Visualização 3D recria múmia do Museu Nacional
05/11/2019 17:07
Gustavo Magalhães

O projeto V-Horus começou em abril de 2019 e levou cerca de seis meses para reconstruir a peça virtualmente

A doutoranda em Design Andrea Lannhoff, o arqueólogo Pedro Seehausen e o designer Bernardo Alevato. Foto: Amanda Dutra 

Uma múmia que faz parte do acervo do Museu Nacional está disponível para visualização 3D no Hall de Artes & Design da PUC-Rio das 10h às 16h até a quarta-feira, 6. O projeto V-Horus reuniu 12 pesquisadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), da Fiocruz, do Museu Nacional e da PUC-Rio para a recuperação de parte da memória do museu e o resgate da imagem do acervo da instituição, que foi destruída em um incêndio no ano passado.

A egípcia Kherima era uma jovem que tinha entre 15 e 18 anos. Como múmia, ela tem aproximadamente 2 mil anos e pertence ao período de dominação de Roma sobre o Egito. Por causa do incêndio, apenas parte dos ossos de Kherima foi encontrada. O Museu Nacional tinha oito múmias no acervo antes de o fogo destruir o prédio na Quinta da Boa Vista. A maioria se encontrava em bom estado e tinha parte do tecido cartilaginoso preservado. Foram resgatadas 300 das 700 peças que constituem a coleção egípcia do Museu Nacional, a maior da América Latina.

O designer Bernardo Alevato retocou o modelo 3D e as texturas da múmia. Foto: Amanda Dutra.

Os pesquisadores da PUC-Rio revelam que há a intenção de fazer novas visualizações 3D tanto por parte do Museu quanto por parte das instituições. No primeiro momento, outras peças da coleção egípcia do Museu Nacional vão passar pelo processo em 3D, afirma o professor Bernardo Alevato, do Departamento de Artes & Design. O designer é responsável por reconstruir a múmia em computação gráfica e manteve as medidas exatas do corpo original.

O professor aponta os resultados da visualização 3D como formadores de um processo multidisciplinar de aprendizado, que envolve diversas áreas do saber. Para o designer, o método de uso da realidade virtual pode sensibilizar os visitantes e envolvê-los em uma perspectiva inédita e cativante sobre as evidências históricas. 

— A visualização 3D é uma ferramenta interessante. Ela permite deslocar a informação de materiais históricos e físicos para diversos lugares. É uma tecnologia envolvente, que tem muito a contribuir com as pesquisas e estudos, por ser muito rica do ponto de vista sensorial.

O trabalho de visualização virtual da peça foi desenvolvido com o uso de materiais de tomografia e fotografias disponibilizados pelo Museu Nacional aos pesquisadores. O professor Jorge Lopes, do Laboratório Next da PUC-Rio, fazia tomografias de objetos do acervo do Museu desde 2003 para análises não invasivas dos materiais da coleção egípcia. 

 

Andrea Lannhoff, doutoranda em Design pela PUC-Rio. Foto: Amanda Dutra.

Doutoranda em Design pela PUC-Rio, Andrea faz parte da equipe responsável pela construção da narrativa da visualização da múmia. A pesquisadora conta que a parceria entre o Museu Nacional, o IMPA, a Fiocruz e a PUC-Rio surgiu em um contexto de união de forças para recuperação do acervo do museu e ocorreu após o incêndio do Museu, em 2 de setembro de 2018.

Andrea explica que a equipe repensou como apresentar itens de museus ao público em busca de mais envolvimento. A narração guia o observador, que se vê em um ambiente escuro para explorar o espaço e encontrar o corpo de Kherima em cima de uma mesa de pedra.   

— Tivemos que idealizar a narrativa e como fazer aquilo ser interessante a quem está olhando. Essa visualização representa uma possibilidade nova de relacionar o público com as peças dos museus. Também nos permite ver uma peça que foi perdida e recuperar essa memória que poderia ter sido levada pelo incêndio.

O arqueólogo Pedro Seehausen começou a trabalhar no Museu Nacional um mês após o incêndio. Foto: Amanda Dutra

O arqueólogo Pedro Luiz Von Seehausen, do Museu Nacional, destaca que parte da coleção egípcia do Museu Nacional foi comprada por Dom Pedro I em 1826. Os itens chegaram por acaso ao Brasil, porque o mercador responsável por trazer os artefatos ao país tinha como destino a Argentina, revela Seehausen. Um comerciante italiano influente na primeira metade do século XIX, Nicolau Fiengo parou a embarcação no porto do Rio de Janeiro para fazer a manutenção do navio e conseguir suprimentos. 

— A informação de que havia uma coleção de artefatos egípcios chegou ao gabinete de Dom Pedro I. O imperador do Brasil decidiu comprar as obras em duas parcelas e as doou ao Museu Nacional, que, na época, era o Museu Real, criado em 1818. O comerciante italiano frequentava muito a região de Tebas, no Egito, e, por isso, parte da coleção doada ao Museu Nacional também é daquela localização.

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