Liberdade de expressão no mundo
04/12/2019 09:47
Esther Obriem

Diretora regional do Repórteres Sem Fronteiras na América Latina analisa a democracia jornalística no continente

Mapa do Repórteres Sem Fronteiras sobre a Liberdade de Imprensa no Mundo. Foto: Catarina Kreischer

A liberdade de expressão nos países e a metodologia do Media Ownership Monitor (MOM) foram os assuntos abordados na palestra Repórteres Sem Fronteiras, que ocorreu no dia 22 de novembro. Os professores Luiz Leo e Mariana Palmeira, do Departamento de Comunicação Social, ministraram o encontro, e a diretora regional do Repórteres Sem Fronteiras na América Latina Nube Álvarez explicou como funciona a organização.

A jornalista contou que o Repórteres Sem Fronteiras (RSF) está presente em quase todos os países e tem o objetivo de analisar a liberdade de imprensa em diferentes nações. Segundo Nube, a Organização Não-Governamental apresenta quatro atividades que, na maioria das vezes, são utilizadas para realizar as investigações.

– Uma delas é o Advocacy, que os repórteres investigativos se reúnem com o governo do país da apuração para discutir a situação da imprensa no local. Outra atividade são as Campanhas de Mobilização, em que as pessoas entendem a importância da liberdade de imprensa para a democracia. A Assistência e Apoio Jurídico é voltada para os jornalistas que necessitam de ajuda e, em casos extremos, ajudamos a saírem de casos de ameaças. A última é a Cibersegurança, que significa como se proteger nas redes.

A diretora regional ressaltou o Índice de Liberdade de Imprensa, projeto principal do RSF. De acordo com ela, o ranking é publicado anualmente desde 2000 e analisa 180 países. Nube afirmou que a classificação do Repórteres Sem Fronteiras é o mais confiável em comparação a todos os outros rankings. Segundo a palestrante, são analisados diversos fatores, como ambiente, autocensura e violência.

Diretora regional do Repórteres Sem Fronteiras na América Latina Nube Álvarez. Foto: Catarina Kreischer

Para Nube, o melhor país para ser jornalista é a Costa Rica, pois a possibilidade de exercer o ofício sem repressão é muito grande. A jornalista alertou que a situação na China e no Egito é muito grave no que diz respeito à liberdade de imprensa, em decorrência dos conflitos armados. Segundo o ranking mundial de 2019, o Brasil está na 105ª posição.

 A diretora regional frisou que é importante saber quem é responsável por toda a estrutura mediática, pois os meios são influentes nas mentes dos indivíduos. Para ela, o maior obstáculo para o fato de a informação estar no controle de poucos grupos de comunicação é a ausência de transparência. Nube observou que a organização é independente e que o trabalho varia de acordo com o país.

– Em cada país nós trabalhamos com métodos diferentes e, se não conhecemos o local, fazemos uma investigação. No começo, o Repórteres Sem Fronteiras só existia na Colômbia e no Camboja, mas, com o passar dos anos, começamos a crescer. Atualmente, o projeto está presente em 21 países e apresenta locais diversificados, como a Turquia.

A palestrante comentou que o monitoramento das propriedades de mídia, feita pela Media Ownership Monitor, é um instrumento de mapeamento. De acordo com Nube, o processo analisa o nível de pluralismo da mídia em países de implementação, cria uma base de dados públicos que lista os proprietários dos meios de comunicação relevantes e proporciona um contexto do ambiente legal que regula a propriedade midiática.

Nube fala sobre o monitoramento das propriedades de mídia. Foto: Catarina Kreischer

Segundo a mexicana, a pluralidade midiática é um símbolo de amadurecimento da democracia, pois, nos locais que esse poder é efetivo, os meios de comunicação disponíveis ao povo são suficientes para o consumo pessoal. A jornalista completou que a concentração do mercado de mídia limita a diversidade de opiniões, porque a posição das classes privilegiadas prevalece e a transparência das propriedades midiáticas oferece credibilidade. 

Nube considera que a internet faz com que as pessoas acreditem que têm acesso a diferentes vozes e pensamentos, mas ressaltou que isso é uma ilusão. Para ela, a maioria dos grupos são mantidos nas redes socais. A jornalista expôs que quatro redes brasileiras de televisão têm 70% da audiência nacional e que a Globo está em primeiro lugar, SBT em segundo, Record em terceiro e a Band ocupa o último lugar.

– Na América Latina, a maioria dos meios de comunicação on-line não produz notícias novas, mas eles são uma cópia dos meios impressos tradicionais. Os meios controlados por poucas famílias é um problema em todo o continente. A Rede Globo, por exemplo, tem uma tradição familiar em que o poder é herdado.

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