Racismo, sexismo, machismo: “ismos” que matam
06/09/2019 18:20
Paula Veiga

Fórum aborda as diferentes faces que a intolerância pode assumir

Os professores Daniela Vargas, Cristina Carvalho e Julio Diniz fizeram parte da abertura. Foto: Amanda Dutra

Intolerância: gênero, raça e religião foi o tema do III Fórum Ensino Superior e Ciências Humanas. A abertura começou com o discurso da Coordenadora Central de Graduação, professora Daniela Vargas, e do Decano do Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH), professor Júlio Diniz. No encontro, Daniela expressou a importância do professor ao assumir papel de mediador, que gera o diálogo e a reflexão crítica, enquanto Diniz registrou todos e quaisquer atos dentro de Universidade como de resistência. A mediação foi da vice-decana de graduação do CTCH, Cristina Carvalho. 

A edição de 2019 reuniu no campus da Universidade professores como Christina Vital, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Claudina Damasceno, da PapoPreta - projeto terapêutico voltado para a saúde e bem-estar da mulher negra, com foco no cuidado da saúde mental -, Fernando Pocahy, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), e o professor Otávio Leonídio, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Cada profissional descreveu caminhos diferentes em que a intolerância pode surgir. A professora da UFF destacou como o crescimento dos protestantes na década de 1990 transformou a arte local, com a incorporação de elementos da religião pentecostal nos grafites da favela de Acari. 

- Entre 1980 e 1990 houve um crescimento acentuado de autodeclarados pentecostais no Brasil, de 9% para 15,5%. O aumento registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ocorreu devido à Constituinte na década de 90 e à chamada bancada evangélica no Congresso Nacional, e posteriormente, à ocupação das mídias - programas e conquistas de algumas concessões, de forma mais emblemática na Record. No censo de 1940, os evangélicos eram relatados como 2,6% da população. O número de templos na localidade também subiu 50%.

Christina contou que nos grafites de Acari ícones eram destruídos para adotar uma nova estética que remetia à religião pentecostal, como o formato de papiro, a fonte Old English e o uso de uma gramática que optava por palavras como batalha, guerra espiritual e confirmação. Os principais pontos da cultura pentecostal nas periferias, segundo a professora, são a valorização do empreendedorismo e da disciplina para o sucesso, a noção de que o esforço pessoal produz vitórias e uma valorização moral da família e de papéis de gênero definidos entre homens e mulheres.

Favela de Acari, 2008. Foto: Christina Vital

Especialista em gênero, sexualidade e direitos humanos pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), Claudina explicou a falsa ideia de convivência harmoniosa ao falar sobre psicologia e relações raciais. De acordo com a pesquisadora, pensar psicologia é refletir subjetividades, mas deve-se questionar quais são as subjetividades em jogo.

- É necessário auxiliar o sujeito negro na construção de um lugar de re-existência enquanto sujeito político, social e cultural. Aqui eu falo sujeito negro, mas penso em todos os indivíduos que são considerados minorias de direitos e de existência. O ser da psicologia não aparece com as diferenciações, o atravessamento da cor, gênero e classe. No entanto, a produção teórica conceitual manifestada na psicologia, que aborda as relações étnicas-raciais no Brasil, não costuma estar presente no currículo das instituições de formação e ensino.

A professora Claudina Damasceno é mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Rio. Foto: Amanda Dutra

Já o professor Fernando Pocahy discutiu gênero, sexualidade e educação, com foco em micropolíticas do cotidiano. O educador descreveu as escolas e universidades como um espaço de reinvenção de mundos e de sentidos. O professor afirmou que a democracia não pode ser ensinada, é uma experiência de vida.

- As universidades são arenas vivas que possibilitam a prática da democracia, por isso são tão disputadas no presente. Há uma da democracia nas universidades, e o racismo, o sexismo e o machismo devem ser desaprendidos, pois são “ismos” que matam.

Mais Recentes
Time de solidários
Estudantes de diferentes universidades se unem com clube de futebol para realizar uma ação social
Novas Dinâmicas
PUC-Rio usa de agilidade e criatividade para manter o espírito da sala de aula vivo durante a pandemia
E quem não tem casa?
O dilema das pessoas que não têm acesso a condições básicas de higiene para enfrentar a Covid-19