Educação Inclusiva
10/10/2019 11:28
Mariana Albuquerque

Palestra aborda importância da convivência entre pessoas com e sem deficiência no mesmo espaço de aprendizado  

A professora Mariangela apresenta o conto da joaninha diferente para falar sobre inclusão. Foto: Catarina Kreischer.

A quebra do preconceito e a inclusão de pessoas com deficiência foram as principais questões abordadas pela psicóloga e professora Mariangela da Silva Monteiro, do Departamento de Psicologia, em palestra sobre Educação Inclusiva e Desenvolvimento, na PUC-Rio, no dia 4 de outubro. No encontro, a professora defendeu o fim da divisão do espaço de convivência para pessoas com deficiência como solução para maior aprendizado, e, em consequência, maior inclusão. 

Mariangela leu o conto “Uma joaninha diferente”, que mostra a história joaninha que não é aceita no jardim dos bichos porque nasceu sem bolinhas pretas. Para a professora, o conto possibilita a abordagem da questão da pessoa com deficiência, que é vista como não merecedora de estar no “jardim”, e não como indivíduo que enriquece outros com as diferenças. Segundo a psicóloga, para que uma haja uma perspectiva inclusiva, mudanças no “jardim” devem ocorrer. E essas transformações têm o objetivo de tornar a sociedade mais acolhedora, com um ambiente onde todos possam conviver com as diferenças de uma forma inclusiva.  

A professora usou as explicações do psicólogo Lev Vygotsky para defender que a quebra do preconceito deve ser feita por meio da convivência entre todas as pessoas, e não pela segregação de espaço, como ocorre nas instituições. Para ela, uma educação segregada gera um mundo dividido e prejudica o conhecimento mútuo entre pessoas com e sem deficiência.

– Ao colocar salas separadas, que trabalham isoladamente com pessoas com deficiência, as escolas acreditam que estão educando exclusivamente, enquanto não estão. As instituições têm que entender que o coletivo está em cada indivíduo, por isso não devem separá-los para desenvolver as funções. A escola não dá aos deficientes o que precisam, que é uma educação inclusiva, com todos juntos. Nós, da psicologia, devemos nos acostumar com o tempo do outro. Como Ygotsky dizia, as pessoas aprendem convivendo juntas, isso é inclusão. 

A psicóloga ressalta a importância das brincadeiras no processo de educação da pessoa com deficiência. Foto: Catarina Kreischer.

Mariangela ainda disse que a brincadeira é a melhor forma de trabalhar com percepção, atenção, memória, e as funções mentais superiores do deficiente. De acordo com a professora, nem todas as funções de um deficiente mental, por exemplo, estão comprometidas, por isso a importância de o educador desenvolver um olhar atento para esse público. 

– Deve haver uma preocupação no nosso olhar. Devemos observar atentamente para o que os deficientes precisam. Através desse olhar, percebemos os interesses específicos de cada um, como interesse pela arte, ou pela dança, e assim desenvolver as funções do indivíduo de acordo com sua área de interesse. 

 

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