Aprender, errar e pedir conselhos
25/10/2019 09:06
Esther Obriem

Executivo afirma em palestra para estudantes da PUC-Rio que um profissional de sucesso tem que equilibrar escolhas com trabalho árduo

Paulo Sérgio Kakinoff com alunos da equipe do AeroRio da PUC-Rio. Foto: Divulgação AeroRio

O CEO da Gol Linhas Aéreas, Paulo Sérgio Kakinoff, participou da palestra Voo do Estagiário, na última terça-feira, 22, no Auditório do IAG. O executivo comentou a trajetória profissional, aconselhou e alertou os estudantes. Também presente no encontro, o gerente da Escola de Negócios da PUC-Rio, João Luiz Queiroz, explicou que o objetivo desses bate-papos é inspirar os alunos e promover uma troca entre o corpo discente e os profissionais da área.

Kakinoff revelou que estudou em escola pública até a 8ª série e cursou tecnologia eletrônica na Escola Técnica de São Paulo. Mais tarde, conseguiu um estágio na Volkswagen, que não realizava renovação contratual havia dez anos mas, contou, o know-how que ele apresentou abriu uma oportunidade na empresa.

- Eu encontrei um ambiente há dez anos sem renovação executiva e com uma circunstância tecnológica, em que o carro mais moderno era o Ford Del Rey com um relógio digital azul no teto. Quando eu chego com essas características, sabendo falar inglês e com conhecimento de tecnologia eletrônica, as portas circunstancialmente se abriram. Isso não tinha ligação com minha competência, mas com o conhecimento maduro e aprofundado.

O CEO da Gol ressaltou que a fase da universidade se caracteriza pelo fato de os alunos estarem sedentos por conhecimento e expostos ao incentivo. O palestrante criticou os “manuais de vida”, como, por exemplo, regras que ensinam como uma pessoa pode se tornar milionária. Para ele, esses livros consistem em dicas para os indivíduos encontrarem técnicas para melhorar a vida sem gastar muita energia. 

CEO da Gol Linhas Aéreas fala sobre o avanço tecnológico. Foto: Gabriela Callado

O palestrante fez uma comparação entre os manuais e os controles remotos. Kakinoff comentou que o ser humano procura maneiras para facilitar e tornar as situações mais produtivas, mas com pouca energia. Ele, no entanto, ressaltou que a internet revolucionou a vida do ser humano e, comentou ficar feliz por presenciar essa época. O executivo considera que o avanço tecnológico possibilitou um salto qualitativo na longevidade, na qualidade de vida e no conhecimento. 

- Um dia navegando livremente pela internet equivale ao nível de conhecimento que um homem na década de 40 tinha na vida inteira. Na minha opinião, não existe nada mais gratificante do que ter acesso a grandes quantidades de informação que nunca foram possíveis. Como efeito colateral desse avanço, veio o mal desejo humano de procurar os atalhos, ou seja, mais por menos energia.

O profissional expandiu a problemática dos manuais para as obras bibliográficas. De acordo com Kakinoff, da mesma forma que os indivíduos buscam dicas para economizar energia, também procuram ídolos e modelos de vida. O executivo disse que as bibliografias funcionam como um gerador de massa crítica e não um passo a passo do que o leitor deve fazer.

O CEO ainda frisou que não se pode adotar o estilo de vida das celebridades como algo para seguir fielmente. Segundo o palestrante, ao invés de o indivíduo adquirir conhecimento, ele imita o mal comportamento dos ídolos, por isso, afirmou que o verdadeiro aprendizado proporcionado pelas bibliografias é saber e entender o que não funciona.

- Quando eu falo que vou seguir o estilo de vida do Steve Jobs, imagino que vou me comportar como ele. Entendendo que isso é permitido porque me vejo como a pessoa mais importante da organização e vou me anistiar das minhas falhas comportamentais, porque o Steve Jobs também fazia algo parecido. Emulamos tanto os nossos ídolos que, às vezes, ignoramos o conhecimento e só ficamos com as características negativas.

Executivo participa de palestra para alunos da PUC-Rio. Foto: Gabriela Callado

Kakinoff indicou que a melhor maneira de conduzir uma vida com desejos mundanos é encontrar pessoas que façam provocações. De acordo com o profissional, quanto antes o indivíduo descobrir a profissão que deseja seguir e depositar energia, as chances de ser bem-sucedido são de 85%. Ele completou que as pessoas passam a maior parte da vida no trabalho, e o modo de determinar se é uma profissão ou fase ruim, só depende da escolha pessoal.

- É arriscado você estar aqui hoje na crença de que escolheu o curso por dinheiro ou tradição familiar. Os meus amigos da vida bem-sucedidos são aqueles que souberam o que queriam fazer e combinaram isso com famigeradas dez mil horas. São dez mil horas aprendendo, errando e pedindo conselho das pessoas que sabem mais.

O executivo acredita que todas as pessoas apresentam o lado sol e o sombra. Segundo Kakinoff, essas características são forjadas pela carga genética, pelas experiências da infância e adolescência, e pelas primeiras decepções. Na opinião do CEO, a natureza humana é formada na faixa dos 16 anos. Para o administrador, não é preciso mudar as características boas (sol), porque estas sempre estarão com o indivíduo; mas as qualidades negativas (sombra) são modificáveis, completou.

Após a palestra, Kakinoff se reuniu com alguns alunos da equipe do AeroRio da PUC-Rio, nos pilotis do Leme. O grupo desenvolve e constrói aeronaves não tripuladas, como drones e aviões de asa fixa.  

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