Educação e tecnologia: a combinação do futuro
08/10/2019 17:01
Gustavo Magalhães

No 7º MiDForum, profissionais da área de informática mostram método que incentiva alunos a agir de forma mais independente

Hendi Lemos, da Apple Developer Academy. Foto: Amanda Dutra

Durante o 7° MiDForum, realizado na quinta-feira, 3, o professor Andrew Diniz, do Departamento de Informática e o desenvolvedor da Apple Developer Academy Hendi Lemos apresentaram o Challenge Based Learning, metodologia de aprendizagem prática baseada em criação de desafios aos alunos e com enfoque voltado à elaboração de soluções. A proposta do encontro foi comentar sobre como a educação pode ser transformada pela criação de grupos de estudo interdisciplinares, que buscam mudar a educação, ao estimular engajamento   e interesse na busca por conhecimento nas mais diversas áreas do saber nos alunos.

Responsável por coordenar esse tipo de iniciativa de desenvolvimento dentro da Universidade, o Programa de Inovação Tecnológica da PUC-Rio vai lançar um novo projeto no ano que vem. Diniz revelou que, em parceria com a Petrobras, a PUC-Rio vai desenvolver o programa Conexões para Inovação, voltado para pesquisas nas áreas de óleo, gás e petróleo. 

Hendi Lemos descreveu o processo do Challenge Based Learning como uma maneira de provocar a aprendizagem e fazer com que os integrantes do laboratório muitas vezes trabalhem por conta própria, sem que sejam constantemente instruídos a fazer as tarefas. Ele destacou essa característica como um dos diferenciais do método, que investe na tomada de ações, em idas a campo, em análise e coleta dos dados, além de uma delimitação precisa da área de pesquisa. O teste e a implementação dos projetos também fazem parte da metodologia, contou.

Lemos ressaltou que é preciso investir na multidisciplinaridade no momento de propagar aprendizados, pois, segundo ele, isso representa alcançar uma nova perspectiva na educação como um todo. Ele ainda observou que o modelo tradicional de ensino é comumente criticado, tanto das escolas quanto das universidades. Mas, de acordo com ele, não há, ainda, propostas consistentes de como fazer a transição entre a didática atual, muito fundamentada em moldes antigos, e a didática do futuro.

— Há uma similaridade muito grande entre como as aulas eram dadas no passado, alguns séculos atrás, e como o conhecimento é transmitido agora. Ainda permanece a ideia dos alunos apenas sentados, sem nenhuma espécie de dinamismo ou atividade. Nosso método serve como um meio. O desafio é implementar algo que dê certo e mude essa forma. Novas metodologias de aprendizado auxiliam demais na educação. O Challenge Based Learning, acredito, é um meio, uma transição ao que pode ser o futuro da maneira de transmitir conhecimento.

Andrew Diniz, professor do Departamento de Informática. Foto: Amanda Dutra.

Andrew Diniz afirmou que, pela aplicação de novos métodos de ensino, os mais jovens alcançarão autonomia para a melhoria de suas bases de conhecimento. Investir na interpessoalidade e aprimorar as habilidades específicas de cada pessoa pode propiciar um cenário completamente diferente do atual, concluiu o professor.

— Professores e alunos se ajudam e trocam experiências em conjunto, a fim de pensar soluções inovadoras. É desta forma que os participantes do nosso projeto vão aprimorar a proatividade e espírito de cooperação, que fazem a diferença para o mundo. Eles serão acompanhados e auxiliados a pensar coisas fora os moldes tradicionais. Serão esses indivíduos que farão a diferença.

O professor do Departamento de Informática reforçou que a tecnologia pode servir para solucionar os problemas da atualidade. E uma das maneiras para alcançar este objetivo é, segundo Diniz, usar das experiências da vida de cada um dos estudantes para entregar novas abordagens às dificuldades que enfrentam nas etapas de criação.

No total, mais de 100 aplicativos foram criados na Apple Developer Academy da PUC-Rio; surgida em 2014 de uma parceria entre a maior empresa de tecnologia do mundo e a Universidade. Além disto, cerca de 180 pessoas já passaram pelo laboratório e contribuíram para as pesquisas. Diniz explicou que o aprendizado, no processo, torna-se secundário, porque, segundo ele, o objetivo maior é impactar na vida de quem participa e, assim, ser um canal de transformação no mundo.

— A horizontalidade no ensino estimula que as pessoas se sintam motivadas com a tecnologia, isso provoca a disseminação da tecnologia e um maior interesse no desenvolvimento de soluções aos problemas do mundo. É isso o que ganhamos com todo o processo. As pessoas passam a usufruir mais e melhor dos novos meios de tecnologia.

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