Liberdade educacional para mudar o presente
23/10/2019 12:57
Mariana Albuquerque

Professor da Arizona State University ressalta a necessidade de mudança no sistema de ensino tradicional

Professor Gustavo Fischman defende o uso de novas estratégias para educar. Foto: Gabriela Callado.

Dumb Ideas Won't Create Smart Kids é um livro que apresenta a natureza dos principais métodos utilizados atualmente no sistema de ensino tradicional, e defende que os objetivos da educação não serão alcançados com essas atuais práticas, mas, sim, com inovações no ensino. O autor, Gustavo Fischman, é também professor da Arizona State University, e esteve na PUC-RIO, no dia 18 de outubro, para ministrar uma palestra sobre esse tema. No encontro, o professor afirmou que a maioria dos sistemas educacionais insistem no ensino tradicional, e ressaltou a importância de inovar essa estratégia para obter melhores resultados. 

Fischman qualificou o atual sistema de ensino muito tradicional para os tempos contemporâneos. De acordo com o autor, cientistas que estudam a questão da aprendizagem já comprovaram que o modelo tradicional de ensino não é mais adequado para o período atual, mas, observou, as instituições e os profissionais continuam a aplicar os mesmos métodos, enquanto deveriam conversar mais sobre o assunto e propor novos caminhos. 

– Esse modelo tradicional é o mais conhecido. Ele é o sistema que avalia nossas carreiras acadêmicas e que nos contrata; tudo quase sempre se faz nesse modelo. O processo de treinamento dos futuros professores e professoras também se baseia nesse sistema. Mas aí temos, de novo, um problema, porque esse não é um modelo que serve para a ciência que usamos hoje. Queremos mais colaboração, mais interdisciplinaridade. 

O professor disse que o sistema tradicional, ainda aplicado em universidades, vem de uma herança, que determina o modo de pensar contemporâneo e também serve como base para futuros métodos de ensino. Fischman observou que o passado é importante, mas, na universidade, acrescentou, o presente é também fundamental.

– O passado é importante, mas, na universidade, o presente é a época dourada. É um período muito complicado, que nunca existiu em épocas anteriores. É uma universidade mais heterogênea, diversa, com mais dinheiro e com mais problemas. E se continuarmos trabalhando com os critérios de milhares de anos atrás, vamos ficar estagnados. Acho que temos que pensar em outras categorias.

Fischman ressalta a importância de diferenciar a geração passada da atual, para uma melhora no sistema educacional contemporâneo. Foto: Gabriella Callado.

O autor ressaltou a importância de saber lidar com os alunos da chamada primeira geração - aqueles que usam tecnologia em praticamente tudo- para inovar o sistema de ensino. Segundo ele, a previsão é de que todas as faculdades tenham apenas estudantes da primeira geração, e se as instituições e os profissionais não compreenderem a diferença entre essa geração e as anteriores, o sistema educacional vai permanecer ultrapassado e estagnado. Para Fischman, o momento é de mudança, mas, alertou, os profissionais insistem no tradicionalismo.

–  O mundo de hoje não é o mesmo daquele de anos atrás. Hoje estamos em um momento de mudança. Todos os nossos estudantes usam as redes sociais para aprender, procurar e guardar informação, e nós ainda não sabemos usar corretamente. Muitas coisas estão repetitivas e há pouca criatividade. Em quase todas as disciplinas, estabelecemos um padrão simplificado.

Fischman ainda enfatizou a necessidade de inovar o sistema de ensino, de maneira a se adaptar à primeira geração, que, segundo ele, vai predominar nas universidades. De acordo com Fischman, a melhor maneira de iniciar a inovação é usar os meios tecnológicos a favor, e assim permitir que os alunos possam ter acesso a novos meios de ensino. 

– Os estudantes, futuramente, vão continuar a ter acesso contínuo e ilimitado a diferentes recursos e experiências, assim, os meios tecnológicos têm que mudar o modo como damos aula. Um dos problemas da universidade na América Latina é que ficamos muito tempo debatendo a solução perfeita, enquanto precisamos resolver uma boa solução para o agora. Temos que oferecer aos estudantes a liberdade para criar novas experiências e métodos de estudo. 

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