Educação e jogos: PUC-Rio recebe Oficina de Construção de Games
29/07/2019 16:25
Juan Pablo Rey

Workshop é oferecido pelo Diretório de Pesquisa CNPq JER para jovens aprendizes do NEAM

Alunos acompanham aula da professora Viviane Japiassú. Foto: Maloni Cuerci.

A PUC-Rio recebeu, entre os dias 22 e 25 de julho, a Oficina de Construção de Games. As atividades foram destinadas a dezesseis jovens aprendizes do Núcleo de Estudo e Ação sobre o Menor (NEAM) moradores de comunidades cariocas, como a Rocinha, Pedra Branca, Rio das Pedras e Cidade de Deus. O laboratório focou no desenvolvimento de habilidades cognitivas por meio dos games. Os estudantes tiveram aulas sobre a parte narrativa, em que aprendem a estruturar o projeto, e de programação.

A oficina, ocorrida no Espaço Leandro Konder, foi organizada pelo Diretório de Pesquisa CNPq JER – Jovens em Rede, que tem mais de 20 anos de atuação, representada por professores de quatro universidades: PUC-Rio, Estácio de Sá, Veiga de Almeida e UFRJ. Segundo a professora Apparecida Mamede, do Departamento de Educação e integrante do diretório de pesquisa, o grupo já realizou outras atividades relacionadas ao tema em comunidades, mas pela falta de incentivo, não houve continuidade.

- Em 2015, trabalhamos na comunidade do Borel, ficamos lá um ano. Eram 15 crianças que estavam no sexto ano, mas sequer eram alfabetizadas. Foi para nós uma experiência muito rica e traumática, mas o projeto foi dissolvido. Até que surgiu essa oportunidade do NEAM, liderado pela professora Marina Moreira. Quando soube que ela iria fazer, nas férias, uma série de oficinas dos mais diferentes tipos, perguntei se nós podíamos fazer nossa pesquisa aqui.

Engenheiro Ricardo Nunes, professoras Stella Pedrosa, Apparecida Mamede, Viviane Japiassú e o mestrando Victor de Carvalho. Foto: Maloni Cuerci.

A professora Stella Pedrosa, da Universidade Estácio de Sá, também faz parte do JER e frisou o interesse dos jovens participantes, que, segundo ela, têm chegado mais cedo às aulas para tirar dúvidas com os professores. Stella defendeu o aprendizado por meio de jogos e destacou os ganhos cognitivos que os estudantes podem ter por conta dos games.

- Ontem, eles viram a parte da narrativa, hoje viram gráfico cartesiano. Estão vendo coisas que eles estudaram e que achavam que não serviria para nada, mas serve para algo que eles gostam tanto que é o jogo. Desenvolvem a lógica, as questões da matemática. Eles estão brincando, de certa forma, em um tema de interesse deles, mas desenvolvendo várias atividades cognitivas. 

Mestrando em Literatura e Cultura na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Victor de Carvalho é um dos professores da oficina. Ele trabalhou a parte de narrativa dos games, primordial para definir o tema, ideia e segmento do projeto a ser desenvolvido. Carvalho defende a educação por meio dos jogos, mas acredita que há uma resistência por parte do sistema educacional na questão.

- Pesquisas, há muitos anos, mostram que o aprendizado mediante interação é a forma do futuro. É importante perceber que a metodologia de ensino com jogo independe do ensino com jogo eletrônico. Há muito espaço para um método usando jogos analógicos ou os processos do jogo, da interação, aplicados com custo mínimo. Eu vejo muito mais um problema de metodologia didática. Não há investimento dos professores atuais, não há interesse e há resistência com técnicas novas.

Os alunos da Oficina João Batista e Tiago dos Santos. Foto: Maloni Cuerci.

Engenheiro mecânico aposentado e observador do projeto, Ricardo Nunes destacou que a oficina desenvolve nos alunos a competência de aprender. Morador da Rocinha, Tiago dos Santos, de 18 anos, enfatizou o aspecto do aprendizado citado por Nunes e mencionou que optou pelo workshop para ampliar a cognição.

-  O curso foi realmente muito esclarecedor. Tinha muita curiosidade na área e games e a oficina me deu uma visão muito boa da introdução. Tenho a filosofia de que você aprende melhor jogando e estou frequentando as aulas para aplicar no meu conhecimento.

Professora da Universidade Veiga de Almeida e da oficina, Viviane Japiassú ministrou aulas de processo de programação. Ela destacou a importância do planejamento minucioso do jogo antes da execução. Segundo a professora, o aluno deve pensar em toda história e possibilidades do personagem antes de executar a programação. A parte da narrativa, enfatizada por Viviane, é a que mais chamou a atenção do jovem João Batista, de 17 anos, morador de Rio das Pedras, que viu no roteiro uma opção de futuro profissional.

- Tem sido legal, gostei mais da parte de narrativa do jogo que da programação em si. Acho que abriu a minha mente, pensava que jogo era só programar, mas tem a parte de storytelling, que é um mercado que me interessei e posso trabalhar.

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