para as duas cidades, que foi lançado em abril deste ano. A proposta visa facilitar o contato entre Brasil e Líbano, e promover um intercâmbio cultural recíproco a longo prazo.

Alejandro Bitar afirmou que a violência está presente em todas as ações humanas. Para ele, trata-se de uma dimensão do homem e se expressa desde as mais simples manifestações, como a alimentação, que seria um exemplo da violência animal e ambiental, até os recentes casos mais extremos de intransigência. Segundo o cônsul, o desafio a ser enfrentado é buscar meios de diminuir a violência humana, que, para ele, é intrínseca, mas pode ser minimizada.

— A vida se manifesta no indivíduo, e esse indivíduo tem a capacidade de pensar e cientificar o sentido da vida. Pegam o que prega o cristianismo, pegam o que prega o judaísmo, pegam o que prega o islamismo e transformam tudo isso em instituições políticas e econômicas. Essas instituições praticam a violência eliminando outras organizações que possuem aspectos distintos. Podemos, afinal, não pensar através de ideologias políticas?

O encontro contou com a participação dos professores Paulo Fernando Carneiro e Maria Clara Bingemer, do Departamento de Teologia, e foi mediado pelo diretor do Departamento de Teologia, padre Waldecir Gonzaga. Na plateia, estavam presentes o Bispo da Igreja Ortodoxa Antioqueana, Dom Theodore Ghandour, o ex-Reitor da PUC Rio, padre Jesus Hortal Sánchez, S.J., além de alunos e professores.

Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia. Foto: Maloni Cuerci.

Maria Clara traçou uma reflexão filosófica sobre a violência humana. De acordo com ela, pensar a relação entre religião e violência não pode ser algo dicotômico e bipolar. A professora afirmou que é preciso se aprofundar no estudo das diferentes manifestações religiosas e que, dessa forma, a pesquisa teológica se mostra fundamental.

— As religiões não dão respostas prontas nem se rendem a polaridades radicais, para isso deve servir o exercício do diálogo inter-religioso e o estudo da Teologia.

O professor Paulo Carneiro fez a leitura da Declaração assinada pelo Papa Francisco e pelo imã da mesquita Al-Azhar do Egito, Ahmed el-Tayeb. O documento tece uma crítica sobre a instrumentalização da religião e a interpretação errada dos textos bíblicos e islâmicos, que podem ser fomento para o terrorismo.

Mais Recentes
Os Impasses do sistema educacional brasileiro
Debate aborda os desafios das instituições de ensino no Brasil e as dificuldades criadas pelo Decreto de Contingenciamento de março de 2019
Transmissão do saber
Aula Inaugural do Departamento de Educação aborda relações de ensino e aprendizagem
38 anos de Neam
Em cerimônia no auditório do RDC, professores relembram história do projeto