Meio ambiente: a economia, o agronegócio e os agrotóxicos
02/10/2019 13:04
Letícia Messias

No Congresso ANPTECRE, especialistas debatem os conflitos entre a ecologia e o agronegócio

 

Convidados falam sobre os conflitos entre a ecologia e o agronegócio. Foto: Catarina Kreischer

Os conflitos entre a ecologia e o agronegócio foi tema de uma das conferências que compuseram o VII Congresso ANPTECRE, no dia 18 de setembro. Para debater o assunto, foram convidados o doutor em Ciências da Comunicação, professor Luiz Signates, o doutor em Teologia, Valério Guilherme Schaper e o doutor em Ciências da Religião, Paulo Agostinho Nogueira.

Para o professor Luiz Signates, o Brasil vive um dilema socioambiental. De acordo com ele, o quadro atual é de uma crise econômica, polarização política-religiosa e uma instabilidade institucional. Signates destacou, ainda, o agronegócio como o responsável pela sustentação da economia, embora tenha ressaltado o custo ambiental provocado por essa atividade. Dados do IBGE apontam que a prática comercial gera 22% do PIB do país, e equivale, também, a 43,3% da receita brasileira de exportações.

– Nós temos em paralelo um quadro de deterioração das condições sociais, desemprego, regressão de direitos constitucionalmente garantidos, desinvestimento do sistema educacional e de produção científica, perseguição ideológica, aparelhamento do Estado, combate explícito à sobrevivência das etnias indígenas e quilombolas e fomento ao desequilíbrio ambiental e a indiferença com a vida.

Segundo Signates, milhares de vidas são sacrificadas ao serem envenenadas por pesticidas.  Entre outros problemas, o professor destacou a precarização do trabalho, níveis de desempregos alarmantes ocasionados pela substituição do homem por tecnologias de mecanização agrícolas e as diversas consequências sociais advindas desta prática. O doutor em teologia Valério Schaper chamou atenção para as consequências no uso desenfreado de agrotóxicos que, segundo ele, são preocupantes.

– Muitas pesquisas de campo indicam que o uso de agrotóxicos chegou a níveis escandalosos. Há indícios do desenvolvimento de doenças com poder de mortalidade e incapacitação. O uso de agrotóxicos atinge inicialmente pessoas que lidam diretamente com a agricultura e, de forma indireta, com todas pessoas ao redor. O raio desse impacto amplia-se enormemente se considerarmos as cargas residuais dos agrotóxicos nos alimentos que chegam ao mercado.

O professor Paulo Agostinho Nogueira afirmou que o mundo natural e humano é desvalorizado e destruído na medida em que cresce a exploração colonial e o capitalismo. O maior problema, para ele, é existir uma lógica econômica que não inclui a perspectiva ecológica e humana. Ele destacou a liberação dos 63 agrotóxicos na terça-feira, 17 de setembro, pelo Ministério da Agricultura.

– Vemos governantes, como o atual, que ironizam a grave situação do desmatamento, se intitulando o Capitão Motosserra, e também muitos políticos e empresários, especialmente do agronegócio, que expressam uma consciência reclamando das demarcações de terras indígenas, dos Sem Terras, e buscando nos convencer que o país ainda tem muita terra a ser explorada.



 

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