Poesias que vêm do amor
25/06/2019 18:43
Gabriela Azevedo e Ana Carolina Moraes

Escritor Gilberto Mendonça Teles é homenageado pelos 50 anos de magistério na PUC-Rio

Gilberto Mendonça Teles fala sobre sua carreira e processo de criação. Foto: Amanda Dutra

A natureza e a brasilidade são temas importantes para o poeta, crítico literário e professor emérito da PUC-Rio, Gilberto Mendonça Teles, que foi homenageado pelos 50 anos de atuação na Universidade. Em um debate organizado pelo Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH) e pelo Departamento de Letras, foi exibido o curta biográfico O Poeta da Linguagem, de Lázaro Ribeiro, sobre vida e produção literária de Teles. Também houve declamação de poesias e músicas relacionadas à obra do professor.

Estavam presentes o Reitor da Universidade, padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J. e o Decano do CTCH, professor Júlio Diniz, responsável pela organização da palestra. Padre Josafá comentou que as origens dele e do poeta são as mesmas, já que a mãe de Teles é originária de Pirenópolis, em Goiás, assim como o Reitor. O Reitor qualificou o talento para a poesia do escritor como um presente de Deus e afirmou que o poeta, residente no Rio de Janeiro, foi capaz de conservar o que chamou de ethos da goianidade.

- Às vezes fico me perguntando como uma pessoa pode conservar o seu ethos da goianidade mesmo vivendo anos e anos fora da terra natal. Ele esteve muito presente aqui entre nós, no Rio de Janeiro, mas a sua produção literária, sua poesia e também o seu modo de ser goiano permaneceu. 

Júlio Diniz e o Padre Josafá Carlos de Siqueira comentam a importância do autor para a literatura. Foto: Amanda Dutra

A revitalização da Universidade foi um dos temas abordados pelo Decano do CTCH, professor Júlio Diniz. Ele lembrou da época de estudante, quando foi aluno de Teles, e ressaltou a importância de se olhar para o passado para poder seguir em frente. 

- Gilberto é um crítico, ensaísta, professor e formador de mestres e doutores da área. Ele tem obras muito importantes para a literatura brasileira. Ele é magnífico como escritor e poeta, conhece muito bem a poesia, a literatura e tem uma maneira muito própria de fazer poesia e de constituição da poética. Nesse momento que estamos vivendo, temos mais é que ler e fazer poesia, valorizar a arte e a sensibilidade. 

Durante a homenagem, houve duas mesas de debate. A primeira delas teve a presença do professor Karl Erik Schollhammer, do Departamento de Letras, e da professora Maria de Fátima Gonçalves Lima, da PUC Goiás. O professor ressaltou a importância de Teles na criação de pós-graduações de Letras em todo o país. Maria de Fátima comentou que pesquisa sobre o poeta desde 1986, quando fez o mestrado. Ela também apresentou dois trabalhos de pós-graduação que orientou e usaram como base a obra de Teles.

A segunda mesa foi composta pela professora Rosemary Ferreira de Souza, da UFMG, e pelo professor Marcos Carvalho Lopes, da UNILAB. Rosemary apresentou o seu projeto de pesquisa de doutorado em que analisa a relação entre o texto do poeta e as cidades citadas por ele nas obras. O professor da UNILAB apresentou um estudo, elaborado por ele, que fala do trabalho de Teles como professor. Lopes ressaltou a importância de encontros presenciais entre autores renomados como o Teles e pessoas que querem seguir a carreira. 

O diretor do Departamento de Letras, Alexandre Montaury, entrega palaca em homanegem a Gilberto Teles. Foto: Amanda Dutra

Gilberto Mendonça Teles se aposentou como professor de graduação da PUC em 2005, mas ainda ministra aulas de pós-graduação na PUC-Rio e Goiás. O poeta relatou como as experiências em universidades nacionais e internacionais fortificaram o sentido que ele tem da identidade brasileira. Ele comentou sobre os temas presentes nas obras que produziu, e a relação que tem com pessoas que as estudam.

-O tema das minhas poesias vêm do amor e da própria poesia. Depois que eu me casei, as obras que falam sobre o primeiro tema ganharam uma consistência diferente: amor à família, vida, aos amigos. Quando vejo que pessoas querem estudar minha poesia, me sinto honrado. Eu me dou muito bem com as pessoas que analisam as minhas obras. Não conheço muitas pessoalmente, mas, às vezes, me relaciono com algumas delas por carta.

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