Cem anos de Primo Levi: Memórias da Segunda Guerra
11/10/2019 11:06
Letícia Messias

Químico sobrevivente do Holocausto é homenageado em colóquio na Universidade

Primo Levi descreveu as experiências no campo de concentração em uma vasta obra literária.

Em fevereiro de 1944, o químico Primo Levi foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde permaneceu durante 11 meses. As experiências como prisioneiro na Segunda Guerra Mundial foram eternizadas pelo judeu italiano no livro É isto um homem?, publicado em 1947. Essas e outras histórias foram lembradas no Colóquio Mundos de Primo Levi, organizado pelos departamentos de Letras e Direito entre os dias 23 e 26 de setembro.

A abertura da cerimônia teve a presença do Cônsul Geral da Itália, Paolo Miraglia Del Giudice, do diretor do Departamento de Letras, professor Alexandre Montaury, e do organizador do encontro, professor Renato Lessa, do Departamento de Direito. Segundo Del Giudice, Primo Levi foi uma das mais importantes testemunhas na história do século XX. Ele destacou a multiplicidade de interesses do escritor, que transitava entre a ciência, a tradução e, sobretudo, a investigação da alma humana. Para o Cônsul, a figura de Levi simboliza o sofrimento universal da guerra e também da intolerância vivida pelos povos.

– É necessário não esquecer o terror da Segunda Guerra para construir um mundo melhor, baseado nos direitos de cada pessoa. Por isso, Levi foi um escritor decisivo para toda a literatura. Gostaria de recordar uma frase do autor, que é sempre atual e até profética: ‘Aqueles que esquecem o seu passado estão condenados a revivê-lo’.

Diretor do Centro Internacional de Estudos Primo Levi, o historiador Fabio Levi apresentou a Lição Primo Levi 2019. Foto: Catarina Kreischer

Anualmente, na Itália, são realizadas discussões que têm o objetivo de refletir sobre a obra do escritor. Neste ano, a versão italiana da Lição Primo Levi foi trazida para o Brasil, e o professor Renato Lessa anunciou uma nova parceria da Universidade com o Instituto Italiano de Cultura do Rio e o Centro Internacional de Estudos Primo Levi, em Turim. Segundo Lessa, os encontros também ocorrerão na PUC-Rio todos os anos.

– Em 2016, quando eu estava na direção da Biblioteca Nacional, a intenção era promover a versão brasileira da apresentação italiana da Lição Primo Levi. O país, no entanto, pode ser dividido entre antes e depois daquele ano. Felizmente, a PUC se tornou o lugar ideal e acolhedor para que esta iniciativa seja realizada.

Diretor do Centro Internacional de Estudos Primo Levi, o historiador Fabio Levi também esteve presente no Colóquio para apresentar a Lição de 2019. A leitura foi realizada em conjunto com a professora Alessandra Vannucci, da Escola de Comunicação da UFRJ. Um dos aspectos ressaltados foi a crença do autor de que a razão e a discussão são instrumentos do progresso.

Fabio Levi lembrou que, quase trinta anos depois de lançar É isto um homem?, Primo Levi acrescentou um apêndice para a obra. Segundo o historiador, o texto é fruto dos muitos encontros que o escritor fazia com estudantes em escolas.  De acordo com Fabio Levi, é uma reflexão cujo objetivo era ajudar as pessoas a se orientarem no mundo, cheio de transformações, na década de 1970.

No texto, Primo Levi faz uma análise do que significou o nazismo na história da humanidade: “A guerra é sempre um fato terrível: é deplorável, mas está em nós, tem sua própria racionalidade, nós a compreendemos. Ao contrário, no ódio nazista não há racionalidade: é um ódio que não está em nós. Talvez, o que aconteceu não pode ser compreendido, na verdade, não deve ser compreendido, porque compreender é quase justificar. Agora, nenhum homem normal jamais será capaz de se identificar com Hitler, Himmler, Goebbels, Eichmann e tantos outros”.

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