Fake news ao redor do mundo
29/08/2019 14:48
Esther Obriem e Letícia Messias

Jornalistas afirmam que as notícias falsas não são recentes, mas que ganharam força com a internet

Palestrantes Bruno Marinoni e Tayane Guimarães. Foto: Gabriela Callado

Uma das questões contemporâneas que afligem o mundo inteiro é a desinformação. Foi o que afirmou o diretor do Departamento de Comunicação Social, professor Leonel Aguiar, no lançamento da cartilha Desinformação: Ameaça ao direito à comunicação muito além das fake news, que ocorreu na terça-feira, 27. O encontro teve a presença do autor da cartilha e integrante do coletivo Intervozes Bruno Marinoni e da pesquisadora do ITS Rio Tayane Guimarães, que participaram da mesa de debates.

Segundo Marinoni, a proposta da cartilha é estabelecer um debate sobre a amplitude da desinformação. Para ele, a problemática não se resume a identificar se uma notícia é falsa, uma vez que, de acordo com ele, existem diversas formas de construir um ruído na comunicação. Além disso, o autor ainda afirmou que o material é importante para destacar que, ainda que as chamadas fake news tenham se espalhado com maior instantaneidade por causa da Internet, a prática não é uma novidade.

– Existem coisas mais complexas do que dizer se uma notícia é verdadeira ou falsa. Às vezes, o problema é uma notícia verdadeira que vem descontextualizada. A ideia de desinformação também é um debate antigo. É um fenômeno em alguma medida presente nas sociedades em geral, mas que apareceu como um problema crucial com a emergência da modernidade.

Cartilha sobre desinformação. Foto: Gabriela Callado

O autor da cartilha comentou que o debate sobre notícias falsas também não é algo recente e que existe antes da Internet. Porém, explicou, a discussão se tornou um fenômeno mundial na campanha do presidente americano Donald Trump. Segundo Marinoni, ainda que não tenha sido o primeiro, é um dos casos mais emblemáticos pela relevância dos Estados Unidos na geopolítica mundial. 

Tayane destacou que o debate entre liberdade de expressão e desinformação é outro problema anterior à Internet.  De acordo com a pesquisadora, a liberdade de expressão foi criada para que as minorias tivessem acesso a um canal de comunicação, sem que os pensamentos fossem violados. Ela ressaltou que, às vezes, a notícia difere do título e que as pessoas só recebem o conteúdo inicial, o que dissemina a desinformação.

– Não é só liberdade de expressão, mas procura-se garantir o direito à comunicação e o de receber informação. Inclusive, em uma certa perspectiva, só nos formamos seres políticos, com capacidade de atuação e de intervenção na realidade, a partir do momento que recebemos informação. Na verdade, é necessário ter um equilíbrio das notícias. 

Marinoni alertou para a prática do Zero-Hanting no Brasil. Segundo o jornalista, a tarifa zero é a falsa ideia do que seria um acesso gratuito à internet, mas que na prática não ocorre. Quando o pacote de dados acaba, o cliente só pode utilizar o Whatsapp, por exemplo, para acessar as informações. De acordo com ele, a circulação de dados e a capacidade de compreender a comunicação ficam limitadas, além de não ser possível descobrir a veracidade da notícia.  

Tayane Guimarães comenta sobre fiscalização nas redes sociais. Foto: Gabriela Callado

O autor da cartilha também comentou sobre os algoritmos, questão recente com a internet. Ele explicou que a produção de informação é voltada para os indivíduos de uma forma mais segmentada, a partir de um perfil construído por dados das práticas dos indivíduos nas redes. Segundo Tayane, tudo o que o usuário posta de transparência na rede social é alvo dessa fiscalização.

– Quando falamos que queremos saber o porquê desse conteúdo está sendo direcionado para a gente, queremos entender quais são as métricas que estão utilizando, em quais caixinhas estão nos colocando enquanto usuários, para entender e descobrir como determinada propaganda está aparecendo para mim.

Marinoni e Tayane questionaram o que mudou ao longo dos anos, se todas as práticas mencionadas já existiam. Segundo ela, existe uma difusão de informação, maior acesso a produção de conteúdo, retirada da centralidade das mídias tradicionais e uso das plataformas das mídias digitais para consumo de notícias. Marinoni ressaltou também a concentração das informações nas mãos de poucos grupos de comunicação.

– Existem essas grandes empresas que detém o monopólio de tudo o que circula na internet, o que estamos pesquisando, onde e o que estamos procurando. Estamos falando dos intermediários. Eles também vão priorizar as informações que nós vamos ter acesso. 

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